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Tudo em voz e violão

Expoente da nova geração de compositores, César Lacerda se inspira em João Gilberto no show para mostrar canções de seu quarto álbum e exaltar a diversidade da música brasileira


postado em 26/01/2019 05:11

Cantor e compositor de Diamantina faz releituras de artistas tão distintos quanto Lady Gaga e Caetano Veloso(foto: Júlia Assis/Divulgação)
Cantor e compositor de Diamantina faz releituras de artistas tão distintos quanto Lady Gaga e Caetano Veloso (foto: Júlia Assis/Divulgação)
O compositor e músico diamantinense César Lacerda apresenta o quarto álbum, Tudo tudo tudo tudo, em show com título homônimo, neste sábado (26), no Memorial Minas Gerais Vale. Ele mescla no repertório músicas autorais e interpretações de canções de espectro amplo, de Caetano Veloso a Só pra Contrariar, de Angela Ro Ro, passando por Rita Lee até Lady Gaga. “O show nasce do disco, em que faço o movimento de levar a canção para o universo mais popular, mais pop”, afirma. Com voz e violão, César tem como referência João Gilberto para criar um momento intimista e ambientação “joãogilbertiana”.

A ideia de interpretar canções pop surgiu quando César fez uma versão para Me adora, sucesso da cantora Pitty, que entrou no repertório do álbum. “Quando pensei no show, queria cantar músicas que são minhas, mas mantendo a lógica de interpretar outros artistas”, diz. O nome do álbum nasce da canção Isso também vai passar. “Procuro refletir, nessa canção, o tempo e a vida. Essa dimensão misteriosa de que tudo passa”, afirma. O título também casa com o desejo de trazer para o repertório a diversidade da música brasileira. “É um grito de protesto. Uma luta real e verdadeira por essa diversidade. Tudo caberia num show, num disco e num país”, completa.

A defesa pela multiplicidade e pela acolhida de diversos gêneros e estilos na música brasileira não é movimento de hoje, conforme lembra César. “A diversidade é uma questão processada desde o auge da MPB. A Tropicália já colocava Roberto e Tom Jobim numa mesma dimensão. Mas, com a caminhada musical e política do Brasil, o atrito está cada vez mais presente”, afirma.

Lacerda acredita que muitas vezes, ainda há categorização da qualidade dos gêneros, que, em muitos casos, reflete outras desigualdades do país. “A tentativa é colocar em evidência o maior problema do Brasil: a desigualdade. A música dos mais pobres, dos que estão mais distantes do litoral, é vista como inferior. A ideia de inferioridade nasce da inferioridade econômica”, critica o músico.

A tarefa de produzir um show de voz e violão não é fácil, mas César cria dramaturgia para apresentar as canções. “Show tão íntimo é difícil de executar de forma tão potente como fazia João Gilberto. Busco a interpretação para chegar no mais profundo da letra”, diz. Uma estratégia é estabelecer diálogos entre as canções, seguindo “lógica de dramaturgia quase que de teatro”.

A apresentação em Belo Horizonte é parte da turnê iniciada no final de 2018, que seguirá para cidades do Nordeste, Portugal e alguns países da África. No disco Tudo tudo tudo tudo, além da regravação da canção Me adora, tem a participação de Maria Gadú na canção Quando alguém, de autoria do próprio artista.

TUDO TUDO TUDO TUDO
Show de César Lacerda. Hoje, às 15h. Memorial Minas Gerais Vale. Praça da Liberdade, 640, Funcionários. Entrada franca (sujeita à lotação).


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