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Habilidades que aproximam


postado em 25/11/2018 05:06

O jornalista João Dicker aprendeu com o pai que cozinhar é uma forma de demonstrar carinho e afeto(foto: Arquivo pessoal )
O jornalista João Dicker aprendeu com o pai que cozinhar é uma forma de demonstrar carinho e afeto (foto: Arquivo pessoal )





Os laços de parceria e amizade desenvolvidos entre pais e filhos se fortificam com o tempo, revelando interesses em comum, seja pela culinária, por jogos, seja por hobbies os mais diversos. Felipe Tadeu, estudante de engenharia mecatrônica, compartilha alguns deles com seu pai. Um deles é o amor pela culinária. “A minha família tem um sítio e, sempre que a gente ia para lá, via o meu pai cozinhando pra gente. Aos poucos, fui me interessando”, relata. Felipe conta que o interesse partiu dele e que o pai acabou dando uma ajuda. Além disso, pai e filho também compartilham amor pelos jogos, principalmente o xadrez. “A gente sempre brincou com muitos jogos, principalmente, quando eu era pequeno. Os meus preferidos são xadrez e vídeogame.”

Mas Felipe defende a ideia de que o interesse por determinado hobbie deve nascer da própria pessoa, sem ser forçado por ninguém. “A partir do momento que você é obrigado a fazer alguma coisa, a gostar de um hobbie, isso deixa de ser algo divertido e prazeroso.” Além disso, ele acha muito importante essa influência entre pais e filhos, no sentido de que ajuda a fortalecer a relação. “É interessante os filhos testarem coisas que os pais gostam e vice-versa, pois podem se divertir muito durante o processo.”

Clóvis Guimarães, professor e pai de Felipe, conta que, desde sempre, foi muito próximo do filho, e o incentivava a experimentar coisas novas. “Ensinei-o a cozinha, começando com receitas mais simples, como omelete”, relembra. Além da culinária, eles também gostavam de jogar xadrez e outros jogos de tabuleiros. Clóvis acredita que esses interesses em comum são fundamentais numa relação entre pai e filho. “Eu e o Felipe sempre tivemos boa convivência, mas a culinária e os jogos aproximaram a gente ainda mais.”

O jornalista João Dicker também tomou gosto pela culinária graças à influência de seu pai. “Por ser filho de um chef de cozinha, passei a infância em uma casa com cheiro de comida, aquele aroma reconfortante e convidativo de que algo gostoso estava sendo preparado. Com os anos, fui acompanhando as técnicas, processos, ensinamentos e diversas possibilidades que o universo gastronômico tem e, dessa forma, me apaixonei”, conta.

Como sempre gostou de comer bem, João tinha interesse pela forma como os pratos eram preparados. E, aos 12 anos, já começava a cozinhar de fato. Ele conta que, com seu pai, aprendeu não somente a técnica envolvida na cozinha, mas que cozinhar é compartilhar carinho, afeto, tradições. Sentimentos e sensações se despertam por meio do sabor, das texturas, dos aromas e das cores de um prato. Para João, cozinhar e um “momento especial de encontro com quem está ali com você, sentado à mesa ou acompanhando o preparo, ao lado do fogão”.

O hobbie também trouxe diversos benefícios para a vida do jornalista, como a independência para fazer sua própria comida e a forma com que ele se relaciona com outras pessoas. “Acredito que cozinhar é uma forma de compartilhar sentimentos com pessoas queridas. Então, tenho muito prazer em reunir amigos e família para preparar algo gostoso e transformar o encontro em uma celebração.”

Para João, o fato de compartilhar um hobbie com seu pai é algo que serviu para aproximá-los ainda mais. “Apesar de termos gostos em comum em outras atividades, cozinhar se tornou um elo forte e especial entre nós. Uma ligação que ambos gostam de reforçar e desenvolver.” Além de ser chef de cozinha, o pai de João também é astrólogo e artista plástico, que sempre incentivou a criatividade dele em formas diversas, e uma delas acabou sendo a gastronomia.

COLEÇÃO

O estudante de cinema Fábio Costa compartilha o gosto de colecionar com sua mãe, Cristina Costa, que tinha como hobbie colecionar cartões-postais e o sonho de um dia se tornar diplomata. Cristina cresceu, alguns sonhos mudaram, mas o gosto pela coleção de cartões continuou a mesma. Para chamar a atenção da mãe, Fábio começou a copiá-la. “Logo começamos a trocar cartões e, sempre que tínhamos a chance, pegávamos cartões um para o outro”, lembra.

Para Fábio, essa experiência foi fundamental para se aproximar de sua mãe. “Isso era algo nosso, ninguém mais fazia isso. Foi algo que nos ligou.” Esse laço estabelecido entre eles foi tão importante que o estudante de cinema considera passar essa tradição para frente, caso tenha filhos. “Acho que os filhos passam a entender os pais, e os pais podem nos passar lições sem que pareçam muito duros, e de maneira educativa.”

INFLUÊNCIA

De acordo com a psicóloga Paula Pimenta, é natural que os filhos se inspirem nos pais, já que eles são tomados como referência e modelo para os filhos. “Isso acontece por esse mecanismo de identificação”, explica. Além disso, as sensações de prazer e satisfação que a mãe ou pai apresentam com seu hobbie também acabam sendo um fator de influência para o filho.
De acordo com a psicóloga Paula Pimenta, “hobbie é prazer, é algo que encanta os outros, inclusive os filhos”. Um ponto positivo, na sua visão é a questão da parceria. “Por exemplo, quem gosta de andar de bicicleta ou moto, faz trilha junto, e isso vira uma oportunidade de se aproximar do outro, de se divertir.” Esse laço aumenta o prazer da convivência entre pais e filhos, além de servir como oportunidade para conversar sobre assuntos mais sérios em contextos descontraídos.




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