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Estado de Minas

Homenagem merecida


postado em 23/04/2019 05:46

Socialite Zilda Couto lê dedicatória de Assis Chateaubriand em entrevista ao EM, em 2008(foto: Maria Tereza Correia//EM/D.A Press %u2013 22/2/08)
Socialite Zilda Couto lê dedicatória de Assis Chateaubriand em entrevista ao EM, em 2008 (foto: Maria Tereza Correia//EM/D.A Press %u2013 22/2/08)

Sou parte de uma geração que participou, durante muitos anos, dos acontecimentos sociais que ocorriam na capital. Os grupos eram sempre os mesmos, as pessoas não só se conheciam como se frequentavam. A cidade crescia, mas mantinha aquela agradável qualidade tão mineira, em que os relacionamentos raramente tinham segredos. E era um tempo de festas, que davam forças a lojas de roupas finas, joalheiros, decoradores, cabeleireiros. O dinheiro girava, e mesmo que não fosse em nível de Lava-Jato, definia a qualidade e o luxo da vida da sociedade mineira. Sociedade que tinha um componente cordial, os exclusivistas e muito fechados eram poucos, não davam para contar em uma mão.

A vida continua e seus personagens, com o passar do tempo, vão se retirando, muitos “indo embora”. E os que vão ficando, daquele tempo, pouco aparecem, preferem se manter em contato apenas com a família. Entre as figuras que sobreviveram àquele tempo, com a cabeça funcionando legal, está Zilda Couto, que foi um ícone desse tempo alegre e sofisticado de BH, que não existe mais. Como ela está completando 100 anos no próximo dia 29, uma data recorde, a coluna foi buscar uma entrevista que fez com ela em 2008, quando Zilda fala de sua admiração por este jornal. Vale reviver:

“ Um dos meus orgulhos foi ter recebido Assis Chateaubriand em minha casa. Ele foi nosso hóspede durante uma semana, era uma pessoa encantadora, cativante, sem nenhuma complicação. Sua presença não deu o menor trabalho, ele se sentiu em casa. E nós o recebemos como uma pessoa da família. Era o mínimo que podíamos fazer, afinal de contas, devemos muito de nossa vida ao Estado de Minas.”

O comentário é de Zilda, que com seu marido, Alair Couto, foi, durante muitos anos, a grande anfitriã belo-horizontina. Pelos salões do casal, com seus móveis de época, quadros de artistas famosos e pratarias, passaram todas as personalidades que vinham a Minas. E que eram recebidas com grandes festas. O magnata do estanho Antenor Patiño e a mulher, Beatriz, foram recepcionados numa noite em que se contavam presenças como a do presidente JK e dona Sarah. Lá esteve também o príncipe Luis Gastão de Orléans e Bragança, atual chefe da Casa Imperial do Brasil, e muitos outros famosos. As recepções, que depois apareciam no jornal, tim-tim por tim-tim, eram frequentadas pelo jet set internacional e figuras da sociedade do Rio, São Paulo e de Belo Horizonte.

Muitas e muitas festas foram oferecidas pelo casal em torno das promoções dos Associados, e Zilda, mulher fina e alinhada, se transformou em referência da mulher mineira. “Até hoje a presença do jornal repercute em nossa vida. Gente que nunca vimos, que não conhecemos, se lembra de nós, o que não é raro. Naqueles tempos de muitas festas, nossas fotos nos jornais ajudavam a projetar costureiras, maquiadores, cabeleireiros. Os leitores que não tinham acesso a essas reuniões nos pediam informações, as reportagens e notícias do Estado de Minas foram e são responsáveis pelo sucesso profissional de muita gente. Acho que eu e Alair devemos muito ao jornal.”

Além disso, as mais requintadas recepções oferecidas à sociedade carioca que vinha a Minas para participar de outra promoção deste jornal, o Baile da Glamour Girl, eram oferecidas pelos Couto. Zilda fez parte do júri durante todo o tempo em que a festa foi organizada pelo jornalista Eduardo Couri, com fins beneficentes. E o Estado de Minas não só a distinguiu, como é parte de sua memória pessoal. Ela guarda uma coleção de jornais em que fotos dela e de suas festas foram publicadas.


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