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Estado de Minas

Dia Internacional da Mulher


postado em 10/03/2019 05:07



A vida é a sucessão de acontecimentos constante. O real é o que surge e se mostra causando surpresas, sustos, desordens, alegrias. O real é a eterna quebra de todos os ideais que cultivamos, teimando em controlar a realidade. O real é o ido, o que é, o que virá. Nada e ninguém podem prever ou controlar sua irrupção.  É indomável. Contraria invariavelmente. Não atende vontades.

Uma bandeira que há muito sustentamos e tentamos administrar sem conseguir resolver é a da opressão da mulher. O machismo é ainda muito arraigado. Entre homem e mulher, o amor é a-muro. Sempre complicado.

Já andamos muito para elevar à dignidade e modificar a posição da mulher na família, no casamento, como mãe, no mercado de trabalho. Não é uma luta de força, mas de sensibilidade, de inteligência e habilidade.

Nunca poderemos medir os bigodes ou disputar na força. A questão da mulher passa mais pelo seu posicionamento. Ela ousa desejar, descompletar, se assumir, admitir a falta, o novo, a diferença. A mulher estereotipada, a mulher-objeto, tanto quanto a Amélia, deixemos de ingenuidade, não cabem mais em nossos tempos.

Atualmente, a enorme onda de agressividade e tantos crimes contra a mulher assaltam nossa comunidade e nos levam a pensar que nem todos conseguem lidar bem com a diferença, com o que contraria, com a vontade do outro, com quem discorda. E o resultado disso é fazer calar na violência, machucar, exterminar.

A onda fascista e odiosa que mostrou explicitamente sua cara desde antes das últimas eleições no Brasil continua colhendo frutos da discórdia e a triste cena de ver mais uma mulher violentada. Este carnaval vem pela primeira vez fazer valer a lei contra o assédio.

E por que precisamos desta lei? Porque as mulheres eram atacadas, beliscadas, tocadas em suas partes íntimas sem seu consentimento, e não apenas por desconhecidos, mas muitas vezes por amigos, maridos de amigas e outros que ainda veem a mulher como objeto sexual. Respeito passa ao largo. Mas é carnaval... Vale tudo hein???

Os homens sempre mandaram em tudo, faziam as leis e posicionaram as mulheres como seres frágeis, que deveriam ficar sob proteção e tutela de pai e marido, sempre colaborando com a família sem dar muito palpite – às vezes, nem na educação dos filhos. Esta foi a realidade no passado da cultura e parece que perder este comando, este poder, não tem sido fácil para eles.

Até hoje muitos cidadãos, e não somente os jurássicos aculturados, pensam que a força bruta pode domar o desejo, pode subjugar, fazendo do outro objeto de uso e abuso. Esta cruel verdade vem à tona nas cenas a que assistimos atualmente na mídia. E sempre assim fizeram não apenas contra mulheres, mas contra negros, gays e tudo que difere da moral tradicionalista.

E não podemos esquecer as inúmeras vítimas da violência, depois de tanta luta pela liberdade, de tanto trabalho para ter direitos civis e igualdade sem alcançarmos uma vitória cabal. Ainda a desigualdade ronda a vida da mulher.

E muitas de nós também somos machistas por reproduzir valores equivocados na educação dos filhos e filhas. Ainda desejam garantir a masculinidade do filho e tornar princesa a menina, incentivando atitudes que desconsideram o respeito à mulher. Elas próprias ainda se oferecem como objeto exclusivamente sexual buscando um protetor e provedor.

Somos iguais em direitos civis, mas nem sempre tomamos posse das responsabilidades que acompanham estes direitos. A mulher precisa ainda percorrer um longo caminho para entender que não tem de cozinhar, lavar e cuidar sozinha do lar, como se isso fosse coisa de mulher. Ela trabalha uma jornada de oito horas fora de casa. Ela não é mais a rainha do lar. Precisa saber disso e agir como tal.

O problema é que as mulheres que assumem isto são passíveis de abandono e punição pelo machismo e agressividade, que ainda deseja ter em casa uma submissa, uma mãezinha, que cozinhe com amor e deixe tudo pronto para o conforto do doce lar... Que nem sempre é tão doce assim e, ao contrário, pode ser bem amargo.

Homens mais educados e esclarecidos se atualizaram e têm atitudes mais favoráveis, mas, entre muitos outros ainda, é como antes, e aquela que não acatar pode acabar muito machucada ou até morta. E não ouse falar.

Exemplo maior e sem elucidação foi o assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco, e evidentemente poderosas forças impedem as investigações. O Dia Internacional da Mulher é uma importante data para nos fazer pensar sobre tudo isto.


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