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Estado de Minas

Bom resultado depende do paciente

Voltar a ganhar peso depois da cirurgia bariátrica pode levar à depressão e ao descrédito em si mesmo. Alguns cuidados, como mudança de hábitos alimentares, ajudam a manter o peso


postado em 17/03/2019 05:11


Sentimento de impotência, descrédito em si mesmo, depressão e baixa autoestima. Esses são alguns dos sintomas de pacientes que, após se submeter à cirurgia bariátrica, observam que o peso voltou a aumentar descontroladamente. Segundo especialistas, o pós-operatório é a principal causa da recidiva. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a deficiência no tratamento é quando o paciente recupera 50% ou mais do peso perdido ou teve recidiva de 20%.


O Brasil é considerado o segundo no ranking em número de cirurgias bariátricas e as mulheres representam 76% dos pacientes. Segundo o médico Henrique Eloy, especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia, os pacientes que têm problema com álcool, em média 25%, e seu uso abusivo no pós-operatório são uma das principais causas da recidiva. “Isso ocorre devido à mudança na absorção de álcool pelo organismo após a cirurgia. Com a alteração do aparelho digestório, a substância passa direto para o intestino e é absorvida mais rapidamente, além de demorar mais tempo para ser eliminada”, explica o médico.


Ainda conforme o especialista, além de bebidas alcoólicas, fica também o alerta para outros produtos de aspecto pastoso e gelatinoso, como leite condensado, milk-shake, refrigerantes, energéticos, sucos engarrafados, iogurtes e outros industrializados. “Todos com teor calórico elevado, a ponto de trazer de volta todos os quilos perdidos durante o tratamento”, ressalta Henrique. “O bom resultado dependerá da mudança dos hábitos de vida do paciente, se este aprendeu a se alimentar direito e se está fazendo alguma atividade física. Esses e outros fatores comportamentais e biológicos ajudam a evitar a recidiva de peso”, garante.


Para o cirurgião, o sucesso na perda de peso no pós-operatório envolve fatores mecânicos, como o tamanho da redução da capacidade gástrica e do diâmetro da saída do estômago, assim como também de diversos fatores hormonais. Cada caso deve ser individualizado. Para alguns, existe a possibilidade de se realizarem suturas por endoscopia com o intuito de diminuir ainda mais o tamanho do estômago remanescente ou de sua saída para o intestino. “Efetuar uma segunda operação deve ser sempre muito avaliado, pois os riscos operatórios são bem maiores que os da primeira operação e os resultados são pouco satisfatórios”, alerta o especialista.

INDICAÇÃO “As indicações para a cirurgia bariátrica são muito bem estabelecidas tanto pela Agência Nacional de Saúde (ANS) quanto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O critério utilizado para a indicação da operação é o chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso, em quilos, pela altura, em metros, ao quadrado. Se o resultado for acima de 40 – ou acima de 35, associado a qualquer doença que seja agravada pela obesidade –, a cirurgia bariátrica é indicada”, esclarece o médico.
As principais doenças associadas à obesidade são hipertensão arterial, diabetes, alterações de colesterol e triglicérides, apneia do sono e problemas articulares, entre outras. Então, a indicação não é apenas pelo peso absoluto das pessoas, como muitos imaginam. Nunca se deve operar qualquer paciente fora das indicações, que são muito bem definidas”, alerta Henrique. “As indicações são restritas aos pacientes entre 18 e 65 anos. Para se efetuar a operação fora desses limites de idade deverá haver rigorosa avaliação de todas as especialidades médicas envolvidas. Mas é extremamente raro necessitar de operação fora dos limites de idade estabelecidos”,afirma.


“As principais causas da recidiva são bem conhecidas, como a transgressão alimentar e, especialmente, a bebida alcoólica, o sedentarismo e as alterações psíquicas não tratadas. O ideal é que nunca ocorra, mas ela é especialmente maléfica nos pacientes que já apresentavam diversas doenças associadas antes da operação, pois, nesses casos, a recidiva da obesidade pode trazer consigo todas essas doenças, que comprometerão a expectativa de vida do paciente”, ressalta o médico.


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