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Estado de Minas

Todo dia é Dia das Mães


postado em 12/05/2019 05:07

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso. Sempre achei muito dramática esta expressão. Somente depois de ser mãe, muitos anos depois, comecei a reconhecer certa verdade nesta afirmação. A começar com este entra ano sai ano Dia das Mães... seria mais justa a homenagem se todo dia fosse dia de mãe. E é.

De fato, uma das tarefas mais difíceis é gerar e assumir as consequências do nascimento de uma criança, ainda um pequeno organismo, um corpo natural, sem as marcas da cultura que, virão logo, pelo contato humano.

O recém-nascido será marcado pelo agente cuidador. Por seu olhar, sua voz, seu calor e por que ele atende suas necessidades. Primeiro, espontaneamente; depois, convocado pela cria que logo descobre o poder do grito, do choro para chamar em seu socorro.

Sobreviver, alimentar, acalentar faz parte do processo de maternagem e sobrecarrega a jovem mãe inexperiente e também as de outras viagens com a responsabilidade de ter em seu colo, em seu seio, um ser humano que depende dela pra tudo. E não é tarefa fácil tanta responsabilidade. Nem a interrupção do sono para amamentar.

Mas ainda esta etapa, embora carregada de missão tão honrosa que é humanizar a pequena cria, vai longe. Passará pelo primeiro ano com alegrias e sobressaltos de quem se aflige com barulhinhos estranhos, gemidos, cólicas e choros ainda sem palavras de nomeação.

Adquirir a linguagem facilita a comunicação e organiza a sopinha de letras sem ordem, na qual o bebê caiu mergulhado ao nascer, em um conjunto organizado da língua.

E assim se segue a primeira infância, os primeiros passinhos incertos e o medo do tombo e de cada quina. Surge um terceiro que interrompe o idílio do par primeiro, mostrando à criança que seu agente cuidador, a quem chama de mãe, não é exclusividade sua.

Ela tem outros interesses, seu olhar passeia mais além da cria e se dirige a interesses femininos, de mulher, do sujeito que ela é, para além da maternagem. Entra aí um terceiro pelo qual deve deixar a cria por um tempo se desdobrando em várias para seguir a vida.

Tempo de aprendizado sem trégua. A introdução da higiene a ser internalizada em infinitas repetições, interrompendo a brincadeira não sem protestos e birras. São febres, gripes, otites, sarampos e cataporas. E está ali a mãe dirigindo aos céus sua prece.

E assim crescemos todos com o suporte e cuidados da mãe. Aprendemos a ler e escrever, entramos na puberdade e adolescência, agora mais independentes no cuidado pessoal, nem sempre gratos e dando trabalho.

Agora, a preocupação é outra e está ali a mãe antenada nos primeiros passos para a independência e nos perigos do mundo, agora mais possíveis de alcançar sua cria, que ainda vê como sua criança.

E se alguém pensa que tendo filhos adultos e independentes acabou seu roteiro de mãe, enganou-se. Sempre está no horizonte do pensamento de uma mãe a pergunta sobre como está seu filho, se precisa de algo, se está bem de saúde... Estará feliz? E assim até o fim de seus dias, a mãe estará sempre ali para dar colo, ajudar nas dificuldades da vida, as mais diversas.

E ainda tem filho que não reconhece, não agradece e pensa que não pediu para nascer, recusando-se a ficar cativo nesta dívida eternizada. Ainda bem. Tem de seguir a vida e deixar para trás mãe, pai, irmão, e constituir seu núcleo que agora é principal.

E aí mãe, segura coração. Padeça e se alegre. Entenda que sua cria foi para o mundo, não seguiu sua receita, saindo diferente da encomenda, sempre. E isto quer dizer que tomou posse da vida que conquistou para si, porque a vida se conquista e não é simplesmente um presente que se ganhou.

Torçamos pelo sucesso da prole. Silenciosas se pudermos, sempre ligadas, mas nunca amarradas no onde foi que eu errei? Erramos e acertamos e isto é inevitável, mas hoje merecemos perdão e gratidão... Parabéns para nós!!!


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