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Estado de Minas

Documentário militante

Amazônia %u2013 O despertar da florestania, de Christiane Torloni e Miguel Przewodowski, marca a estreia da atriz como diretora. Produção propõe provocação, reflexão e diálogo em torno da preservação da floresta amazônica


postado em 15/05/2019 05:11

Documentário Amazônia %u2013 O despertar da florestania quer mostrar ao espectador que nem tudo está perdido (foto: Fotos: Descoloniza Filmes/divulgação)
Documentário Amazônia %u2013 O despertar da florestania quer mostrar ao espectador que nem tudo está perdido (foto: Fotos: Descoloniza Filmes/divulgação)


Com o documentário Amazônia – O despertar da florestania, a atriz Christiane Torloni faz a sua estreia como diretora, ao lado do jornalista, roteirista de televisão, cinema e teatro Miguel Przewodowski, que divide a direção do filme com a atriz carioca. Com duração de 111 minutos, a produção teve a sua primeira exibição no final do ano passado, durante o Festival do Rio 2018, realizado no Rio de Janeiro, e está em cartaz nas principais cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte, no Cine Belas Artes.

A ideia, segundo a atriz, surgiu durante as filmagens da minissérie global Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, escrita por Glória Perez e exibida em 2007. “Posso dizer que ali foi como um chamado e foi a primeira vez que ouvi o termo “florestania”, que parece ter acendido em mim uma luz interna que me trouxe a ideia de fazer o documentário. Talvez, consigamos, com ele, unir as pessoas para um problema tão sério, como é o da Amazônia”, acredita a também ambientalista Torloni.

Florestania é um conceito criado pelo cronista, poeta e pensador acriano Antônio Alves, no final dos anos 1980, para promover a cidadania adaptada à floresta amazônica. O pressuposto da formulação é a preservação das riquezas naturais da floresta como condição para o desenvolvimento humano econômico e social. “Estamos meio que convocando as pessoas para uma convenção ecológica, além da política, dos partidos, é mais que isto”, garante.

Torloni explica que o filme se trata de uma mobilização. “Acho que é muito interessante trazer um trabalho que tem tantas pessoas interessantes engajadas, ou seja, trazer um pouco de luz para que as pessoas vejam que ainda há algo para se fazer. No caso do filme, estamos apenas ajudando a trazer a informação e levando até as pessoas, sobre o que está acontecendo. É um documentário histórico, cujo ponto principal é alcançar as pessoas e fazer com que elas se comovam com a urgência do tema. Não é um filme que denuncia e não faz com que as pessoas saiam do cinema paralisadas, dizendo que tudo está perdido, é exatamente o contrário”, acredita a diretora.

Torloni destaca também a trilha sonora do documentário. “Além disto, tem diversos depoimentos de pessoas engajadas. Tem o Milton Nascimento falando de suas expedições. Assistindo ao documentário, elas observarão que ainda há tempo de se mobilizarem”, ressalta. Após a divulgação do filme por diversas cidades brasileiras, a atriz revela que retornará aos palcos em agosto, com o espetáculo Master class, no qual interpreta Maria Callas.

EXPERIÊNCIAS

Já Przewodowski conta que viajou com uma equipe formada por 10 pessoas para a Amazônia para concluir o documentário. “Fomos a várias comunidades. Na realidade, o filme trata de pessoas envolvidas com a natureza. Fazem isto desde o início do século até hoje. São verdadeiros heróis que vêm lutando por isso ao longo do tempo, ou seja, fazendo este percurso desde a cidadania até a florestania. É um filme que une o Brasil, pois é uma troca de experiências e de legados”, esclarece o cineasta.

O diretor lembra que a ideia surgiu há sete anos, quando Torloni o convidou para fazerem o documentário juntos. “A conheci há quase 30 anos, durante as filmagens de O Bispo do Rosário, documentário que dirigi junto com Helena Martinho da Rocha, em 1993, e no qual ela atuou. Nos tornamos amigos e parceiros. Já dirigimos shows e sempre trocamos figurinhas. Na época, ela me ligou dizendo que tinha feito umas imagens na Amazônia”, lembra Przewodowski.

Assim como Torloni, o cineasta também espera que o documentário mobilize as pessoas. “O nosso intuito é fazer com que o espectador veja o filme, levante da cadeira e faça alguma coisa”, esclarece Przewodowski. “Nossa ideia não é apenas fazer um registro, mas, sim, um documentário. Sou uma pessoa do teatro, da ficção e, por isso, temos um caminho poético nesse contar. Um caminho que convoca as pessoas a reverem o que está passando nestes dois veículos. Gostaríamos que o trabalho fosse uma provocação a uma reflexão”, acrescenta o diretor.

DIÁLOGOS

Przewodowski ressalta que o país está “vivendo um momento trágico para o meio ambiente” e lembra que o documentário não é um filme que fala somente de uma denúncia. “São várias questões. Pessoas são diariamente ameaçadas de morte e muitos olham isto com naturalidade. Que as pessoas vejam e façam alguma coisa, um trabalho de convocação. O filme propõe um diálogo. As pessoas não precisam gostar, mas que indiquem, que façam algo. Queremos mostrar ao espectador que o meio ambiente diz respeito as todas as nossas problemáticas”, alerta o diretor.

O documentário traz entrevistas com o jornalista André Trigueiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Benki Piyãko, Marina Silva, Lucélia Santos, Frans Krajcberg, Juca de Oliveira, Míriam Leitão, o sociólogo Sérgio Abranches, Victor Fasano, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ailton Krenak e Paulo Adário, entre outros.

AMAZÔNIA – O DESPERTAR DA FLORESTANIA

Hoje, às 19h. A partir de amanhã (16), às 21h. Documentário dirigido por Christiane Torloni e Miguel Przewodowski. Cine Belas Artes, Rua Gonçalves Dias, 1.581, Lourdes, (31) 3273-3229. 111 minutos. Livre.



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