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Estado de Minas

Milton Nascimento e Samuel Rosa falam da admiração mútua

Vocalista do Skank teve participação na turnê Clube da Esquina, que começou em Juiz de Fora e chega a BH nesta semana


postado em 27/03/2019 05:09 / atualizado em 27/03/2019 08:02

Milton Nascimento se apresenta amanhã, sábado e domingo no Grande Teatro do Palácio das Artes, com ingressos esgotados (foto: JOÃO COUTO/DIVULGAÇÃO)
Milton Nascimento se apresenta amanhã, sábado e domingo no Grande Teatro do Palácio das Artes, com ingressos esgotados (foto: JOÃO COUTO/DIVULGAÇÃO)

O impacto do que foi visto na estreia da turnê Clube da esquina “em casa”, no último dia 16, no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora, só se amplificou com a homenagem do sábado passado (23), no programa Altas horas, da Globo. Milton Nascimento cantou e teve sua obra cantada por antigos e novos parceiros – Lô Borges, Samuel Rosa e Criolo –, contemporâneos de estrada – Gal Costa e Ney Matogrosso, – e nomes que não necessariamente dialogam com sua produção – Chitãozinho & Xororó e Maria Gadú.

Independentemente de caminhos musicais, o que fica claro é que a música de Milton Nascimento ressoa em todos. E o Clube da esquina (1972), o álbum duplo coletivo assinado com Lô Borges, é o ponto de convergência. A turnê, que tem previstos 17 shows no Brasil até agosto – mais seis, em junho, na Europa – coloca o pé na estrada a partir de amanhã, em Belo Horizonte.

Com ingressos esgotados para os três dias de apresentação no Palácio das Artes – quinta (28), sábado (30) e domingo (31) –, os shows de Milton deverão ser muito semelhantes ao inaugural, em Juiz de Fora, segundo diz o cantor. Do repertório de 26 canções, 14 delas são do Clube 1, cinco do Clube 2 (1978) e o restante também da produção setentista, a fase mais experimental de sua carreira – há poucas exceções, caso de Estrelas (1981), de Lô e Márcio Borges, interpretada por Zé Ibarra. O vocalista da banda Dônica é a novidade da turnê, que tem direção artística de Augusto Nascimento, filho e empresário de Milton, e direção musical de Wilson Lopes.

MÚSICOS

A banda do novo show traz músicos que tocaram na turnê anterior, Semente da terra: Wilson Lopes (guitarra e violão), Alexandre Ito (baixo), Widor Santiago (metais) e Lincoln Cheib (bateria). O pianista Ademir Fox havia feito shows eventuais com Milton e o percussonista Ronaldo Silva (filho de Robertinho Silva, que trabalhou com Milton por quase 30 anos e gravou, entre outros, o Clube 1), volta agora a tocar com o cantor, 25 anos depois da temporada de Angelus.

No show em Juiz de Fora, Samuel Rosa cantou O trem azul e Paula e Bebeto. “Ter sido chamado me mobilizou emocionalmente, ainda mais para a estreia de uma turnê tão importante, que joga luz num ponto tão primordial da carreira do Milton. Foi catártico, um dos principais momentos da minha carreira”, diz o vocalista e guitarrista do Skank.

Para a temporada belo-horizontina, ainda não se sabe se haverá participação de algum parceiro do Clube. Parte deles, vale dizer, foi lembrada no primeiro show, com menções a Fernando Brant, Lô (a quem a estreia foi dedicada), Márcio Borges e Ronaldo Bastos

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Milton, sempre com poucas palavras, fala do prazer que este início de temporada está lhe trazendo. “Nunca tinha me sentido tão bem logo no começo de uma turnê. E a estreia foi uma coisa que me deixou muito feliz, pois estava todo mundo ali com o mesmo sentimento.”

