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Helvécio Carlos


postado em 24/03/2019 05:07

(foto: Fotos: arquivo pessoal)
(foto: Fotos: arquivo pessoal)

 
“Uma certa diplomacia sempre é fundamental”

Zezé Amorim está de volta para mais uma de suas visitas rápidas a Belo Horizonte. O ponto alto da agenda é o encontro, amanhã, a partir das 18h, na Talento Joias, onde vai falar sobre Portugal real – Os desafios e as delícias de se viver além-mar. Há quatro anos, Zezé se mudou para Lisboa, mas não abandonou a capital mineira.

Na semana passada, na Livraria de Rua, na Savassi, Zezé lançou mais um número da revista Linguará, editada por ela, pela arquiteta Carla Paoliello, que também é de Belo Horizonte, e pela designer Priscilla Ballarin, de São Paulo. Elas se conheceram em Portugal. “Para nós três, brasileiras, a chegada e a identificação das diferenças e semelhanças da linguagem, as similaridades com outros países de língua portuguesa, a percepção exata da frase de Pessoa – ‘‘Minha pátria é a língua portuguesa’’ –, a questão do preconceito linguístico, tudo isso gerou a vontade de 
realizar um projeto que falasse e registrasse essa riqueza e encarasse as nossas feridas”.

Quinta-feira, Zezé lança a revista na livraria Blooks, em São Paulo, e depois volta para Lisboa. O retorno à capital mineira está previsto para junho, com o lançamento da letra C de Linguará.

Com a palavra
zezé amorim, 
empresária

Depois de criar uma carreira sólida em Belo Horizonte, na área de marketing, o que levou você a se mudar para Lisboa? 
Ainda durante minha atividade em marketing, por volta de 2008, comecei a participar do processo de reorganização da empresa familiar para administração de patrimônio imobiliário. Depois, passei a atuar de forma autônoma como consultora, atendendo clientes no Brasil e no exterior. Meu perfil de análise e planejamento foi e é fundamental para entender os mercados e dar suporte às decisões dos clientes. Portugal veio naturalmente há quatro anos, pela demanda de clientes, e por agregar nesse cenário a presença forte da literatura, uma paixão desde a infância.

Qual a expectativa que você tinha em relação a Lisboa e como foi a adaptação a ela? O que encontrou por lá? 
Esperava viver em um lugar pacífico e acolhedor, mas não tinha a dimensão da base desse cenário com desigualdade menor, urbanismo valorizado e um projeto mais claro de cidade. É muito importante nós, brasileiros, atentarmos para estas questões. Adaptar foi natural nesse ambiente que integra e abriga. Claro, há sempre pontos a melhorar, mas, de maneira geral, é também um país de imensa beleza, com grande potencial estratégico.

Desde o tempo em que você está morando por lá, o que chama a sua atenção, comparando-se com a vida no Brasil? 
Sem um instante de hesitação, a tranquilidade de andar pelas ruas em segurança é algo bastante destacável. A arquitetura e o urbanismo promovem esse estado das coisas e são também amigáveis e acolhedores. O grau de violência, desigualdade e opressão em que se vive no Brasil hoje é insalubre para todos. Nossos muros, grades, cercas, blindagens expressam uma divisão que só atrasa o país e não o resolve. Portugal também deve avançar mais nesta questão, mas nosso país ainda sente as feridas do período da colonização, que deve ser abordado e trabalhado para evoluirmos.

Amanhã, na Talento, você vai falar sobre os desafios e as delícias de se viver além-mar. Como se preparar para enfrentá-los, especialmente os desafios muito longe de casa? 
Portugal é um país acolhedor. De imediato, falar a mesma língua nos deixa em casa. Mas há as diferenças. É preciso ter a consciência de que se está em um país europeu, com cultura milenar, hábitos diferentes e uma certa diplomacia sempre é fundamental. Existem inúmeras atividades, cursos, programas que ajudam muito na adaptação. Além da receptividade portuguesa, muito semelhante à mineira, e a grande comunidade brasileira lá.

O brasileiro sempre fez piadinhas sobre os portugueses, que são gentis e sobretudo muito educados. Como você vê a relação do português com o brasileiro?
Estereótipos nunca retratam a realidade. As piadas, de ambas as partes, são por conta das diferenças, e todos temos nossos pontos a ironizar. O raciocínio é mais dedutivo, o deles é mais literal e aprendemos que errados, em muitos casos, somos nós ao formular perguntas vagas ou a entender colocações. Também, algumas vezes, somos rudes por não respeitarmos as regras e costumes do país. Os portugueses percebem isto, mas, no fundo, nos adoram com nosso jeito alegre e afetuoso.

Você tem seus cantinhos preferidos em Portugal? 
As águas, as gaivotas, as cores. Tudo se resolve e segue ao caminhar pelas ribeiras do Tejo ou do Douro. A vida cultural internacional, eclética, inclusiva é maravilhosa. E toda a riqueza gastronômica pode estar numa tasca da esquina, num bolo de chocolate ou num mercado.

Do que você mais sente falta em Portugal? O que faz seu coração apertar quando volta a BH e ao Brasil?
Água de co0co e abraço. Isso me faz muita falta. Coração aperta com família. A gente tem que conviver com a saudade todo o tempo.

Pensa em morar definitivamente em Portugal?
É uma excelente opção. Não penso nem que sim, nem que não. Ainda estou muito nova para maiores definições (risos).


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