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O que beber?

Muitos pensam que todas as águas são iguais. Não são. Há diversos fatores que as diferenciam, como pureza, poder de hidratação, níveis de minerais e até o pH. Saiba os impactos na saúde


postado em 02/12/2018 05:02

(foto: Yohan Hmmm/Freeimages)
(foto: Yohan Hmmm/Freeimages)

 

 








O corpo humano não consegue ficar mais que quatro minutos sem oxigênio; mais de três dias sem água ou mais de 50 dias sem alimentos. A água é o principal componente do nosso corpo, somos entre 70% e 80% água. E ela tem papel fundamental, por ser o solvente das substâncias bioquímicas responsáveis por todas as funções fisiológicas, ou seja, nossa vida depende das reações que somente ocorrem na presença da água. De uns tempos para cá, modismo ou não, certo é que muitos passaram a se preocupar em consumir água com pH alcalino. Mas o que isso significa? Tem alguma influência na saúde?

Antes das respostas, a nutricionista Alessandra Luglio, especialista em alimentação natural, explica que pH é uma escala que avalia o quão ácida, neutra ou alcalina é uma solução. Um pH em torno de sete representa uma solução neutra. “Dependendo das substâncias e da concentração em que estão diluídas na água, o pH tenderá a ser mais ácido ou alcalino.”

E quanto à água alcalina, quais os benefícios? “Especula-se que beber água com pH mais alcalino auxilia na prevenção de doenças. Porém, a ciência não comprova esse benefício. A maioria das águas presentes no mercado brasileiro, mesmo as alcalinas, não têm quantidade relevante de minerais e compostos bioativos que poderiam colaborar para a manutenção da saúde. Águas alcalinizadas não surtem efeitos diretamente na saúde, pois, quando ingeridas, ao entrar em contato com o estômago esse pH já é neutralizado, porque o estômago é ácido e esse efeito alcalino não chega à corrente sanguínea, onde atuaria positivamente na saúde”, explica Alessandra Luglio.

Estudos e revisões sistemáticas comprovam que o pH alcalino de uma água não é responsável por nenhum benefício à saúde. Esse fato é, inclusive, declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em documento publicado em 2007. O que algumas análises demonstram é que uma das possibilidades de manutenção do pH sanguíneo poderia ser resultante da ingestão de água, desde que ela contivesse alto teor de bicarbonato, ou seja, em torno de 2g por litro. Portanto, seria a presença desse teor de bicarbonato na água que traria algum benefício e não o pH dela. E essa quantidade de bicarbonato dificilmente é encontrada em águas minerais naturais, principalmente no Brasil, onde as águas minerais naturais são pouco mineralizadas.

O importante é que todos tenham consumo mínimo diário recomendável. “A quantidade de água que cada pessoa deve consumir varia de acordo com alguns critérios. Quanto maior a pessoa, em termos de peso e altura, mais tecidos ela terá, portanto, mais água deverá consumir. Por isso, normalmente, homens devem consumir mais água do que as mulheres, que são menores. Em média, em condições regulares, deve-se consumir entre dois a três litros de água por dia. Em condições de mais alta temperatura, a necessidade diária de água aumenta. Pessoas que praticam atividades físicas também devem consumir mais”, destaca a nutricionista.

A preocupação maior deve ser beber água, já que não só os brasileiros, mas as pessoas do mundo todo têm consumido bem menos que o recomendável, como chama a atenção Alessandra Luglio. “Não somente o brasileiro, mas em média, muitas pessoas não consomem a quantidade recomendada de água diariamente. Uma questão é que a população ativa normalmente está fora de casa e, com a vida atribulada, não leva em consideração a hidratação e se acostuma com a sede, que já é um sinal de falta de água ou desidratação no organismo. Muitos bebem bebidas açucaradas quando estão com sede, o que não é recomendado, pois, com açúcares e aditivos químicos, normalmente presentes nessas bebidas, necessitamos de ainda mais água para diluí-los, o que acaba sendo um desafio para o organismo. As pessoas precisam beber mais água pura e criar o hábito de hidratar-se várias vezes ao dia.”

