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Estado de Minas

Saia para homens no verão

Atualmente,os metrossexuais são maioria


postado em 28/01/2019 05:11

 

 

 

Sexta-feira, escrevi neste espaço sobre os excessos de cuidados rotineiros que cabem à mulher, o que, às vezes, é muito desgastante. Cheguei a compará-los à “vida mansa” masculina nesse quesito, uma vez que aos homens cabe apenas o cuidado diário com a barba.


Tenho que me redimir. Escrevi o artigo na quarta-feira pela manhã – temos de adiantar algumas coisas para dar tempo de fazer todo o trabalho que o jornal demanda. Logo depois de entregar o material, estava tomando um cafezinho com colegas de trabalho, sofrendo com o forte calor sobre Belo Horizonte, e um deles disse: “Me dá uma saia de presente?”. É claro que olhei pra ele assustada, pois se trata de um rapaz hétero, casado, e bem formal na maneira de se vestir.


Perguntei o que ele tinha dito, pois achei não ter entendido sua fala. Não era engano, o meu colega quer usar saia. “Por que mulher pode e a gente não? Está um calor enorme, temos que sofrer com calças compridas”, argumentou. O outro aprovou na hora. Enfim, descobri algo sofrido para os homens: trabalhar no verão, enfrentando o calor com camisa social e calça.
Os dois desataram a elencar as facilidades das mulheres – e eu, só me me lembrando da coluna que acabara de escrever. “Vocês podem usar saia, blusa de alcinha, vestido, aquelas calças curtas (não sabem dizer pantacourts). Se usarmos camiseta regata, mandam a gente voltar pra casa.”


Realmente, os homens penam no verão. Há uma grande diferença entre a mulher e o homem mostrar os braços. No ambiente de trabalho, é inconcebível um rapaz usando regata. Camiseta de manga, tudo bem, mas regata... Jamais. Aí, começaram a questionar se ficaria muito esquisito virem trabalhar de saia. O argumento principal foi a ideologia de gênero. Se hoje cada um pode ser o que quiser, é possível usar o que quiser e ninguém pode falar nada. Acabaram chegando à conclusão de que as pessoas olhariam de forma muito esquisita.


Meus colegas se lembraram dos escoceses e de suas saias kilt. Pronto, problema resolvido. Usariam kilt, que é de homem. Lembrei a eles um pequeno detalhe desagradável: kilt é de lã. E completei: “O mais difícil será aguentar o coturno que se usa com essas saias”. Começou outra novela. Os dois passaram a devanear sobre como adaptar o modelito a um país tropical. Fariam a saia xadrez, mas com tecidos leves, e pediram sugestões: linho, viscose, algodão, malha fria, liganete, jersey... E o coturno? Pensaram um tempo. Depois de várias ideias inadequadas, um soltou a pérola: “Sandália gladiador! É a versão perfeita do coturno para o verão”. Rimos muito.


Não me contive e contei sobre o artigo que acabara de escrever. Um deles, mais do que depressa, me interrompeu para dizer que eu estava completamente equivocada. E ainda tripudiou, dizendo que ou eu estava andando com o homem errado ou estou sozinha há muito tempo. “Os homens de hoje se cuidam muito bem”, argumentou. Ele, por exemplo, depila a área entre as sobrancelhas e algumas partes do corpo, pois não gosta do excesso de pelos. Também apara as axilas.
Tenho de dar a mão à palmatória e reconhecer: atualmente, os metrossexuais são a maioria. E é uma grande falácia tachá-los de gays. Hoje, os homens se cuidam tanto quanto as mulheres, no que fazem muito bem. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

 

 


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