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No batente, de novo


postado em 12/03/2019 05:05

 

Dias e dias dentro de casa, sem sair, me deram uma nova visão de como a ocupação doméstica pode ser uma canseira. Tinha me esquecido desses pequenos problemas do cotidiano, porque tinha comigo uma auxiliar que durante 35 anos comandou o funcionamento de tudo com a maior dedicação e honestidade. Falo de minha amiga Venina Viviana dos Santos, que foi embora no fim de fevereiro, levada por uma cirurgia de coração realizada pela competência do cardiologista Charles Simão, do Hospital Felício Rocho.

Quando soube do problema, falei com ele, que me informou que ela tinha que ser operada porque podia morrer de uma hora para outra se não fosse atendida. É claro que nós duas ficamos na maior aflição e, como o tratamento seria feito através do SUS, a paciência devia ser uma virtude extra. Ela foi ficando tão aflita que resolveu encerrar suas atividades em princípios de dezembro. Acertamos tudo e resolvi sua última preocupação, que seria a última prestação da casa que comprou em Santa Luzia e que me comprometi a acertar. Ação significativa, uma vez que assumi com prazer e agradecimento o pagamento da entrada do imóvel.

Ela ficou em minha casa durante todo esse tempo e era, com conhecimento de todos da família e até alguns amigos mais íntimos (Angela Gutierrez mandava presentes para ela no Natal e no aniversário),  a dona de minha casa. Sabia de tudo, guardava tudo, controlava tudo, tinha o endereço de todos os fornecedores com quem entrava em contato tão logo algum item fosse preciso. Durante todo esse tempo em que me ajudou, tirou de minhas costas essas pequenas encrencas domésticas, que são um pesadelo para quem se preocupa com o bom andamento da casa.

Dezembro passou e janeiro também, e ela foi ficando cada vez mais aflita, porque a situação não se resolvia. Até que, em fevereiro, combinou-se que ela seria internada em um posto de saúde, UPA, para, de lá, ser levada de ambulância para o Felício Rocho, onde ficaria na enfermaria até o dia da cirurgia. Como estava de férias, passava parte das tardes com ela e gostei muito do que vi. Os quartos comunitários da enfermaria, para duas ou mais internas, tinham um serviço perfeito. Televisão para passar o tempo, banheiro imaculado, refeições muito bem servidas, ambiente imaculado, atendimento constante. O problema cardíaco foi além do que Charles Simão esperava e ela morreu de hemorragia, não resistiu. Para minha tristeza, porque perdi uma pessoa da família, que, até a véspera de sua morte, combinávamos quando voltaria para minha casa.

Meu afastamento aqui da coluna começou com uma inesperada bronquite que me colocou de cama durante mais de 10 dias, e que mais tempo duraria se não fosse o atendimento imediato do craquíssimo Frederico Thadeu, o pneumologista que me atende com a maior segurança e rapidez. Mesmo assim, tossi 10 dias e noite sem parar, nunca me senti tão fraca e sem forças para fazer nada, apesar de todos os problemas de saúde que tive ao longo da vida. Não queria saber de nada, tampouco de comida, o que fazia meu estado físico ficar cada vez pior. Quando as férias chegaram, no início de fevereiro, não tive coragem de me afastar de casa, aquela mania antiga de sair do país, para aproveitar, foi definitivamente para o brejo.


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