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Estado de Minas

Polêmicas disputarão os holofotes com o glamour na festa do Oscar

Racismo, homofobia, o muro de Donald Trump e perseguição a imigrantes dividirão espaço com as estrelas, neste domingo (24), no famoso tapete vermelho de Hollywood


postado em 24/02/2019 05:09

Com Roma, Alfonso Cuarón pode dar à plataforma de streaming Netflix seu primeiro (e polêmico) Oscar de melhor filme (foto: Robyn Beck/AFP)
Com Roma, Alfonso Cuarón pode dar à plataforma de streaming Netflix seu primeiro (e polêmico) Oscar de melhor filme (foto: Robyn Beck/AFP)


Nos últimos anos, o maior desfile de celebridades do mundo, com seu pomposo tapete vermelho e estatuetas entregues pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, tornou-se tão polêmico quanto glamouroso. Neste domingo (24), o Oscar chega à 91ª edição acompanhado de controvérsias e novidades. Definitivamente, deixou de ser uma simples premiação para rostos conhecidos.

Ao contrário dos últimos anos, a cerimônia, marcada para as 22h (horário de Brasília), não terá um apresentador principal. Os motivos disso renderam a primeira querela de 2019. Inicialmente convidado, o humorista Kevin Hart desistiu depois que vieram a público tuítes de teor homofóbico publicados por ele entre 2009 e 2011. Por meio de um comunicado, o comediante alegou que não queria ser “uma distração a mais numa noite que deveria ser celebrada por tantos artistas talentosos”. E pediu “sinceras desculpas” à comunidade LGBT por suas “palavras insensíveis do passado”.

Depois da polêmica, a Academia decidiu realizar a apresentação sem o tradicional mestre de cerimônias. A dinâmica de entrega dos prêmios sofreu alterações, criticadas por muitos envolvidos. Num primeiro momento, divulgou-se que o anúncio dos vencedores das categorias melhor fotografia, edição, curta-metragem, cabelo e maquiagem não seria transmitido ao vivo – a entrega desses prêmios ocorreria durante os intervalos comerciais.

A ideia desagradou a muitos cineastas – entre eles, Alfonso Cuarón, cujo filme, Roma, disputa 10 estatuetas neste domingo. “Na história do CINEMA, existiram obras-primas sem som, sem cor, sem história, sem atores e sem música. Nenhum único filme jamais existiu sem FOTOGRAFIA e sem montagem”, tuitou o mexicano.

As reclamações surtiram efeito. A Academia voltou atrás e manteve o modelo tradicional, com celebridades escaladas para apresentar as categorias e seus respectivos candidatos. Cuarón, aliás, pode ser chamado ao palco para receber a estatueta de melhor diretor, a mesma que ganhou por Gravidade, em 2014.

Além disso, Roma, seu ousado longa em preto e branco falado em espanhol, pode levar o Oscar de melhor filme e de filme em língua estrangeira. Se essa dobradinha ocorrer, será um feito histórico. Em 90 anos, outras 10 produções não faladas em inglês concorreram ao prêmio principal. As chances do mexicano são boas, pois ele já foi premiado no Bafta (Inglaterra), Festival de Veneza (Itália) e Critic’s Choice Awards (EUA).

NETFLIX

Roma só não ganhou mais troféus porque há festivais e premiações que não aceitam filmes exibidos exclusivamente em plataformas de streaming. É o caso de Cannes, que rejeitou o longa de Cuarón. Lançada diretamente na Netflix e com sessões em poucas salas comerciais apenas para cumprir o regulamento do Oscar, a produção mexicana pode ser a primeira “cria do streaming” a ganhar o Oscar de melhor filme.

Se isso ocorrer, certamente o debate sobre as novas formas de consumo audiovisual vai se acirrar, pois estúdios tradicionais atacam a participação em festivais de filmes que não foram exibidos em salas de cinema.

Premiar Cuarón e seu longa, rodado na capital mexicana com elenco local, terá forte peso político neste momento em que o presidente Donald Trump se empenha em erguer um muro na fronteira dos EUA com o México para conter os imigrantes. Desde o início do mandato do republicano, artistas usaram a cerimônia do Oscar, acompanhada em todo o mundo, para criticá-lo.

NEGROS

Discursos politizados não terão apenas sotaque hispânico. Motivo de polêmicas e até de boicotes em edições recentes, a representatividade dos negros voltará a ser destaque na festa do Oscar. Concorrente na categoria de melhor diretor, Spike Lee virou as costas à cerimônia, há três anos, durante a campanha #OscarsSoWhite, ao criticar a ausência de indicações de afro-americanos pela Academia de Hollywood. Vencedor do Oscar honorário em 2015, só agora Lee disputa a estatueta de melhor diretor, apesar de sua aclamada obra.

Lee dirige Infiltrado na Klan, história real do policial negro que se infiltrou na organização racista Klu Klux Klan, nos anos 1970, em parceria com um colega branco. O roteiro traz duras críticas ao preconceito racial nos EUA neste século 21. O longa concorrem em cinco categorias, incluindo melhor filme.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Spike Lee defendeu a importância da campanha de três anos atrás: “É sempre bom lembrar quem vota nas premiações. Os membros da Academia, hoje, são muito mais diversos do que naquela época. O #OscarsSoWhite, certamente, ajudou. Por isso, acho, as pessoas negras estão ganhando agora o reconhecimento que não tiveram no passado.”

