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Estado de Minas

Na língua universal

O drama humano está no centro de O tradutor, filme estrelado por Rodrigo Santoro, que interpreta médico russo na Cuba dos anos 1980. Ele diz que personagem o comoveu


postado em 07/04/2019 05:10

Rodrigo Santoro interpreta especialista que se dedica a crianças com câncer afetadas pela tragédia de Chernobyl (foto: Galeria Distribuidora/Divulgação )
Rodrigo Santoro interpreta especialista que se dedica a crianças com câncer afetadas pela tragédia de Chernobyl (foto: Galeria Distribuidora/Divulgação )


Rodrigo Santoro estava num momento particular. Havia perdido um amigo querido, que morreu de câncer. Estava virando pai. Isso tudo mexeu com ele, e Santoro resolveu que ia dar um tempo. Queria pensar um pouco, reciclar-se. Foi quando lhe chegou às mãos o roteiro para o filme O tradutor, enviado por dois irmãos cineastas cubanos, Rodrigo e Sebastián Barriuso. Insistiram para que ele lesse. Santoro estava relutante, mas foi só ler e ele mudou. “Vou fazer, quero fazer.” O tradutor, que estreou na quinta-feira nos cinemas, baseia-se numa história real. Santoro interpreta Malin, um professor de literatura russa.

Começa com as imagens da visita de Mikhail Gorbachev à ilha. Com as sanções dos EUA, Cuba precisa mais do que nunca da ajuda da URSS. Mas ocorre a queda do muro de Berlim (1989), o colapso do império soviético, as aulas de literatura são suspensas e Santoro, como outros professores, é locado como tradutor num hospital que abriga pacientes que foram expostos à radiação atômica de Chernobyl (três anos antes) e estão morrendo.

Cabe-lhe a ala infantil. “Mexeu muito comigo. Decidi que tinha de aceitar. O convite vinha carregado de desafios e dificuldades. Teria de falar russo e não teria uma janela muito grande para aprender a língua. Em um mês, já estaríamos filmando. Estudei muito o roteiro, aprendi a dizer minhas falas em russo, mas não era suficiente. Contraceno com crianças. A maioria era de cubanas, que foram dubladas depois, mas o garoto que é o principal paciente falava russo. Como criança é muito espontânea, eu tinha de estar preparado para improvisar com ele. Deu um trabalhão danado, mas foi muito positivo.”

O próprio espanhol era outro desafio. Quando fez Che (de Steven Soderbergh), Rodrigo já havia estado em Cuba e aprendeu a falar o espanhol local, um pouco cantado, relembram os diretores. Malin, na verdade, chama-se Manuel Barriuso Andino e é pai da dupla. Na época do filme, havia somente Sebastián. A mãe é uma galerista de arte que começou a reclamar da dedicação do marido às crianças do hospital, acusando-o de negligenciar a família. Isso não a impede de ficar grávida de novo. O casal terminou por se separar. E, apesar de toda a importância das crianças, do hospital e da solidariedade humana, o verdadeiro tema é a crise do casal.

“Desde que começamos a fazer cinema, meu irmão (Rodrigo Barriuso) dizia que a história de nossos pais dava filme. Todo projeto termina por ser autobiográfico, mas essa história nos diz respeito, nos afetou. Fizemos para entender nosso pai, nossa mãe. E também para entender aquele momento da vida cubana. Nosso sistema de saúde sempre foi reputado como um dos melhores do mundo. Até quem era contra o socialismo de Fidel Castro reconhecia isso. A crise de combustível, o racionamento de víveres, tudo foi paralisando a vida em Cuba, mas pessoas como meu pai e a enfermeira (vivida pela atriz argentina Maricel Álvarez) continuaram emprestando seu idealismo ao programa de assistências às vítimas de Chernobyl, que prosseguiu até 2011”, detalha Sebastián.

Santoro diz que não se trata só de um filme. “Acho que tem qualidade como cinema, mas mesmo em São Paulo fomos convidados a debater com profissionais de saúde e visitamos pacientes infantis em situação terminal. O tradutor pede um comprometimento que não terminou para nenhum de nós.” E como foi para Santoro voltar a Cuba? “Peguei o país em outro momento. E desta vez não participava de uma megaprodução norte-americana, mas de uma coprodução local (com o Canadá, onde residem os diretores). A equipe era cubana, então eu conversava muito com a maquiadora, a figurinista. Como pai, trocava ideias, informações. É um povo muito alegre, hospitaleiro. Tudo está mudando muito rápido, mas quem ficou na ilha e não renegou o socialismo tem outro olhar para a vida, para as coisas.”

VIDA PESSOAL

E a paternidade? “Mudou minha vida. A Mel (Frockowiak, sua mulher) tem a vida dela, mas sempre damos um jeito de viajar juntos. A Nina (filha) me fez ver tudo diferente.” E o Brasil? “Justamente por causa delas, por ser pai, preocupo-me muito. Venho para cá e sinto uma insegurança enorme, não com a violência. Insegurança com o que está ocorrendo com esse país, com as pessoas. Todo esse ódio, esse ressentimento.” E o surfe? “É meu refúgio. Se não estou filmando, nem com as minhas mulheres, pode crer que estou no mar, pegando onda.”



