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Estado de Minas

Barreira contra alergias

Pesquisas apresentadas nos Estados Unidos mostram que grávidas que seguem dieta saudável reduzem o risco de os filhos serem acometidos por complicações alérgicas


postado em 15/11/2019 04:00

Cuidados tomados pelas mulheres durante a gravidez, incluindo o tipo de dieta, podem evitar que os filhos fiquem mais vulneráveis a alergias, segundo cientistas americanos. Em duas pesquisas, os investigadores mostram que a qualidade dos alimentos ingeridos na gestação e pelas crianças no início da infância podem contribuir para evitar complicações alérgicas. Os dados foram apresentados na Reunião Científica Anual do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia (Acaai) em Houston (EUA).

Nos dois estudos, os cientistas ressaltam que grávidas buscam formas de evitar que os filhos tenham alergias, principalmente as que já sofreram esse problema de saúde. Os estudos conduzidos foram para ajudar justamente essas mulheres. No primeiro, a equipe analisou prontuários médicos de 158.422 crianças, que foram divididas entre as que apresentavam nenhuma, uma, duas, três ou quatro condições alérgicas: eczema, alergia alimentar, asma e febre do feno. Também foi considerado se os meninos e as meninas nasceram por parto natural ou cesariana e se foram amamentados exclusivamente ou contaram com alimentação suplementar.

Como resultado, os pesquisadores observaram que o parto natural foi associado a uma taxa reduzida de desenvolvimento de condições alérgicas, e a amamentação exclusiva e a suplementar associadas a um desenvolvimento menor de alergias. “Embora uma mãe nem sempre possa controlar a maneira como o bebê nasce ou a amamentação suplementar, essas informações podem ser úteis para reduzir a taxa de aparecimento e a carga geral de alergias em crianças”, destaca, em comunicado, o alergista David Hill, membro da Acaai e principal autor de um dos estudos.

Na segunda pesquisa, foram analisadas 1.315 grávidas, considerando a dieta seguida e a existência de um histórico de alergias. Observou-se que nas mães classificadas como tendo baixa diversidade alimentar e histórico pessoal de doença alérgica as chances de os filhos serem diagnosticados com eczema e/ou alergia alimentar aos 2 anos de idade eram consideravelmente maiores: 33% apresentaram o problema.

“Das mães restantes, que foram classificadas como apresentando boa diversidade alimentar, com ou sem histórico pessoal de doença alérgica, ou com baixa diversidade alimentar sem histórico pessoal de doença alérgica, 21% de seus filhos foram diagnosticados com eczema e/ou alergia alimentar aos 2 anos de idade”, compara Carina Venter, também membro da Acaai e principal autora do estudo.

PRÉ-NATAL 

Com base nos dois estudos, os pesquisadores acreditam que estratégias voltadas para a alimentação durante o pré-natal e a primeira infância podem ajudar a reduzir as chances de alergias em crianças. 
    
  “As mulheres grávidas, especialmente as alérgicas, devem estar cientes de que sua dieta durante a gravidez pode afetar as chances de o filho desenvolver eczema e/ou alergias alimentares”, frisa David Fleischer, alergista, membro da Acaai e coautor do primeiro estudo.

Ana Paula Moschione Castro, membro do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), acredita que as pesquisas reforçam um cuidado que já é aconselhado por especialistas da área.

 “Sempre falamos dessa relação entre a alimentação saudável e a proteção que ela proporciona às grávidas. Com essas investigações, temos dados que ajudam a reforçar essa relação”, diz. 

“Em relação ao parto, muitas vezes, as mães não têm a opção de escolher, mas quanto à alimentação, isso é algo que pode, e deve ser feito com mais cuidado. Tendo estudos que comprovam isso, ficamos mais felizes, pois temos ainda mais força para incentivá-las”, complementa.

A especialista ressalta que o hábito de comer bem é algo que mudou durante os anos. “Quando engravidei, tinha aquilo de comer por duas pessoas. Mas, hoje, vemos que esse conceito morreu, comer bem é ingerir uma quantidade adequada de fibras, ácidos graxos e vitaminas essenciais. E comer algo saudável não é complicado”, garante.

Segundo Ana Paula Castro, há a necessidade de uma análise do tipo sobre a realidade brasileira. “Seria muito interessante termos estudos feitos em nosso território que avaliassem os nossos hábitos alimentares, pois pode ser que nossa dieta seja mais nutritiva. Seria muito valioso para a área de pesquisa comparações entre os países”, ressalta.


"Quando engravidei, tinha aquilo de comer por 
duas pessoas. Mas, hoje, vemos que esse conceito morreu, comer bem é ingerir uma quantidade adequada de fibras, ácidos graxos e vitaminas essenciais. E comer algo saudável não é complicado"


Ana Paula Moschione Castro, membro do Departamento Científico de Alergia 
Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) 
 


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