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Estado de Minas CURIOSIDADE

Insegurança na era digital

%u201CComo fazer que as pessoas gostem de mim%u201D foi o terceiro assunto mais procurado no Google em uma das categorias analisadas. Dúvida esbarra em problemas psicológicos e autoestima


postado em 05/01/2020 04:00

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 21/5/19)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press %u2013 21/5/19)


Na última semana, o Google divulgou a lista de assuntos e dúvidas que os brasileiros mais pesquisaram no buscador em 2019 em diversas categorias, como memes, música, por quês e acontecimentos. No ranking de 10 itens da lista de “como fazer”, surgiram indagações em áreas diversas como tecnologia, redes sociais e receitas. O curioso é que, destoando completamente das outras, o terceiro lugar ficou com “Como fazer que as pessoas gostem de mim”, mostrando uma baixa autoestima e dificuldade nas relações interpessoais.
 
Marena Petra, psicóloga da Clínica Penchel, diz que é preocupante o fato de existir na internet truques, receitas e passo a passo do que fazer para as pessoas gostarem de você. Para ela, é natural do ser humano querer ser amado, desejado e reconhecido pelo outro, e para isso acontecer não existe receita, pois cada pessoa deve buscar à sua própria maneira. “Por ter apresentado uma maior parte das buscas no Google em 2019, isso é um indicativo do mundo contemporâneo, que é exigente e que de certo modo requer respostas de fora quando na verdade o mais importante é buscar apoio emocional para que cada um escute e apresente as próprias respostas diante de alguma questão ou impasse”, comenta.
 
Ângela Mathylde, psicanalista, psicopedagoga e neurocientista, afirma que as pessoas estão sofrendo da solidão que começa em si mesmo. “Com isso, o que o outro acha ou vê em mim fica muito mais forte. O olhar do outro me justifica.” A especialista complementa que a questão não é a infelicidade em si, mas sim a falta do autoconhecimento. “Estamos concorrendo com máquinas. Estamos vivendo, ou melhor, caminhando para uma epidemia de estresse, ansiedade, depressão, suicídio, desconforto e falta de vinculação.”
 

O sentimento de pertencimento está totalmente comprometido com o que sou, o que tenho, o que faço, o que produzo, com quem me relaciono, o que vou trazer de benefícios para alguém%u201D

Ângela Mathylde, psicanalista, psicopedagoga e neurocientista

 
 
Esse ponto, de acordo com Marena Petra, é um indicativo de que há um problema para ser questionado e ressignificado. “Sozinho, é bastante difícil que a pessoa consiga perceber e, além disso, buscar outras saídas.” Por isso, Petra acredita que esse dado seja assustador, pois indica que as pessoas não têm buscado ajuda profissional para lidar com o assunto e recorrem ao Google na tentativa de obter uma resposta pronta. “Tem consequências futuras na saúde emocional dessas pessoas.”
 
A psicóloga enfatiza que as pessoas sentem que precisam se adequar a um padrão de comportamento para que sejam aceitas e, quando não conseguem se encaixar, se sentem frustradas. “O fato de pensar que uma das maiores buscas no Google tem a ver com o 'como fazer com que as pessoas gostem de mim' comprova que elas entendem que precisam se encaixar e quando se deparam com uma impossibilidade de ser perfeito para os outros quem acaba por sofrer com isso é a autoestima”, ressalta.
 
REDES SOCIAS Apontada como um dos principais gatilhos emocionais para frustrações emocionais, de acordo com Petra, as redes sociais contribuem para essa carência afetiva e emocional. “As pessoas, quando estão conectadas às redes sociais, geralmente estão “sozinhas” fechadas em sua própria imagem e na imagem dos outros. Ou seja, muitas vezes não há um relacionamento, são só imagens”, analisa a psicóloga. 
 
Em julho, o Instagram anunciou o “fim” da era das curtidas na plataforma como medida para promover maior bem-estar entre os usuários, com a intenção de diminuir ansiedade, competitividade e transtornos psicológicos. A ação polêmica oculta o número de likes para os seguidores do usuário. Ângela Mathylde acredita que a questão seja uma faca de dois gumes. “E assim vamos vivendo no comando da ideação. O sentimento de pertencimento está totalmente comprometido com o que sou, o que tenho, o que faço, o que produzo, com quem me relaciono, o que vou trazer de benefícios para alguém”, conclui.

* Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram
 
 
Temática: como fazer

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