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Estado de Minas

Delete as fake news

O Instituto Nacional de Câncer divulga guia para orientar pacientes a não acreditarem em notícias falsas enviadas pela internet, que acabam comprometendo o tratamento


postado em 24/02/2019 05:08

 

 

 



O Instituto Nacional de Câncer (Inca) é o órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil. Em tempos de fake news, a instituição lançou, no ano passado, no Rio de Janeiro, a primeira edição do guia Dietas restritivas e alimentos milagrosos durante o tratamento do câncer: fique fora dessa!. Trabalho que tem a coordenação de Mônica Torres e a elaboração de Gabriela Villaça Chaves.

No guia, os pacientes com câncer são orientados para não ser afetados por notícias falsas, sem embasamento científico, que prometem ajudar na cura do câncer e chegam por meio das redes sociais, de amigos e até mesmo de alguns profissionais. Ele alerta que é preciso ter cuidado, já que colocar em prática muitas dessas orientações pode comprometer a saúde e o tratamento, em vez de ajudar. Assim, o objetivo do guia é desvendar alguns dos mitos que são temas frequentes na internet.

O oncologista da Oncomed Alexandre Chiari alerta que “as notícias falsas que circulam cada vez mais pela internet e redes sociais têm impacto muito negativo, sobretudo na área da saúde. Quando o tema é câncer, especificamente, os prejuízos passam pela prevenção até o tratamento da doença. Quando os pacientes recebem informação errada e acreditam nelas, automaticamente se sentem inseguros com o próprio tratamento, e ainda podem adotar hábitos que podem ir contra sua própria saúde”.

Conforme Alexandre Chiari, é necessário desconfiar sempre quando receber notícias pelas redes sociais e ao buscá-las na internet. “Quando for pesquisar on-line, é preciso verificar se os sites são de órgãos oficiais ou de hospitais e clínicas de referência. Além disso, quando visitar a página de algum médico, procure também dados sobre a sua formação, histórico profissional e locais em que trabalha. Outra dica é verificar se o profissional é registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM). Checar a fonte, verificar se ela é segura e sempre preferir tirar suas dúvidas com o médico que faz seu tratamento. Ele, mais do que ninguém, conhece o histórico e o tratamento de cada paciente.

Você pode ter o guia acessando o link https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//dietas-restritivas.pdf

MITOS

“Carboidratos (pão, farinha de trigo, açúcar, arroz etc.) alimentam o tumor”

A principal função dos carboidratos é fornecer energia (glicose) para as células. Todas as células do nosso organismo precisam de glicose. Mas quando você deixa de consumir esse importante combustível, o organismo encontra outros meios de gerar glicose, por exemplo, usando proteínas dos músculos. Como consequência, você perde peso (e muito músculo!). Perder peso e músculos de forma não intencional pode gerar prejuízos para o seu corpo e para o seu tratamento. O fato de o tumor também utilizar a glicose como fonte de energia não pode ser, portanto, justificativa para retirar os carboidratos da alimentação. Em vez de se preocupar em cortar os carboidratos, é mais importante se preocupar em consumir esse nutriente vindo de alimentos frescos, como grãos, cereais, frutas e verduras. Evite os carboidratos presentes em alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, macarrão instantâneo, mistura para bolos e barras de cereais.

“Cortar carboidratos ajuda no tratamento do câncer”; “Sua quimioterapia não vai funcionar se você comer carboidratos”

Alguns estudos feitos em laboratório com células e em animais concluíram que a restrição de glicose pode reduzir o crescimento de tumores. No entanto, o corpo humano é complexo, e o que a ciência descobre quando estuda um grupo de células/tumores quase nunca pode ser aplicado para seres humanos sem que antes sejam feitas pesquisas em humanos. Até o momento, não existem evidências científicas suficientes que confirmem que cortar carboidratos ajuda a “matar o tumor” em humanos. Também não é verdade que se você comer carboidratos durante o tratamento a quimioterapia não vai funcionar direito. Alguns cientistas estão estudando o efeito de determinadas dietas na resposta ao tratamento do câncer, mas ainda não existem dados suficientes que possam gerar recomendações diferentes das atuais para pacientes em tratamento. O que pode ser orientado, por enquanto, é que o paciente siga uma alimentação saudável, baseada em “comida de verdade” e sem alimentos ultraprocessados. Para outras dicas, consulte nossa cartilha Estilo de vida saudável durante e após o tratamento do câncer. Em caso de sintomas relacionados ao tratamento e de perda de
peso, procure imediatamente um nutricionista.


“Proteínas de origem animal (carne vermelha, ovos, queijos) devem ser cortadas da alimentação, pois alimentam o tumor”

A proteína é o principal componente estrutural das células, desempenhando importantes funções no nosso organismo, como transporte de substâncias no sangue, síntese de hormônios e construção dos músculos. É importante lembrar que o tratamento do câncer, muitas vezes, pode levar à perda muscular, principalmente quando ocorrem efeitos colaterais e emagrecimento. Por isso, ingerir proteínas em quantidades adequadas, além de garantir a manutenção de diversas atividades do seu organismo, mantêm seus músculos saudáveis. E por que manter seus músculos saudáveis é tão importante?


a) Eles são responsáveis por minimizar as chances de que seu tratamento seja tóxico para você, reduzindo o surgimento de efeitos colaterais.

b) Eles produzem força, o que vai permitir manter sua independência para as atividades cotidianas, além
de prevenir quedas e reduzir a fadiga (cansaço).

Qual fonte de proteína devo escolher? As proteínas estão presentes nos vegetais, como feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha e castanhas. E nos alimentos de origem animal, como peixes, frango, carnes vermelhas, ovos, leite, queijos e iogurte natural.


“Cogumelo do sol, noni, graviola, chá de graviola, chá-verde, entre outros muitos alimentos, curam o câncer”

Não existem alimentos que, milagrosamente, curam o câncer. Uma alimentação saudável é composta por diferentes tipos de alimentos protetores, como frutas, legumes, verduras, feijão e outras leguminosas, cereais integrais, castanhas e outras oleaginosas. Existem evidências claras de que uma alimentação saudável auxilia na prevenção e no tratamento do câncer. Quanto mais colorida for a sua alimentação, mais fortalecidas estarão as defesas do seu corpo e menores serão as chances de
prejuízos no seu estado nutricional durante o tratamento.

 


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