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Todo cuidado é pouco

Evitar o intervalo de maior incidência solar, entre as 10h e as 16h, além de manter hidratação corporal satisfatória, são medidas simples que ajudam a diminuir a possibilidade de uma lesão cancerosa


postado em 02/12/2018 05:02

 A dentista Maria Cristina Apgaua procurou ajuda logo que percebeu uma pinta esquisita na perna (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )
A dentista Maria Cristina Apgaua procurou ajuda logo que percebeu uma pinta esquisita na perna (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press )

 

 









A partir deste mês até março, no período do verão, serão promovidas ações e atividades de informação na internet, ruas, praias e parques, dentro das atividades do Dezembro Laranja, que propõe a conscientização sobre o câncer de pele. Pessoas reconhecidas em suas áreas de atuação se unirão ao time do movimento vestindo a cor laranja, ao mesmo tempo em que monumentos pelo país serão iluminados com a tonalidade símbolo da campanha. A sociedade civil também é convocada a participar, usando laços ou fitas laranjas, além de publicar as hashtags #DezembroLaranja e #verãolaranja nas redes sociais.
As orientações primordiais da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) passam pela adoção de medidas fotoprotetoras, como evitar o intervalo de maior incidência solar (entre as 10h e as 16h) e, principalmente para trabalhadores que desempenham atividades em locais expostos, a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs): chapéus de abas largas, óculos de sol com proteção UV e roupas que cubram boa parte do corpo, mesmo em dias frios e nublados. Cuidados que servem também para qualquer perfil de hábito e rotina, além de buscar locais de sombra, assim como manter hidratação corporal satisfatória. “A sociedade médica alerta, ainda, para o uso diário de protetor solar, que deve ser reaplicado a cada duas ou três horas, ou depois de longos períodos de imersão na água”, reforça a vice-presidente da SBD-MG, a dermatologista Maria Luiza Pires.

cuidado redobrado

“Esse conjunto de medidas ajuda a diminuir a possibilidade de uma lesão cancerosa. Sabemos que algumas delas têm outros fatores associados, como predisposição genética e história familiar. Nesses casos, o cuidado é redobrado e a ida ao dermatologista deve ser frequente”, orienta a dermatologista Patrícia Lima. A médica lembra que o câncer de pele não é contagioso, ou seja, uma pessoa com a lesão, se tiver contato com outra saudável, não transmite a doença. “Porém, se houver parente de primeiro grau com história familiar de tumores de pele, suas chances de ter alguma lesão cancerígena aumentam, a exemplo do melanoma.”

O primeiro sinal de que algo estava errado foi uma pinta diferente, esquisita, que apareceu na perna da dentista Maria Cristina Apgaua, de 64 anos. Ela percebeu uma textura áspera e logo entendeu que aquela não era uma pinta normal, mesmo que pequena (menos de um centímetro). Quando buscou atendimento com uma dermatologista, a médica prontamente apurou que aquela era uma situação suspeita. A pinta foi retirada e, depois de efetuada a biópsia, ficou constatado carcinoma basocelular. A dentista conta que existem vários casos de câncer na família, mas na pele só ocorreu com ela. Desde o início do tratamento até agora, em um intervalo de dois anos, Maria Cristina menciona que vigia o próprio corpo para ver se reaparece algum sintoma do tumor. “Fico monitorando para saber se volta em outro lugar. Não tenho receio sobre pioras. Como o câncer de pele não se trata de um problema em algum órgão interno, o prognóstico é bem melhor, principalmente se detectado no início. É importante sempre ir ao médico e prevenir é a maneira mais segura de impedir o avanço da doença”, afirma.

O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Existem diferentes tipos, que podem aparecer em formas distintas. Os mais comuns são conhecidos como carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular (denominados de câncer não melanoma) –, têm altos percentuais de cura se diagnosticados e tratados precocemente. Um terceiro tipo, o melanoma, não é o mais incidente, mas o mais agressivo e potencialmente letal. Quando observado no princípio, apresenta 90% ou mais de chance de cura.

PINTAS IRREGULARES

Seja qual for a classe, a exposição excessiva e sem proteção ao Sol é a principal causa do câncer da pele, além da utilização de câmaras de bronzeamento (a Austrália, por exemplo, ensolarada quase o ano inteiro, é o país com mais eventos de câncer de pele no mundo). O problema pode aparecer como uma pinta ou mancha, quase sempre acastanhada ou enegrecida, que apresenta mudança de cor ou textura e torna-se irregular nas bordas; como lesões que persistem ou continuam crescendo no decorrer de semanas ou meses e sangram facilmente; como uma pápula ou nódulo avermelhado, cor da pele e perolado (brilhoso); ou como uma ferida que não cicatriza, aumenta e apresenta coceira, crostas ou erosões. O transtorno surge mais frequentemente nas áreas do corpo que geralmente ficam expostas, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo (em calvos), ombros e costas. Apenas médicos dermatologistas e oncologistas são capacitados para fazer o diagnóstico, partindo da percepção desses primeiros sinais.

A SBD chama a atenção para a necessidade de as pessoas se examinarem com periodicidade, consultando um dermatologista em caso de incerteza. Também é importante pedir para familiares observarem o corpo de quem está em dúvida, pois, muitas vezes, os cânceres aparecem em regiões onde não é possível vê-los sozinho. Patrícia Lima ensina sobre a famosa regra do ABCDE, um norte que pode auxiliar na percepção inicial de um câncer de pele, quando da observação de uma pinta ou mancha. Cada letra está relacionada a um aspecto que deve ser avaliado na hora de examiná-las (veja arte).



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