ENTREVISTA

Como você se sentiu após a estreia da turnê em Juiz de Fora? Haverá mudanças para a temporada em Belo Horizonte?
Começar um show novo nunca é uma coisa tão simples. Mas confesso que nunca me senti tão bem num início de turnê como estou me sentindo agora. Todo mundo estava na mesma sintonia, e a coisa funcionou tão bem que não vamos mudar praticamente nada. Outro lance muito importante neste início foi a presença do Samuel Rosa no primeiro show. Além de ter feito uma participação surpresa, ele deu o maior apoio para a gente. O Samuel não existe, é um cara muito especial.

Há uma informação extraoficial de que a turnê terminará com um show aberto ao público em Juiz de Fora. Existe mesmo essa ideia?
Olha, confesso que seria muito bacana fazer um show aberto para as pessoas da cidade onde moro. Sabe que a minha chegada a Juiz de Fora trouxe muita felicidade, e eu não penso em ir embora tão cedo. Essa cidade me fez muito bem.

Uma das novidades da turnê é a participação do cantor Zé Ibarra, da Dônica. A banda sempre falou da influência do Clube da Esquina. Isso foi determinante para a escolha?
A história na verdade é a seguinte: conheço a Dônica desde praticamente o começo. Foi por causa do Tom Veloso, que foi quem me apresentou o resto da banda. Então, teve um dia em que eles me chamaram para ser o padrinho da banda. O que, para mim, foi uma honra, e a partir disso nós gravamos juntos e sempre que posso vou aos shows deles. Mas a ideia de chamar o Zé Ibarra foi do meu filho, Augusto, que é também o diretor artístico deste novo show. E, logo no primeiro ensaio que teve lá em casa com a banda, toda a gente viu que o lance ia dar muito certo.

O Clube da esquina 1 sofreu muito com a censura. Como é voltar a esse repertório precisamente no momento em que o Brasil experimenta a ameaça de retrocesso em vários setores, inclusive nos direitos humanos?
Olha, a coisa anda tão esquisita que eu nem sei...

Que lembranças você considera mais importantes durante o processo de confecção e gravação do Clube da esquina 1?
Tem uma história que eu até contei inteira lá no show em Juiz de Fora, que foi quando percebi que o Lô tinha crescido. A gente chegou num bar em BH, e eu pedi uma batida de limão para mim e ele pediu outra para ele. E eu achando que ele ainda bebia refrigerante. Saímos dali, encontramos Marcinho e fizemos Clube da esquina 1. Foi mágico.

Gostaria que você falasse sobre Primeiro de maio (1977), canção em parceria com Chico Buarque que não está no show, mas que remete à reorganização do movimento sindical no ABC paulista, na época sob a direção do então jovem sindicalista Lula. Acredita que ainda há como recuperar o Brasil daquela época?
Sempre tive vontade de fazer alguma coisa com o Chico, mas, por conta desse negócio de agenda e tal, nunca deu muito certo. E a coisa só foi acontecer mesmo por causa da Marieta Severo, que foi quem aproximou Chico e eu. Aí apareceram nossas primeiras canções, Cio da terra e Primeiro de Maio. Mas,  para ser sincero, tem uma coisa aí, esse lance que você falou de remeter “à reorganização do movimento sindical no ABC paulista”, não sei se foi bem dessa forma. Eu me lembro de que a parceria entre nós foi bem natural. Além disso, nós teríamos também que ouvir o Chico, que é o autor da letra, né?

AO VIVO
Confira o repertório do show


>> Tudo o que você podia ser
>> Nada será como antes
>> Clube da esquina 1
>> Cais
>> Nascente
>> Mistérios
>> Cravo e canela
>> Casamiento de negros
>> Um girassol da cor do seu cabelo
>> Os povos
>> Dos cruces
>> Para Lennon e McCartney
>> San Vicente
>> Estrelas
>> Clube da esquina 2
>> Nuvem cigana
>> Lilia
>> Paixão e fé
>> Um gosto de sol
>> Paisagem da janela
>> Maria, Maria
>> O que foi feito deverá
>> O trem azul
>> Francisco
>> Ponta de Areia
>> Paula e Bebeto
 
MILTON NASCIMENTO – TURNÊ CLUBE DA ESQUINA
Shows quinta (28) e sábado (30), às 21h, e domingo (31), às 19h, no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos esgotados.


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