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Estado de Minas TECNOLOGIA E SAÚDE

Pesquisa: Redes sociais afetam meninas mais cedo na adolescência

Estudo identifica ligação entre uso de espaços virtuais e insatisfação com a vida. Nas meninas, o impacto surge entre 11 e 13 anos. Nos meninos, dos 14 aos 15


29/03/2022 10:10

Menina olhando celular sentada na praia
(foto: Mark Makela)


As meninas na puberdade são mais impactadas negativamente pelas mídias sociais do que os garotos na mesma fase de desenvolvimento. Por volta dos 19 anos, porém, ambos demonstram algum nível de insatisfação com a vida associado ao uso desses tipos de site e aplicativo.

Embora pais que veem seus filhos o dia inteiro com os olhos voltados para o celular se preocupem com a consequência desse hábito para a saúde mental, trata-se da primeira vez que um estudo de grande porte encontra uma relação estatística robusta. O trabalho foi publicado na revista Nature Communications.

Em uma coletiva de imprensa on-line, os autores, do Reino Unido, explicaram que, mesmo após anos de pesquisa, ainda há uma "incerteza considerável" sobre como o uso de redes sociais se relaciona com o bem-estar. Esse é um terreno com grande potencial de impactar na saúde mental, pois, no geral, as pessoas passam muito tempo por lá, compartilham informações sobre elas e interagem umas com as outras.

Para compreender melhor a associação entre essas mídias e o bem-estar em diferentes fases do desenvolvimento, psicólogos, neurocientistas e estatísticos analisaram dois conjuntos de dados nacionais que contêm informações de 84 mil pessoas entre 10 e 80 anos. Os registros incluíam estudos longitudinais — quando se acompanha o participante por um longo tempo — referentes a 17,4 mil adolescentes e jovens com idade entre 10 e 21 anos.

Analisando as respostas dessas pessoas às pesquisas, os cientistas identificaram dois períodos distintos da adolescência em que o uso excessivo de mídias sociais teve uma associação com taxas mais baixas de satisfação pessoal depois de 12 meses do contato inicial com os participantes. Primeiro, no início da puberdade (de 11 a 13 anos, no caso das meninas, e de 14 a 15 anos, para os meninos), e, então, novamente por volta dos 19, nos jovens de ambos os sexos.

Segundo os pesquisadores, as diferenças no início da puberdade sugerem que a sensibilidade ao uso das mídias sociais pode estar ligada a mudanças no desenvolvimento, possivelmente na estrutura do cérebro, ou à puberdade, que, geralmente, ocorre mais tarde em meninos do que em meninas. Eles observaram, porém, que são necessários estudos futuros para confirmação.

"Não é possível identificar os processos precisos subjacentes a essa vulnerabilidade. A adolescência é um período de mudanças cognitivas, biológicas e sociais, todas interligadas, dificultando a separação de um fator do outro. Por exemplo, ainda não está claro o que pode ser devido a mudanças de desenvolvimento nos hormônios ou no cérebro e o que pode estar relacionado à forma como um indivíduo interage com seus pares", comenta Sarah-Jayne Blakemore, professora de psicologia e neurociência cognitiva da Universidade de Cambridge e coautora do estudo.


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