Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

'A mula' conta história de agente do tráfico de 90 anos de idade

Dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, longa que estreia nesta quinta (14) se baseia na história de um veterano da Segunda Guerra Mundial que passou a transportar drogas para o cartel de Sinaloa


postado em 14/02/2019 05:05

Dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, A mula se baseia na história de um veterano da 2ª Guerra que, aos 90 anos, passa a transportar drogas (foto: WARNER/DIVULGAÇÃO)
Dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, A mula se baseia na história de um veterano da 2ª Guerra que, aos 90 anos, passa a transportar drogas (foto: WARNER/DIVULGAÇÃO)


No clássico Por um punhado de dólares (1964), de Sergio Leone, o pistoleiro vivido por Clint Eastwood chega ao conflituoso condado de San Miguel montando uma mula. Em um das cenas mais emblemáticas, bandoleiros locais atiram nas patas do bicho, que foge, assustado, deixando-o a pé. Ele ordena que os atiradores se desculpem e, diante da negativa debochada, o então jovem galã do faroeste executa os quatro homens com rápidos disparos. Cinquenta e cinco anos depois, aos 88 de idade, Eastwood lança A mula, que ele dirige e protagoniza. O longa estreia nesta quinta (14) em Belo Horizonte. Desta vez, no entanto, o animal é uma figura de linguagem.

No vocabulário do narcotráfico, “mula” é o contratado para transportar cargas do produto. A mula do título é interpretada pelo próprio Eastwood, numa história baseada em fatos reais. O roteiro de Nick Schenk, que assina também Gran Torino (2008), partiu da reportagem “A mula de drogas de 90 anos do cartel de Sinaloa”, publicada em 2014 pelo jornalista Sam Dolnick no New York Times.

Embora se chame Earl Stone no filme, o personagem ecoa a trajetória de Leo Sharp. Veterano da Segunda Guerra Mundial, ele tem uma vida pacata como horticultor no estado de Illinois. Está “quebrado” financeiramente e renegado pela família, que nunca foi sua prioridade. Velho, solitário, mas bom conhecedor das rodovias norte-americanas e disposto a provar a si mesmo e aos parentes algum valor, ele aceita a arriscada oferta de trabalho de levar volumes cada vez maiores de cocaína da fronteira com o México até o Norte do país.

Em seu caminho, surge o agente Colin Bates, do Departamento de Narcóticos. O papel é de Bradley Cooper, que Eastwood já dirigira em Sniper americano (2014), outro drama inspirado em fatos reais. Muito pressionado por superiores (Laurence Fishburne vive um deles) quanto a resultados, prisões e apreensões, ele se dedica incansavelmente a rastrear as movimentações do cartel. Este, por sua vez, funciona em uma rotina de truculência e ameaças, enquadrando também o dócil  contraventor protagonista.

ENVELHECIMENTO

Classificado pelo próprio ator e diretor como “algo diferente de tudo que já fez”, em um depoimento para vídeo promocional divulgado pela Warner, Clint usa a inesperada história de Leo Sharp para falar sobre envelhecimento. Nessa sua primeira atuação desde Curvas da vida (2012), seu personagem faz um senhor boa-praça, que não entende as novas tecnologias, critica a dependência dos mais jovens em relação aos telefones celulares e apresenta vícios em antigos termos preconceituosos contra minorias sociais. Ainda assim, mostra disposição e vitalidade para se divertir às custas do controverso “trabalho”. O bom dinheiro que ganha ele usa para ajudar na graduação da neta, única de sua família que ainda o quer bem.

A boa forma para dirigir e atuar aos 88 anos desse que é um dos artistas mais admirados do cinema norte-americano impressiona. Embora todos os traficantes da história, exceto o protagonista, sejam mexicanos e caracterizados dentro de um estereótipo tão batido em Hollywood quanto problemático por sua representatividade nos dias atuais – sobretudo para alguém ligado ao Partido Republicano na era de Donald Trump, como é o caso de Eastwood –, A mula tem sido um sucesso. A crítica americana tem sido acolhedora. A Variety, por exemplo, classificou o filme como “uma história engraçada de um velhote casualmente racista, um personagem problemático que o diretor Clint Eastwood sabe exatamente como tornar encantador”.

Lançado nos EUA em 14 de dezembro, foi a quinta maior bilheteria daquele mês, arrecadando US$ 102 milhões. O resultado é o quarto maior entre todos os filmes que Eastwood dirigiu e o segundo maior para um em que atuou, ao longo de sua longeva carreira, iniciada ainda nos anos 1950.


Publicidade