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Novos concorrentes desafiam o domínio da Netflix

Ingresso no mercado de outras plataformas de streaming fará a atual gigante do setor perder parte de seu conteúdo ou gastar mais para mantê-lo


postado em 20/03/2019 05:06

Com o lançamento de sua própria plataforma, a Disney vai capitalizar a distribuição de produtos de sua marca, como os filmes da franquia Star wars
Com o lançamento de sua própria plataforma, a Disney vai capitalizar a distribuição de produtos de sua marca, como os filmes da franquia Star wars

Alguns dos grandes nomes da indústria do entretenimento e da tecnologia estão se preparando para mergulhar no serviço de vídeos sob demanda neste ano, o que poderia representar um grande desafio ao maior nome do setor de streaming, a Netflix.

É aguardado para a próxima segunda (25) o anúncio dos planos da Apple, com um provável orçamento de US$ 1 bilhão (R$ 3,7 bilhões) em produção e a participação de estrelas como a atriz Jennifer Aniston e o diretor J.J. Abrams. O grupo Disney já havia anunciado que lançará seu novo serviço Disney+ este ano, bem como a WarnerMedia, nova divisão de mídia e entretenimento da AT&T.

Os recém-chegados podem representar um grande desafio para a Netflix, que conta com cerca de 140 milhões de assinantes pagos em 190 países, e para outras plataformas, como Amazon e Hulu. “A indústria realmente vai mudar”, avalia Alan Wolk, cofundador da consultoria TVREV, que abrange o setor. Wolk estima que sete ou oito plataformas de streaming coexistirão no mercado, o que levará a uma “enorme concorrência pelos novos programas e pelos programas de sucesso”.

Os novos rivais chegam a um setor transformado pelo crescimento impressionante da Netflix e por um aumento da preferência dos consumidores pela televisão sob demanda transmitida em plataformas digitais. Apenas nos Estados Unidos, estima-se que 6 milhões de consumidores deixaram de assinar a TV a cabo desde 2012, enquanto os serviços sob demanda cresceram, segundo o Leichtman Research.

RIVAIS Mas, assim como a Netflix destabilizou a televisão tradicional, seus concorrentes pretendem abalar a Netflix. A gigante do streaming vai sofrer não apenas com novos rivais, mas também com a perda de conteúdo da Disney e da Time Warner. Essas empresas “têm grandes arquivos, logo, o custo de seu conteúdo é muito menor do que será para a Netflix, que precisará pagar por todo o seu conteúdo”, disse Laura Martin, analista da Needham & Co.

A WarnerMedia lançará neste ano um serviço que combina o conteúdo de seu canal premium HBO, que transmite Game of thrones, e do amplo arquivo de programas e filmes da Time Warner.

O serviço da Disney contará com seus filmes e programas de televisão, bem como o arquivo que está prestes a adquirir da 21st Century Fox, um negócio que deverá ser fechado nos próximos dias. Isso inclui as franquias de Star wars e de super-heróis da Marvel – atualmente no catálogo da Netflix – e o conteúdo televisivo da ABC.

A analista Alexia Quadrani, da JP Morgan, prevê que a Disney eventualmente vai alcançar a Netflix ou até superá-la, podendo alcançar 45 milhões de assinantes nos EUA e 115 milhões internacionais. Alan Wolk estima: “As pessoas assinarão um serviço para ver um programa e aí ficará fácil cancelar para ir para outro”.

Mas alguns analistas consideram que a Netflix não tem razões para entrar em pânico, ao menos por enquanto. “A Netflix entendeu esse negócio, sabe o que os consumidores querem”, afirma Dan Rayburn, analista em streaming da Frost & Sullivan. Contudo, Rayburn acredita que, com o tempo, os concorrentes possam se aproveitar de sua base de usuários e infraestrutura para eliminar a vantagem da Netflix. Ele avalia que qualquer empresa que queira desafiar a Netflix terá de ser “rápida e ágil”, e não está claro se os grupos mais tradicionais conseguem fazer isso.

“Os veículos tradicionais perderam sua oportunidade de competir com a Netflix (e outras plataformas tecnológicas), a não ser que estejam verdadeiramente dispostos a ir a fundo”, comenta Richard Greenfield, da BTIG Research, em estudo recente. Para ele, isso significa que deveriam parar de focar na audiência e controlar melhor seus conteúdos. (AFP)


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