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Como se proteger da luz azul

Celular e computador também são emissores de raios nocivos à pele. O uso de filtro é necessário até em ambientes fechados


postado em 13/01/2019 05:06

Além de aplicar filtro diariamente, a servidora pública Célia Arcênio usa fotoprotetores orais (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Além de aplicar filtro diariamente, a servidora pública Célia Arcênio usa fotoprotetores orais (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

Quem nunca ouviu falar que passar muito tempo em frente ao computador faz mal aos olhos? O que poucos sabem é que a exposição, que tanto preocupa os oftalmologistas, também é um risco para a pele. Celulares, computadores e tablets são emissores de luz visível, exigindo proteção inclusive em ambientes fechados.


Isso ocorre porque a luz azul, segunda frequência de maior energia do espectro visível, atravessa a pele e alcança até a superfície subcutânea – nível ainda mais profundo que a epiderme e a derme, segundo o mestre em dermatologia Orlando Morais. “Cerca de 48 horas de exposição à tela do computador correspondem mais ou menos ao mesmo nível de exposição que você teria em aproximadamente 20 minutos no sol ao meio-dia.”


O efeito é a produção de radicais livres, que propiciam a diminuição do colágeno. Isso se traduz em redução de elasticidade, formação de rugas e perda de contorno facial. Assim como os raios ultravioleta A e B, essa luz tem fatores cancerígenos e capacidade de estimular a produção de pigmento.


A principal fonte emissora de luz azul é, de fato, o Sol. No entanto, qualquer tipo de lâmpada ou dispositivos como tablets, celulares e notebooks exigem cuidados. Por isso, nada daquele discurso de não precisar de filtro solar porque vai passar o dia no escritório. “Até durante a noite precisamos estar protegidos”, garante a generalista Cynthia Dias.


Mas como preservar a pele da radiação se o celular está sempre em mãos e o computador é instrumento de trabalho? A indicação dos especialistas é o uso diário dos chamados protetores físicos. Segundo Morais, os compostos inorgânicos que promovem a proteção da pele desse tipo de radiação são dióxido de titânio, óxido de zinco e óxido ferroso. Esses componentes protegem tanto das radiações ultravioleta quanto da luz azul.


O risco, no caso dos homens e das mulheres, é geneticamente igual. Porém, elas têm uma forte aliada: a maquiagem. Muitos dos compostos que preservam a pele da luz azul são encontrados nas bases e nos corretivos.


Além disso, os produtos que têm pigmento oferecem mais segurança. “Esses ativos também funcionam como barreira física, porque eles conseguem impedir a permeação da luz, refletindo-a”, explica o dermatologista. Eles também não atingem a corrente sanguínea.
Quando o assunto é proteção, além dos compostos físicos, que refletem a radiação e são especialmente eficazes quanto à proteção da luz azul, existem os químicos, que absorvem a radiação e a transformam em calor; e os fotoprotetores orais, que reúnem princípios ativos antioxidantes em formato de cápsulas e devem ser tomados diariamente.

DEFESA ORAL
Célia Arcênio, de 50 anos, sempre teve cuidado com a pele, mas preferia não utilizar alguns tipos de filtro. Como a radiação não é exclusividade da luz do Sol, a alternativa mais segura foi procurar filtros solares com os compostos físicos – que também protegem da luz azul e não ultrapassam a superfície cutânea –, e complementar os cuidados com os fotoprotetores orais.


Segundo Cynthia Dias, as cápsulas funcionam como antioxidantes. Isso posterga o processo de envelhecimento e impede a formação dos radicais livres, prevenindo contra o câncer. As pílulas contêm compostos como pycnogenol, resveratrol, pomegranate e peeling oral. No entanto, elas não substituem o uso tópico. “O melhor efeito ocorre quando combinamos todos esses tipos de filtros e, assim, a pele fica mais protegida”, completa.


A rotina de saúde da servidora pública, no que se refere à proteção solar, começa cedo e se estende ao longo do dia. “Assim que acordo, já faço a hidratação, aplico o filtro e tomo a pílula de fotoproteção.” Para Célia, a atenção à pele traz efeitos significativos no bem-estar e na qualidade de vida.
Ainda que em quantidades menores, o uso do computador e do celular de forma contínua traz todos os prejuízos que a exposição à luz solar proporciona. Entre eles, a capacidade de produzir pigmento. Juliane Santos, de 40, precisa de atenção especial. Há aproximadamente cinco anos, a bancária enfrenta as manchas características do melasma e elas têm se alastrado pelo rosto e pela bochecha, apesar de muito esforço com a proteção.


Segundo Orlando Morais, os pacientes que têm melasma estão suscetíveis ao espectro da luz visível, especificamente ao de frequência azul. Muitas vezes, há uma preocupação intensa com o sol, mas a luz que vem dos dispositivos eletrônicos oferece risco significativo.

CUIDADO CONSTANTE Na tentativa de amenizar os efeitos, a rotina de beleza de Juliane é cheia de cuidados. “Sou morena e sempre tive muito medo de fazer tratamentos a laser. Então, meu tratamento tem sido com base em cremes e fluidos, tanto os manipulados quanto os comprados prontos”, relata.


No dia a dia, a preparação começa cedo. A limpeza da pele, com sabonete líquido próprio, é acompanhada da hidratação e da aplicação do filtro solar com cor. “Reaplico o protetor mais duas vezes ao longo do dia. E não é apenas para me proteger da luz do celular e do computador, é, sobretudo, para esconder minhas manchas, que me causam muito constrangimento. Não saio à rua sem filtro solar com cor”, conta a bancária. À noite, o cuidado continua, com a aplicação do creme clareador.


“Especialmente para quem tem melasma, é essencial usar a medicação até a noite, porque você vai ficar muito tempo no computador ou ao telefone”, explica Cinthya Dias. “Mas isso não se reduz a pacientes com o quadro. A proteção deve ser feita em todos os momentos. Esses dispositivos estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano e cabe a nós reduzir os efeitos dessa exposição ao mínimo.”

Palavra de especialista
Hélio Miot, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Risco menor


“Apesar de a luz visível chegar ao planeta em alta quantidade, é muito menos potente que os raios ultravioleta A e B e, no caso dos dispositivos eletrônicos, o risco é ainda menor. É muito recente a pesquisa dos efeitos da luz visível na pele. A gente sabe que ela atravessa a epiderme e a derme e chega até o subcutâneo. Mas, no caso dos celulares e dos computadores, os efeitos da radiação ainda não foram comprovados.”


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