Prova de que Spike Lee está certo é Pantera Negra e suas sete indicações. Estrelada por Chadwick Boseman, a superprodução da Marvel tem elenco formado quase totalmente por negros, entre eles Michael B. Jordan e Lupita Nyong’o, além do diretor Ryan Coogler.

A história de Wakanda, fictícia nação africana ultradesenvolvida tecnologicamente, pode se tornar o primeiro filme de super-herói a levar o Oscar principal. A própria indicação foi inédita para o gênero, que costuma ser arrebatador nas bilheterias, mas tímido nas premiações de destaque. Com orçamento de US$ 200 milhões, Pantera Negra faturou US$ 1,3 bilhão. Roma e Infiltrado na Klan custaram cerca de US$ 15 milhões.

Por outro lado, o bem-humorado road movie Green book: O guia, apesar de levar o Globo de Ouro na categoria filme cômico/musical, está na contramão da representatividade, conforme alguns críticos. Dirigido por Peter Farrelly, o longa mostra a aventura do segurança branco Toni Vallelonga, contratado como motorista do músico negro Don Shirley ao longo de uma turnê pelo Sul dos EUA, nos anos 1960, em meio a violenta segregação racial.

Os dois eram amigos, mas o fato de a trama, no contexto de fortes tensões raciais, ter como protagonista um branco “protetor” de um negro desagradou até à família de Shirley, que qualificou o filme como “sinfonia de mentiras”.

Indicado ao Oscar de melhor ator pelo papel do motorista, Viggo Mortensen defendeu o filme. Já Mahershala Ali, que disputa o prêmio de ator coadjuvante por seu trabalho como Shirley, ligou para os familiares do músico para se desculpar e esclarecer incômodos.

NA TV

A partir das 22h deste domingo (24), a cerimônia do Oscar será transmitida pelo canal pago TNT. Às 21h, o público poderá conferir o desfile de convidados no tapete vermelho. Às 19h, o E! começa a mostrar a recepção às celebridades. Na TV aberta, a Globo exibirá a festa ao vivo, já com alguns prêmios entregues, assim que acabar o BBB 19. A apresentação ficará a cargo de Maria Beltrão e dos comentaristas Artur Xexéo e Dira Paes. Na internet, assinantes do TNT poderão acompanhar a cerimônia no streaming do canal, o TNT GO. Outra opção é o próprio site do Oscar.



Freddie Mercury e seus amores

Bohemian rhapsody, a cinebiografia da banda Queen, é alvo de outra polêmica. Com cinco indicações ao Oscar, o longa venceu o Globo de Ouro nas categorias melhor drama e melhor ator (Rami Malek). Porém, a forma como abordou a sexualidade do cantor Freddie Mercury desagradou a grupos LGBT. Eles acusam o roteiro de dar mais espaço ao romance do astro do rock com Mary Austin do que a seu relacionamento com Jim Hutton, com quem ficou até morrer de Aids.

Polêmicas à parte, o Queen vai animar a festa. O vocalista Adam Lambert, “substituto” de Mercury, acompanhará Brian May e Roger Taylor, integrantes da formação original. As apresentações musicais incluem Lady Gaga e Bradley Cooper interpretando Shallow, tema de Nasce uma estrela, muito cotado para o Oscar de canção original.

Dirigido por Cooper, esse remake fecha a lista de indicados a melhor filme ao lado de Vice e de A favorita, cujo trio de protagonistas disputará as estatuetas de atriz principal (Olivia Colman) e coadjuvante (Emma Stone e Rachel Weisz).

NA DISPUTA

FILME

Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian rhapsody
A favorita
Green Book – O guia
Roma
Nasce uma estrela
Vice

ATOR

Bradley Cooper (Nasce uma estrela)
Willem Dafoe (No portal da eternidade)
Rami Malek (Bohemian rhapsody)
Christian Bale (Vice)
Viggo Mortensen (Green Book – O guia)

ATRIZ

Glenn Close (A esposa)
Lady Gaga (Nasce uma estrela)
Melissa McCarthy (Poderia me perdoar?)
Olivia Colman (A favorita)
Yalitza Aparicio (Roma)

ATOR COADJUVANTE

Mahershala Ali (Green Book – O guia)
Adam Driver (Infiltrado na Klan)
Richard E. Grant (Poderia me perdoar?)
Sam Rockwell (Vice)
Sam Elliott (Nasce uma estrela)
ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (Vice)
Regina King (Se a Rua Beale falasse)
Emma Stone (A favorita)
Rachel Weisz (A favorita)
Marina de Tavira (Roma)

DIRETOR

Alfonso Cuarón (Roma)
Spike Lee (Infiltrado na Klan)
Adam McKay (Vice)
Pawel Pawlikowski (Guerra fria)
Yorgos Lanthimos (A favorita)

FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Cafarnaum (Líbano)
Never look away (Alemanha)
Roma (México)
Assunto de família (Japão)
Guerra fria (Polônia)


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