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Ars Nova faz concertos para celebrar semana santa nesta segunda (15) e terça (16)

O coral da UFMG completa 60 anos de atividade neste 2019 e divulgará áudios de apresentações antológicas antes de cada concerto ao longo do ano


postado em 15/04/2019 05:06

O coral da UFMG completa 60 anos de atividade neste 2019 e divulgará áudios de apresentações antológicas antes de cada concerto ao longo do ano (foto: JOÃO ALVES/DIVULGAÇÃO)
O coral da UFMG completa 60 anos de atividade neste 2019 e divulgará áudios de apresentações antológicas antes de cada concerto ao longo do ano (foto: JOÃO ALVES/DIVULGAÇÃO)

Segundo a tradição da Igreja Católica Romana, a semana santa começou ontem (14), com o domingo de ramos, quando Jesus entra em Jerusalém e é recebido com folhas de palmeira. Por isso, as celebrações dessa tradição religiosa já tiveram início por todo o país. Nesta segunda (15) e terça (16), o coral Ars Nova, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte, fará dois concertos que trazem obras criadas especificamente para esse momento litúrgico. “Desde que assumi a regência do coral, em 2017, tenho procurado manter a tradição de promover essas apresentações. Será o terceiro ano. São peças fantásticas e belíssimas, que têm muito a ver com os simbolismos da semana santa”, afirma o maestro Lincoln Andrade.

Os concertos ocorrem às 19h30 de hoje, na Igreja da Boa Viagem, e de amanhã, no Conservatório da UFMG. O repertório traz obras de três compositores: o italiano Domenico Scarlatti (1685-1757), o norueguês Ola Gjeilo, de 40 anos, e o alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). As apresentações abrem com Stabat Mater, trabalho coral mais conhecido de Scarlatti, que foi contemporâneo e amigo de Georg Friedrich Haendel.

A obra foi escrita em Roma, em 1715, e seu texto é retirado de várias passagens das sagradas escrituras: João (19:25), Lucas (2:35), Zacarias (13:6), Segunda epístola aos Coríntios (4:10) e Epístola aos Gálatas (6:17). O repertório segue com uma composição de Ola Gjeilo. Ubi Caritas foi escrita em 2001 para coro a capella, tendo como inspiração a flexibilidade do canto gregoriano. É uma obra que fala da caridade, da humildade e da amizade e exorta à renovação da fé.

Fechando os concertos, Jesu, meine Freude, de Bach, considerado o mais longo dos seis motetos (um gênero musical polifônico surgido no século 13, em que, inicialmente, usavam-se textos distintos para cada voz), escritos pelo compositor alemão, e também o mais complexo e antigo. Foi escrito em 1723, provavelmente para o funeral da esposa do chefe dos correios de Leipzig, e inclui passagens da epístola de São Paulo aos romanos. “São obras complexas, que exigem muito dos cantores, mas, justamente por saber da capacidade do grupo, que hoje conta com 22 integrantes, eu as selecionei”, diz o maestro.

ACÚSTICA Lincoln Andrade observa que o repertório é bem apropriado para uma igreja, já que foi feito para ser executado num templo, levando em conta a acústica própria dessas construções. “A peça do Domenico Scarlatti, por exemplo, utiliza 10 vozes e vai ficar um espetáculo dentro de uma igreja como a Boa Viagem. Ela foi muito mais pensada para esse espaço do que para um teatro. A essência é a mesma, o repertório também, mas os concertos na catedral e no conservatório serão diferentes por causa dessas especifidades”, afirma.

Neste 2019, o Coral Ars Nova completa 60 anos de atividade. Algumas comemorações estão sendo preparadas. Antes de cada um dos concertos da semana santa, gravações históricas do grupo, como suas apresentações no Lincoln Center, em Nova York, e em países da Europa, serão divulgadas. “Até o público se acomodar, nós vamos colocar esses áudios. Daqui em diante, até o fim do ano, quando as celebrações vão se intensificar, colocaremos essas gravações antes de cada apresentação, para que as pessoas possam conhecer um pouco mais do nosso trabalho e do nosso passado”, avisa o maestro.

A ideia é que ex-integrantes do coral também façam parte desses festejos. “Muita gente de talento se formou ao longo dessas seis décadas. O Ars Nova faz parte da história e da cultura de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil. É um coro que conquistou inúmeros prêmios e condecorações em importantes festivais nacionais e internacionais e realizou mais de 1.400 apresentações no Brasil e no exterior”, cita Andrade.

O maestro, que é natural de Leopoldina, na Zona da Mata, começou seus estudos musicais em Brasília. Ele se lembra de uma ocasião, quando tinha 16 anos, em que foi se apresentar em um festival de corais em Porto Alegre. Foi na capital gaúcha que ele tomou contato com o Ars Nova. “Fiquei impactado. Quis saber que grupo era aquele e já almejava o sonho de, um dia, fazer parte dele. Eu cantava num coral da capital federal e me impressionei com os Ars Nova. Olha como a vida dá voltas. Hoje sou o regente titular desse coral de tanta excelência. É uma satisfação enorme.”


ARS NOVA

Coral faz concertos em celebração à semana santa. Hoje (15), às 19h30, na Igreja da Boa Viagem (Rua Sergipe, 175, Funcionários), e amanhã, às 19h30, no Conservatório da UFMG (Av. Afonso Pena, 1.534, Centro). Entrada franca.


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