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Estado de Minas

Energia de Elis revisitada

Mineira Andreia Horta, que interpretou a cantora gaúcha no cinema, grava novas cenas como Pimentinha para minissérie global. Atriz destaca ao EM desafio de unir interpretações


postado em 08/01/2019 05:05

Andreia Horta em Elis %u2013 Viver é melhor que sonhar: %u201CPara o filme, tive que construir uma Elis. Agora, tive que encostar naquela Elis que construí%u201D (foto: Globo/DivulgaÇÃO)
Andreia Horta em Elis %u2013 Viver é melhor que sonhar: %u201CPara o filme, tive que construir uma Elis. Agora, tive que encostar naquela Elis que construí%u201D (foto: Globo/DivulgaÇÃO)


Em 2015, Andreia Horta enfrentou grande desafio: protagonizar a cinebiografia de um dos maiores nomes da cultura brasileira, Elis Regina (1945-1982). A atuação no longa Elis, dirigido por Hugo Prata e lançado em 2016, lhe rendeu o aplauso da crítica e os prêmios de melhor atriz no Festival de Gramado e pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Quando convidada para reviver a Pimentinha em adaptação do filme para a TV, a mineira de Juiz de Fora lembra ter tido breve resistência. “Mas o prazer foi muito maior que o receio”, conta Andreia, em entrevista ao Estado de Minas.

O trabalho pode ser conferido a partir desta terça-feira (8), com a estreia de Elis – Viver é melhor que sonhar, na Globo. Em quatro capítulos, a produção reúne cenas do filme e novas gravações rodadas no ano passado. A narrativa passa a ser conduzida por uma entrevista ficcional, mesclada por depoimentos reais de Elis. O roteiro do filme, assinado por Hugo Prata, Luiz Bolognesi e Vera Egito, ganhou o reforço de George Moura.

Andreia conta ter voltado aos intensos ensaios para trabalhar novamente postura e voz. “Fui atuar já depurada. Meu corpo e meu espírito estavam decantados pela energia da Elis Regina. Não era a primeira vez que aquela força passava por mim. Foi como revisitar as palavras, o pensamento, o corpo da personagem. O meu corpo já intuía como dançar”, revela Andreia.

Apesar da experiência, as novas filmagens também requisitaram árduo trabalho. “Para o filme, tive que construir uma Elis. Agora, tive que encostar naquela Elis que construí. Minha interpretação na série precisava fazer sentido com a do filme. Foi um outro desafio entregar uma representação da Elis e uma representação da minha própria atuação de três anos atrás.”

ENTREVISTAS

Tanto para compôr sua personagem, em 2015, quanto para retomá-la, em 2018, Andreia recorreu aos depoimentos concedidos por Elis Regina à imprensa. No exterior, em episódio tão polêmico quanto histórico, a artista chamou de “gorilas” os militares que tomaram o poder no Brasil em 1964. Recentemente, em plena era digital, falas da cantora sobre temas atuais – como o aborto – se tornaram virais. Sua participação no programa Jogo da verdade – exibidoa pela TV Cultura duas semanas antes de sua morte, em janeiro de 1982 –, já foi visto mais de 1 milhão de vezes no YouTube.

“As entrevistas são fontes inesgotáveis para aprender como ela falava, pensava e formulava suas ideias. Os vídeos foram essenciais para construir a fala da Elis e principalmente seu tempo de pensamento. Quando fala, Elis é senhora do próprio tempo: parece que já pensou tudo aquilo, da mesma forma com que toma para ela todo o tempo do mundo”, define a atriz.

“O que mais mudou fui eu”, diverte-se Andreia, quando questionada sobre as diferenças entre as filmagens, separadas por um hiato de três anos. “Mudou justamente minha relação no tempo, no pensamento, na ação, na fala, e é claro que acabo levando isso para a cena. Mudou a maneira como vivo, o que evidentemente altera a maneira como trabalho”, completa a atriz.

HISTÓRIA

Assim como o filme, a minissérie acompanha a trajetória artística de Elis Regina, que começa em 1964, com a ida ao Rio de Janeiro, até 1982, ano de sua morte. Para a atriz, os discursos da cantora voltam à TV em boa hora. Além do talento, Elis foi importante voz contra o conservadorismo de sua época, com críticas à ditadura militar – elementos que ecoam no atual cenário político brasileiro. “A fala da Elis foi sempre muito clara. Gostaria que o público de 2019 escutasse e, principalmente, enxergasse com clareza tudo o que ela dizia”, enfatiza Andreia.

Ainda que cenas do filme estejam presentes, o espectador terá novidades na minissérie. Entram em cena personagens reais ausentes no longa, como Rita Lee (vivida por Mel Lisboa), Tom Jobim (Sérgio Guizé) e Vinicius de Moraes (Thelmo Fernandes). O elenco tem ainda Lúcio Mauro Filho (Miele), Caco Ciocler (César Camargo Mariano), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli) e Ícaro Silva (Jair Rodrigues) – esses, já presentes no longa.

FANTASIAS

Andreia Horta otimiza seu vínculo com a sétima arte à frente de O país do cinema, programa exibido pelo Canal Brasil às quintas, em que entrevista profissionais da área. “É a chance de conversar sobre o que faço na vida, desde criança: construir fantasias”, aponta. “Converso com roteiristas, diretores de fotografia e de arte, cineastas experientes e estreantes. É muito enriquecedor poder olhar para todos os lados, conversar com tantas gerações e influências”, acrescenta.

Ainda em 2019, ela roda um longa, mas ainda não pode falar a respeito. Na sequência, volta às telinhas com a novela No tempo do imperador (título provisório), escrita por Thereza Falcão e Alessandro Marson, e dirigida por Vinícius Coimbra para a faixa das 18h da Globo. A previsão de estreia é para o segundo semestre.

ELIS – VIVER É MELHOR QUE SONHAR
Direção: Hugo Prata. Com Andreia Horta. Estreia nesta terça-feira (8), às 22h30, na Globo.



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