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Estado de Minas

CIRCULAÇÃO DE IDEIAS

Belo Horizonte é a primeira cidade a receber a itinerância da 33ª Bienal de São Paulo. A partir de hoje, todas as galerias do Palácio das Artes serão ocupadas com obras da mostra, que tem o tema Afinidades afetivas


postado em 09/03/2019 05:06

Sofia Borges, artista brasileira convidada a ser também uma das curadoras da Bienal 2018, tem sua obra exposta na galeria Genesco Murta
Sofia Borges, artista brasileira convidada a ser também uma das curadoras da Bienal 2018, tem sua obra exposta na galeria Genesco Murta


As afinidades eletivas, romance escrito pelo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) em 1809, acompanha a história do casal Eduard e Charlotte. Ao receber hóspedes em casa, os dois se apaixonam praticamente ao mesmo tempo pelos visitantes. O embate entre razão e paixão está no cerne da narrativa.

Já o jornalista Mário Pedrosa (1900-1981), um dos mais importantes críticos do Brasil, escreveu, em 1949, a tese Da natureza afetiva da forma na obra de arte. Foi a partir das ideias desenvolvidas pelos dois autores que nasceu Afinidades afetivas, conceito que norteou a 33ª Bienal de São Paulo, realizada entre setembro e dezembro de 2018.

Como vem ocorrendo na última década, Belo Horizonte recebe um recorte da exposição. Afinidades afetivas, primeira das sete itinerâncias da Bienal previstas para 2019, será aberta ao público neste sábado (9). A exposição, que reúne obras de 16 artistas, vai ocupar todos as galerias do Palácio das Artes e também o Cine Humberto Mauro – com uma sessão aos sábados. Na mostra estão trabalhos de Waltercio Caldas, Tamar Guimarães, Alejandro Corujeira, Roderick, Sofia Borges, Sara Ramo e Maria Laet, entre outros (confira quadro nesta página).

Curador responsável pelas itinerâncias, o italiano Jacopo Crivelli trabalhou sem perder de vista o conceito do curador-geral da Bienal, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, mas teve autonomia. “A ideia era não seguir de uma maneira literal o que foi apresentado (em São Paulo) e aplicar a ideia de Goethe, das afinidades eletivas que criam novas relações. Desta maneira, procurei pegar um conjunto de obras nas quais busquei relações que estavam implícitas na exposição principal. Tentei torná-las explícitas”, afirma Crivelli.

CONTRASTE


Ele exemplifica a maneira como fez sua curadoria referindo-se ao maior dos espaços expositivos do Palácio das Artes. A Grande Galeria Guignard vai receber trabalhos de Waltercio Caldas e de Alejandro Corujeira, entre outros. “(Esta galeria) Mostra a relação entre obras que são mais secas, mais geométricas, como as do Waltercio, com outras de formas mais livres. Esta primeira parte lida com este contraste entre trabalhos mais cerebrais e outros mais orgânicos”, comenta o curador.

Uma das novidades que a 33ª edição do maior evento de artes visuais do país trouxe foi o convite para que artistas se tornassem também curadores – eles próprios convidando outros artistas. Um desses artistas-curadores foi a brasileira Sofia Borges, que está presente no recorte mineiro. Seu trabalho poderá ser visto na Galeria Genesco Murta. A seu lado estão obras de Rafael Carneiro e Sara Ramo. “Não digo que foi replicado, mas este é o núcleo que está mais próximo do que foi apresentado na Bienal. Mas trato não como um núcleo, quase como uma obra”, diz Crivelli.

A Galeria Arlinda Corrêa Lima recebe obras de Maria Laet e Mark Dion. “São trabalhos que apontam diretamente para releituras da natureza. O do Mark Dion parte de uma pesquisa que realizou no Parque Ibirapuera”, explica o curador.

O Cine Humberto Mauro participa da exposição com um trabalho da mineira Tamar Guimarães. Aos sábados, às 15h, será exibido Ensaio, obra audiovisual filmada no pavilhão da Bienal que busca refletir sobre racismo e misoginia. O vídeo acompanha Isa, diretora negra convidada por uma instituição de arte contemporânea para sugerir um projeto, ao que ela responde propondo uma adaptação do romance Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis. O próprio curador-geral Gabriel Pérez-Barreiro é um dos integrantes do elenco.

Além de ser a primeira das cidades a receber a itinerância da Bienal, Belo Horizonte é ainda uma das que terão maior espaço expositivo. Durante a realização da mostra, professores do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart) vão oferecer palestras e visitas guiadas para o público.

Ao longo deste ano, a itinerância também irá a Campinas (SP), Vitória (ES), São José do Rio Preto (SP), Juiz de Fora (MG), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS). O recorte da mostra em Campinas terá início no dia 19. Vitória também recebe obras da Bienal este mês, a partir do dia 23.

Outra cidade que já tem data para receber a itinerância é São José do Rio Preto, onde a mostra especial da Bienal terá início em 27 de setembro. As datas das exposições em Juiz de Fora, Brasília e Porto Alegre ainda não estão confirmadas.

O público da 33ª Bienal em São Paulo foi de aproximadamente 730 mil visitantes, durante os quase três meses de exposição. Com as itinerâncias, esse número deve aumentar bastante. De acordo com a organização do evento, na 32ª Bienal, somente as itinerâncias, realizadas em 2017, somaram cerca de 650 mil espectadores.

AFINIDADES AFETIVAS

Itinerância da 33ª Bienal de São Paulo. Abertura neste sábado (9), no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Visitação de terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 16h às 21h. Visitas mediadas devem ser agendadas pelo e-mail agendamento.galerias@fcs.mg.gov.br. Até 2 de junho. Entrada franca.



Artistas e galerias


Grande Galeria
Alejandro Corujeira
Andrea Butner
Antonio Ballester
Ben Rivers
Bruno Dunley
Waltercio Caldas

PQNA Galeria
Bruno Moreschi

Galeria Arlinda Corrêa Lima
Maria Laet
Mark Dion

Galeria Mari’Stella Tristão
Roderick

Galeria Genesco Murta
Ana Prata
Rafael Carneiro
Sara Ramo
Sofia Borges
Wura Natasha

Cine Humberto Mauro
Tamar Guimarães (exibição aos sábados, às 15h)


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