Quem está atento com a hidratação, além de se ligar no pH alcalino, tem buscado informação sobre a quantidade de sódio na água. Alessandra Luglio diz que “o consumo exagerado de sódio é maléfico à saúde e deve ser evitado. Porém, a água não é grande contribuinte para esse consumo excessivo. Alimentos processados, aditivos químicos, como agentes de conservação, por exemplo, além do uso exagerado de sal na cozinha e na mesa, é que merecem maior atenção quanto à ingestão diária de sódio. Além disso, bebidas industrializadas, como refrigerantes, costumam ter mais sódio comparadas às águas presentes no mercado”.

BENEFÍCIO

Como, nos dias de hoje, qualquer mercado vive de novidade, no meio da água, quem tem ganho destaque é a chamada água ionizada, a ionballs. Alesandra Luglio afirma que “águas ionizadas são seguras do ponto de vista microbiológico, ou seja, a ionização é capaz de eliminar possíveis agentes patógenos que podem causar infecções. Quanto ao pH ou à qualidade da água comparada às águas comuns, não existe qualquer benefício em sua composição ou qualidade.”

Parece estranho, mas há quem simplesmente não goste de água e acabe substituindo-a por outros líquidos, o que, conforme a nutricionista, não tem o mesmo resultado. “Algumas bebidas, como chás de ervas e sucos naturais sem açúcar, por conter nutrientes e serem naturais, podem contribuir para que atinjamos a quantidade ideal de água ingerida. Porém, bebidas açucaradas e com aditivos não são interessantes quando o assunto é hidratação. O ideal é o consumo adequado de água pura e complementar com bebidas naturais, se for o caso. A água pura é o maior hidratante do mundo e sempre será.”





"As pessoas precisam beber mais água pura e criar o hábito de hidratar-se várias vezes ao dia"

. Alessandra Luglio,
nutricionista, especialista em alimentação natural






FIQUE POR DENTRO

Essencial
para a vida

Estudos recentes avaliaram o consumo hídrico em 13 países, incluindo o Brasil. Os resultados não foram animadores: apenas 40% dos homens e 60% das mulheres atingiram a recomendação de ingestão proposta pela European food Safety Authority (EFSA), que fica em torno de dois litros para mulheres e dois litros e meio para homens adolescentes e adultos. E, ainda, 60% a 66% dos adultos analisados consumiram mais calorias por meio das bebidas do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de, no máximo, 10% das calorias diárias. Percebe-se que o consumo de água pura, in natura, vem sendo negligenciado e pouco se fala sobre o assunto, inclusive em protocolos médicos e nutricionais. O baixo consumo de água atua como fator negativo para a saúde em vários aspectos, devido à importância da água nos processos metabólicos e fisiológicos. A água atua como um solvente no organismo, diluindo as toxinas e metabólitos secundários provenientes dos processos fisiológicos e de fontes endógenas, além de tantos outros papéis essenciais para a vida.



palavra de especialista

Juliana Nakabayashi
nutricionista

O que importa é se hidratar

“Água com pH neutro ou água ionizada... Não é sustentável, é cara. Opte pelo simples. Beba, simplesmente, água. No fim, tudo é muito comercial. Essas águas ditas especiais esbarram em problemas de armazenamento e transporte. O sol, o calor ou o material do recipiente podem alterar o que esse tipo de água propõe. O que recomendo, sim, é o convencional filtro de barro. É a nutrição mais simples e descomplicada. Troca-se a vela a cada dois, três meses, e pronto. Gosto dele porque a filtragem é gota a gota, ou seja, de maneira lenta vai filtrar cloro e minerais. O importante é não endeusar tal marca ou filtro. O essencial é tomar água filtrada e ponto. Hidratação é fundamental e o consumo de água deve ser incentivado sempre. Um alerta é que atendo muitas clientes que confundem e trocam a água pelo H2O, que é refrigerante! Bem diferente da água saborizada, de preferência, feita em casa.”


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