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Estado de Minas

Memória positiva


postado em 11/06/2019 04:09






Não vou esquecer nunca as informações que uma das minhas tias dava para a doença do marido, um bem nutrido descendente de alemães: “Ele tem câncer de pâncreas, órgão ímpar, inoperável”. Devia ter uns 10 anos, pouco mais, pouco menos, mas nunca me esqueci da frase porque ele era um ídolo da minha geração familiar. Como tinha carro de gasogênio (naquele tempo de guerra a gasolina era rara), nos levava para fazer corso carnavalesco em seu carro, um Ford daqueles poderosos. Era adorado por todos, porque fazer o corso na Avenida Afonso Pena nos três dias de carnaval era uma glória infantil. Só sei que anos e anos mais tarde, quando passei duas vezes pelo caranguejo e resisti, tornei-me uma fonte de informações sobre o câncer. E por mais de duas vezes recebi consulta de doentes com câncer no pâncreas, querendo saber de mim o índice de sobrevivência e nunca tive coragem de usar o diagnóstico recitado por minha tia. Realmente, o câncer de pâncreas é dos mais graves que podem surgir.

E por ser decorrente de mutação nos genes Brca 1 e 2 acaba de ganhar nova abordagem terapêutica. O estudo Polo, apresentado na sessão plenária do Encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), que ocorreu em 4 de junho, em Chicago (EUA), apontou que um quinto (22%) dos pacientes que receberam o tratamento com olaparibe – medicação que atua na reparação do DNA – já tinham superado os dois anos de sobrevivência à doença sem progressão. A pesquisa mostrou ainda que, entre os pacientes que receberam a medicação, a doença ficou controlada por quase o dobro do tempo em comparação com os pacientes que receberam o placebo: 7,4 versus 3,8 meses.

Para Elge Werneck, oncologista do Grupo Oncoclínicas, em Curitiba, a descoberta representa grande avanço para pacientes com tumores metastáticos de pâncreas que possuem esse tipo de mutação genética hereditária – a mesma responsável por alguns tipos de câncer de mama, ovário e próstata. “Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas é considerado um dos mais graves e apresenta alta taxa de mortalidade. Dentro deste cenário, estima-se que algo em torno de 7% dos pacientes possuem genes Brca mutados. Essa nova perspectiva de tratamento é animadora e promove uma mudança no cenário metastático”, explica o médico. “Infelizmente, a estratégia não se aplica a todos os pacientes – a mutação é fundamental para que os mesmos sejam beneficiados com essa nova opção”, explica o médico.

Para quem quer saber mais, o pâncreas é uma glândula que se localiza entre o estômago e a coluna vertebral, considerado um dos órgãos mais importantes do nosso organismo. Conhecê-lo a fundo e entender melhor os sintomas de seu mau funcionamento é essencial para o diagnóstico precoce de doenças, inclusive o câncer. Para se ter uma ideia, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença. O principal problema de detectar a neoplasia é que, na maioria das vezes, costuma apresentar sintomas que podem ser confundidos com problemas do dia a dia, dificultando assim o diagnóstico precoce. Além disso, apresenta maior incidência a partir dos 60 anos.


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