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Estado de Minas

Helvécio Carlos


postado em 03/02/2019 05:04

(foto: acervo pessoal)
(foto: acervo pessoal)

“Os norte-americanos apreciam muito a qualidade e o design do nosso produto”

A notícia de fechamento do Hogar, a loja de referência de decoração em Belo Horizonte, publicada quarta-feira nesta coluna, pegou todo mundo de surpresa. Mas, ao contrário de tantas outras, a Hogar encerra as atividades com vida saudável. A decisão da empresária Taciana Mascarenhas foi pela dificuldade em manter a loja no Ponteio e a Oca, inaugurada há um ano e meio em Jacksonville, na Flórida. Taciana e o marido, Márcio Prates Paulino, moram lá há sete anos e não pensam em voltar para o Brasil


“Viemos para Ponte Vedra Beach porque Henrique veio estudar numa escola em Jacksonville. Queria ficar em um lugar com cara do Brasil, um lugar de clima quente (apesar de hoje, quinta-feira, fazerem dois graus), mas com cara de Estados Unidos”, conta Taciana. “Não conhecíamos ninguém quando mudamos pra cá, mas a escola nos acolheu muito bem e nos apresentou muitos pais na vizinhança”, revela ela, lembrando que, depois de algum tempo, conheceram Fabio Mechetti, maestro da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, e a mulher dele, Aida Mechetti, vizinhos de condomínio e hoje grandes amigos. “Temos um ótimo ciclo de amizades, mas a grande maioria é americana.”

Sobre os filhos, Taciana conta com orgulho que Henrique, de 23 anos, trabalha na Price Waterhouse Coopers Consulting e mora na Carolina do Sul, “completamente adaptado e muito bem encaminhado profissionalmente”. Mariana, de 22, forma-se em economia, em junho, na Saint Andrews, na Escócia, e na Willian and Mary, na Virginia.
“Ela fez um honours program nas duas universidades.” Taciana e Márcio estão, como ela diz, “superfelizes, adaptados e trabalhando juntos na nova loja”.


COM A PALAVRA
TACIANA MASCARENHAS PAULINO, empresária


Como foi abrir a loja Hogar aos 23 anos naquela época em que pouco se falava sobre empreendedorismo?
Comecei depois de uma viagem com minhas irmãs para Nova York, de onde importávamos tecidos para a Barbara Bela, loja da minha mãe. Lá, fomos a um prédio cheio de fornecedores de produtos para casa. Fizemos pedidos sem saber o que iríamos fazer com aquilo tudo. Chegando a Belo Horizonte, resolvemos construir ao lado da Barbara Bela, na Rua Antônio de Albuquerque. A loja ficou linda e foi sucesso imediato.

Qual influência de sua mãe, Helen Carvalho, em seu trabalho?
Minha mãe, muito empreendedora, nos ajudou demais e sempre nos incentivou. Como cresci vendo ela trabalhar, nem percebi que era tão nova e já estava começando uma empresa. Minhas irmãs (Georgiana e Estefânia), sócias na época, eram mais novas ainda. Lembro de uma viagem da Georgiana, que, aos 18 anos, foi sozinha para uma feira no México.

De que você sente saudades no trabalho na Hogar?

As viagens para lugares exóticos são uma parte muito feliz do negócio. Depois de uma feira na Europa, por exemplo, eu seguia para algum país diferente a cada ano. Marrocos, China, Tunísia, Tailândia, Índia, Butão e muitos outros. Assim, a loja sempre tinha produtos diferenciados e únicos!

O que a motivou a abrir a loja na Flórida? Quais as facilidades em abrir uma loja aí, comparando com o Brasil?

Há sete anos resolvemos mudar para a Flórida para dar uma oportunidade melhor para nossos filhos (Henrique e Mariana). Não sabíamos se iríamos nos adaptar, mas estamos amando a vida aqui e não temos intenção de voltar para o Brasil. No início, não tinha green card e não podia trabalhar, então decorava as casas de amigas só por diversão, mas era muito difícil achar mobiliário moderno e de bom gosto aqui no Norte da Flórida. Assim, eu e Márcio começamos um business plan e demoramos mais ou menos dois anos para concretizar a abertura da loja.

Qual a diferença entre o consumidor brasileiro e o comprador norte-americano?
O consumidor americano é mais exigente e mais preocupado com preço que o brasileiro. Mas a venda aqui é mais rápida, o giro é maior. É muito mais fácil gerir uma empresa aqui, onde há menos burocracia e muito menos impostos. Quando chegou o primeiro contêiner do Brasil, fiquei surpresa quando a mercadoria foi desembaraçada em um dia e não tive que pagar impostos! No Brasil, tudo é muito burocrático e demorado, além de pagarmos quase 100% de impostos e taxas para a mercadoria entrar na loja antes de vender uma peça sequer. É uma tristeza. Aqui, tudo é pago à vista e o cartão deposita a venda na conta no dia seguinte.

Por muitos anos, você fez ponte entre designers estrangeiros e o público de Belo Horizonte. Você pretende propor essa ponte entre os artistas brasileiros (os mineiros especialmente) com o público norte-americano?

Estamos trazendo para a Flórida alguns designers brasileiros – Regina Medeiros, Jackeline Terpins e Elisa Bravin. Os norte-americanos apreciam muito a qualidade e o design do nosso produto.


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