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NEM PRÍNCIPE NEM PRINCESA

Estreia hoje a versão cinematográfica do best-seller infantojuvenil Cinderela pop, da mineira Paula Pimenta. Maisa Silva faz o papel da jovem DJ que não acredita no amor e investe em estudos e carreira


postado em 28/02/2019 05:04

Maisa Silva e Felipe Bragança interpretam o casal protagonista deste conto de fadas com trama atualizada para os dias atuais (foto: DISNEY/DIVULGAÇÃO)
Maisa Silva e Felipe Bragança interpretam o casal protagonista deste conto de fadas com trama atualizada para os dias atuais (foto: DISNEY/DIVULGAÇÃO)


Cinderela pop leva à telona uma nova versão, adolescente e moderna, do popular conto de fadas. Inspirado no livro homônimo de Paula Pimenta, o longa dirigido por Bruno Garotti estreia nesta quinta-feira (28). À frente do elenco, Maisa Silva interpreta Cintia Dorella, uma garota descolada que trabalha com música eletrônica e assume o nome artístico de DJ Cinderela.

A separação dos pais fez com que a protagonista crescesse sem qualquer ilusão amorosa. Ao contrário das colegas, Cíntia não idealiza o príncipe encantado e está mais preocupada com a bolsa de estudos em Londres. Ela rivaliza com as duas enteadas de seu pai, filhas da nova esposa, a vaidosa e maquiavélica Patrícia (Fernanda Paes Leme). Por acaso, Cíntia é escalada para tocar na festa de aniversário das meninas, antecedendo o show do astro teen Fredy Prince (Filipe Bragança).

O rapaz faz sucesso na internet com letras românticas, que refletem sua busca por um grande amor. Opostos, Cíntia e Fredy se cruzam na festa, e o encantamento do cantor pela jovem é imediato. Mas a mocinha está disfarçada – já que o pai não permite seu trabalho –, e deve abandonar as pick ups antes da meia-noite. Quando Fredy convida a DJ para subir ao seu palco, ela desaparece, deixando para trás um de seus sapatos, no camarim.

Como na clássica história, a Cinderela da vez enfrenta as maldades de sua madrasta, uma mulher fútil e mãe abusiva, que vive a criticar as filhas com o lema “a verdade dói, mas fortalece”. Junto às meninas, a vilã forma um trio de megeras que persegue a jovem heroína. Em contrapartida, Cíntia conta com a ajuda de sua tia Helena (Elisa Pinheiro), uma artista excêntrica, sempre declamando suas poesias concretas, que faz as vezes de fada madrinha.

ROMÂNTICA A filmografia do diretor Bruno Garotti registra outros títulos infantojuvenis, como Eu fico loko (2017) e Tudo por um popstar (2018). “Apesar de todos terem humor, Cinderela pop se encaixa no gênero romântico e de forma atual, trabalhando questões próprias dessa geração. Temos uma Cinderela que não acredita no amor e está focada nos estudos, no seu desenvolvimento profissional como DJ. O príncipe entra mais como um obstáculo, que atrapalha seu sonho”, afirma o diretor. “Além do público-alvo, os três projetos me atraíram por mostrar uma juventude própria desse momento”, diz o diretor.

Piadas com idas à academia e à terapia e diálogos sobre amor-próprio e valorização da mulher, aparentemente papos de adulto, surgem com frequência no longa. Se Cíntia torce o nariz para os rapazes, sua melhor amiga vive correndo atrás do crush do colégio. Para ajudá-la, surge a “empoderada” digital influencer Belinha (Giovanna Grigio). “Essa melhor amiga foi desenvolvida no filme para que espelhasse a Cíntia, como seu contraste. Enquanto a protagonista não quer saber de amor, a amiga constantemente se diminui na tentativa de conquistar o interesse de um garoto. É uma trama paralela que ajuda a definir a principal”, conta Garotti.

Para ele, Cíntia é um reflexo das adolescentes contemporâneas, que miram a independência em detrimento de romance. “Não gosto de nada que não seja real”, diz a personagem, que considera o amor uma ilusão. “É um fenômeno muito claro, hoje, e entra no filme naturalmente, por conta da atualização da história. Qualquer história contemporânea mostra garotas cientes dessa mudança de pensamento, em um momento em que tanto se fala de empoderamento, feminino e jovem”, comenta o diretor.

O antagonismo entre Cíntia e Patrícia, segundo ele, acentua a atualidade dessa abordagem. “A madrasta tem um pensamento retrógrado e não vê outra alternativa para ela e as filhas a não ser encontrar o casamento com um homem que possa lhes prover. Já Cíntia sabe que tem todos os poderes para chegar aonde quer.”

FIDELIDADE O diretor fala do cuidado ao adaptar o livro de Paula Pimenta para o cinema. “Tivemos a preocupação em manter uma fidelidade à história, que já tem uma base de fãs grande. Mas toda adaptação pede alguns ajustes. O livro é focado nos sentimentos da protagonista e se passa em sua mente. Nosso maior desafio foi achar soluções visuais para isso e desenvolver também os arcos dramáticos dos personagens secundários.”

Já nos minutos finais do filme, a fada madrinha de Cíntia diz à garota: “Poder você pode o que quiser. A questão é o que você quer”. Mesmo que Cinderela pop modernize a narrativa clássica, a mensagem “acredite nos seus sonhos” reforça os ideais presentes nos contos de fadas. “Essa é uma história milenar, que já teve versões dos Irmãos Grimm e de Perrault, e funciona de variadas formas, como em Uma linda mulher (Garry Marshall, 1990)”, cita o diretor.

“Paula (Pimenta, autora do livro) fez uma escolha muito acertada de colocar sua Cinderela pop como uma DJ, uma figura que pega músicas de sucesso do passado e dá a elas novas roupagens, trazendo-as para o presente. É o mesmo que a autora faz com o conto de fadas: um remix da história da Cinderela, a exemplo do tênis no lugar do sapatinho de cristal.”

CARNAVAL A estreia às vésperas do carnaval é uma aposta arriscada. Cinderela pop será a opção dos jovens que quiserem fugir da folia. “A programação de cinema é uma ciência, mas também um jogo. Tivemos tempo curto para a finalização e não podíamos segurar o lançamento, com o risco de que os temas esfriassem ou outro filme tratasse deles antes”, diz Garotti.


“Terminamos as gravações em julho de 2018 e pretendíamos lançar nas férias, por ser um filme para a família. Em épocas normais, só teríamos os fins de semana para lotar as salas. O carnaval não é uma data ruim, já que o feriadão funciona como uma espécie de miniférias para atrair a primeira leva do público às salas”, aposta Garotti.

 Paula (Pimenta, autora do livro) fez uma escolha muito acertada de colocar sua Cinderela pop como uma DJ, uma figura que pega músicas de sucesso do passado e dá a elas novas roupagens, trazendo-as para o presente. É o mesmo que a autora faz com o conto de fadas: um remix da história da Cinderela, a exemplo do tênis no lugar do sapatinho de cristal”

 Bruno Garotti, diretor


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