Invocando Lampião
contra os alienígenas


Em 2013, um sopro de irreverência e liberdade varreu os cinemas do Nordeste, onde Cine Holliúdy arrebentou na bilheteria. O êxito impulsionou o diretor Halder Gomes a pensar numa sequência. Feito com mais recursos, Cine Holliúdy 2 – A chibata sideral consegue ser ainda melhor e mais divertido.

Tudo começou com o curta Cine Holliúdy – O artista contra o cabra do mal, feito com recursos modestos de um edital do MinC para o formato, em 2004. O curta correu mundo e foi visto em 80 festivais de 20 países. Ganhou 42 prêmios. “Nos festivais, os críticos me animaram e falaram que eu tinha de fazer um longa. Realmente, tinha muito material para isso”, contou o diretor ao lançar Cine Holliúdy. O 2 já começa tirando onda de Steven Spielberg. Nos anos 1970, e com o megassucesso Tubarão no currículo, ‘Steven’ participa de uma reunião com produtores em Los Angeles. Inesperadamente, recebe um golpe na cara e fica atordoado. A imagem embaralha-se e entra o letreiro que anuncia ‘3 meses antes’.

Se no primeiro filme o cineasta sertanejo atraía o público com o kung fu, o segundo começa sob o signo da crise. Francisgleydisson perdeu tudo, até seu cinema, comprado pelo pastor da cidade. Os dois personagens são interpretados pelo ator Edmilson Filho. Francisgleydisson está para desistir, quando a mulher o incentiva a prosseguir com o sonho de fazer cinema. Na cidade, que sofre com abduções de habitantes por extraterrestres, ele tem a sacada de dirigir uma epopeia intergaláctica. A chibata sideral narra o embate entre Lampião e os invasores alienígenas. Nos primeiros cinco dias, desde a quinta-feira passada, fez mais de 50 mil espectadores no Ceará, ficando à frente da heroína de Capitã Marvel. Lançado em 89 telas, registrou a média de 1.483 de bilheteria por sala.

Na trama, o pastor fará de tudo para impedir o sucesso da produção. Sua aliada é Justina, candidata a prefeita, com seu bordão ‘Eu sou escrota, muito escrota!’. Mas Francisgleydisson tem o apoio da mulher, do filho, dos amigos e dos próprios ETs. O resultado é uma comédia muito louca, com efeitos hilários, numa ode ao gênero de ficção científica, e também a um dos grandes diretores de todos os tempos, Spielberg, com inúmeras referências ao clássico filme de 1977, Contatos imediatos de terceiro grau. Halder Gomes renova, para o século 21, o espírito de paródia das chanchadas da Atlântida.



Das telonas para a telinha


O momento é de Brie Larson. A atriz, que já venceu um Oscar em 2016 por O quarto de Jack, é a grande estrela do momento por conta do filme Capitã Marvel, o primeiro longa protagonizado por uma mulher dos estúdios Marvel, que está em cartaz e já se aproxima do US$ 1 bilhão na bilheteria mundial.

Não por acaso, aproveitando o bom momento de Larson, a Netflix estreou na sexta-feira o serviço de streaming do primeiro longa-metragem dirigido por ela, Loja de unicórnios. No filme, ela repete a dobradinha com Samuel L. Jackson, seu companheiro de cena em Capitã Marvel.

No fantasioso longa, Larson, que também é a protagonista, vive Kit, uma artista plástica fracassada, que não se dá bem na escola de artes e acaba tendo de aceitar um emprego entediante no escritório. Sua vida, no entanto, muda quando ela encontra o “Vendedor” (Jackson), que oferece a ela a oportunidade de realizar seu grande sonho: ter um unicórnio.

A história, só pela sinopse fantasiosa, já mostra que o filme não é para todos os gostos, e Larson sabia disso quando rodou o longa. “Sei que o filme não é para todo mundo”, ela disse ao site IndieWire. “Mas espero que, para as pessoas para as quais eu fiz o filme, ressoe nelas como uma forma de dizer, ‘precisamos dessas vozes que são únicas, diferentes’.”

Talvez tenha sido por isso que o filme demorou tanto a sair. Originalmente, Loja de unicórnios deveria ter sido lançado em 2017. Chegou a ser exibido no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá. Foi adquirido posteriormente pela Netflix, que agora se aproveita da boa fase de Larson como atriz nas telonas.

Ao finalizar o filme, em 2017, Larson já havia declarado não se preocupar com o fato de sua estreia na direção ser bem criticada ou não. Para ela, independentemente de qual seja a opinião geral, seu longa pode inspirar pessoas. “Minha esperança é que, seja o filme bom ou ruim, é algo novo apresentado”, refletiu, à época. “As pessoas podem dizer ‘este filme é incrível, quero fazer isso’, ou então ‘é a pior coisa que já vi, se ela fez isso, eu definitivamente posso fazer um filme’”, brincou. Apesar de ser o primeiro longa, Larson já tem na carreira dois curtas-metragens dirigidos, Weighting (2013) e The arm (2012).

Loja de unicórnios conta ainda no elenco com outros nomes de peso, além de Jackson. Bradley Whitford faz o pai de Kit, Gene, e Joan Cusack sua mãe, Gladys. O roteiro é de Samantha McIntyre, da série de TV Married.


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