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Futuro do presente

Mostra de Tiradentes vai exibir 108 filmes até dia 26. Produções autorais abordam temas ligados ao corpo, aos índios e à política, entre outras inquietações do Brasil contemporâneo


postado em 18/01/2019 05:04

Dirigido por Sérgio de Carvalho, Empate volta a Xapuri 30 anos depois da execução do líder seringueiro Chico Mendes(foto: Talita Oliveira/divulgação)
Dirigido por Sérgio de Carvalho, Empate volta a Xapuri 30 anos depois da execução do líder seringueiro Chico Mendes (foto: Talita Oliveira/divulgação)

Corpos adiante é o tema da 22ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, que tem início nesta sexta-feira (18), na cidade histórica mineira. “Um corpo, pensando numa transição, nos dá a ideia de futuro. Sobretudo agora, quando o futuro está muito nebuloso, ele precisa ser conquistado. Dentro desse contexto, partimos da premissa de que o cinema vai continuar forte, que há um futuro para ele”, afirma Cléber Eduardo, coordenador da curadoria do evento.

Até sábado (26), Tiradentes recebe extensa programação cinematográfica (108 filmes), além de atividades paralelas (oficinas, performances, shows, lançamentos de livros e debates). O tema da mostra sinaliza uma seleção que dialoga com outras artes, o que se comprova na escolha de Grace Passô como homenageada desta edição. “É uma filmografia muito pequena (três longas lançados e um inédito) de uma atriz muito grande. Com essa escolha, estamos apostando em sua sedimentação no cinema”, acrescenta Cléber Eduardo.

A homenagem à atriz e dramaturga mineira terá várias apresentações no fim de semana (veja nesta página). Além disso, em seus primeiros dias, a mostra destacará documentários e filmes de ficção que colocam o tema por vezes como questão central, noutras com olhar periférico. “A seleção não obedece, em sua totalidade, à orientação temática, mas a questão fica pairando no ar”, acrescenta o curador.

Os 30 longas e médias-metragens foram divididos em sete seções, três delas competitivas: Aurora (a principal, destinada a novos realizadores), Olhos livres e Corpos adiante. Serão exibidos 78 curtas – os da mostra Foco estão em competição.

A partir de sua segunda década, quando Cléber Eduardo assumiu a curadoria (hoje realizada por um grupo de profissionais de cinema, essa deve ser a última coordenada por ele), Tiradentes consolidou sua personalidade, que enfatiza o cinema autoral de jovens realizadores. Tanto que a seleção se dá, exclusivamente, a partir de inscrições – este ano, foram 187 longas e mais de 800 curtas.

TRANS Ainda que a questão do corpo paire sobre parte da seleção, há outros temas recorrentes. “A política aparece de forma mais expandida. Nos últimos anos, notamos uma produção que trata das questões indígena, racial e LGBT. O universo trans está aparecendo com mais força”, explica Cléber Eduardo.

Dois longas da mostra Corpos adiante tratam desses temas. Ilha, atração de sábado no Cine-Tenda, lida com a representatividade dos negros nas narrativas audiovisuais. Na história, ator sequestra diretor para que ele o coloque em seu filme. Destaque de domingo, Inferninho, ficção realizada em um único ambiente, traz um personagem trans, ainda que não seja esse o tema central da trama.

CHICO MENDES  As sessões do Cine Praça serão, em sua maior parte, destinadas a documentários – isso porque as exibições exigem filmes com classificação etária livre. A produção acreana Empate, de Sérgio de Carvalho, terá sua première em Tiradentes – o filme será exibido na noite de sábado (19).

Em seu primeiro longa, Carvalho recupera a trajetória do líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988), 30 anos depois de seu assassinato em Xapuri, no Acre. “Queria ser iconoclasta, sair da imagem do herói, encontrar as contradições. Ao entrar em contato com as pessoas que estiveram junto do Chico em sua luta, vi a força que ele teve. Quando os companheiros começam a falar dele, a expressão muda. A imagem é a mesma e permanece muito forte”, diz o cineasta.

Empate se concentra em cinco pessoas fundamentais na luta dos seringueiros, entre eles um primo de Chico Mendes e o advogado à frente de processos jurídicos relativos à luta pela terra. No retorno a Xapuri três décadas depois da morte do ativista, a situação é muito próxima à de 1988, diz Carvalho. “Os conflitos pela terra começaram a voltar, dezenas de famílias de posseiros estão sofrendo processos judiciais.” Durante as filmagens, inclusive, ele testemunhou uma tática de pressão comum na região: casas de seringueiros foram incendiadas. “A situação retrocedeu muito”, conclui o realizador.




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