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Estado de Minas

Norte de Minas tem pasto renovado pela volta das chuvas

Com a trégua da estiagem, Norte de Minas vive, hoje, a regularidade trazida pelo último período chuvoso. Produtores buscam novo gado e preços descolam da média do mercado


postado em 01/07/2019 06:00 / atualizado em 03/07/2019 16:28

Com pastagem recuperada e tanque cheio d'água, repovoamento de nelore está sendo feito na fazenda de Sutero Neto, em Riacho do Fogo, localidade de Montes Claros (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)
Com pastagem recuperada e tanque cheio d'água, repovoamento de nelore está sendo feito na fazenda de Sutero Neto, em Riacho do Fogo, localidade de Montes Claros (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A Press)
Após seis anos de seca, a volta das chuvas regulares deu ao Norte de Minas uma inusitada condição de oferta de pastagens, mas ainda com pouco gado. Desde o último período chuvoso, de outubro a abril, houve recuperação do pasto nas fazendas, que, antes, sofreram com drástica redução dos rebanhos exatamente pela falta de condições de alimentação. No novo cenário, os produtores, os quais viveram a rotina de vender as rezes para evitar prejuízos com a estiagem, agora, querem adquirir animais.

“Realmente, podemos dizer que está sobrando pasto na região”, afirma José Luiz Veloso Maia, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros. Segundo ele, ao longo de seis anos seguidos de seca, os produtores da região reduziram seus criatórios, vendendo reses para o abate ou para fazendeiros de outras regiões. Com isso, revela, o rebanho norte-mineiro encolheu em cerca de 40%.

A informação é confirmada pelo coordenador regional do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) em Montes Claros, Marco Tulio Pelaquim. O rebanho bovino da região, que chegou a somar 3, 2 milhões de cabeças, atualmente, gira em torno de 2,45 milhões de reses. O Norte do estado enfrenta hoje a escassez de animais jovens, o chamado “apagão” de bezerros.

Devido a esse “apagão” e em função da lei da oferta e da procura, o preço de bezerros e tourinhos aumentou consideravelmente na região. “Hoje, os bezerros de um ano estão sendo vendidos por cerca de R$ 200 e a arroba (peso da carcaça) está estimada em R$ 220”, informa o presidente do Sindicato Rural de Montes Claros, José Avelino Pereira Neto. O preço da arroba de boi gordo no Norte de Minas está, atualmente, em R$ 145.

A melhoria das pastagens com a boa quantidade de chuvas animam criadores como Sutero Caetano Neto. Ele tem uma propriedade na região de Riacho do Fogo, no município de Montes Claros, onde mantém animais da raça Nelore. “As coisas mudaram muito com as chuvas. Temos pasto e tanque cheio d água”, comemora o produtor. O Rio Verde Grande, que passa ao lado da fazenda de Sutero está “cortado”.

O clima de “repovoamento” das fazendas incrementa os negócios da 45ª Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros, a Expomontes, aberta na sexta-feira e com programação até domingo. Os leilões são um dos pontos altos da mostra, considerada uma das maiores feiras do estado. Estão previstos 11 arremates de bovinos, com a projeção de venda total de 9 mil animais e a predominância da raça nelore. Um dos leilões será virtual, marcado para amanhã, às 19h.

A expectativa é de que a “sobra” de pasto nas fazendas, combinada à pouca oferta de animais, venha elevar os preços dos leilões. “Enfrentamos vários anos de seca. Neste ano, as chuvas foram regularizadas e as condições das pastagens melhoraram. Com isso, a procura pelos animais aumentou muito”, afirma o produtor Oswaldo Miranda, que, nesta quinta-feira, junto de cinco parceiros, realiza o 13º Leilão de Touros dos Criadores de Nelore do Norte de Minas (alta linhagem) na exposição de Montes Claros.

Ele informa que no arremate, além de 40 reprodutores, serão colocados à venda 120 fêmeas (novilhas) da raça. Miranda espera que os reprodutores Nelore sejam vendidos na faixa de R$ 11 mil a R$ 12 mil cada. Já as novilhas deverão ser negociadas ao preço médio de R$ 1,6 mil cada.

Financiamento

O presidente da Sociedade Rural de Montes Claros salienta que, ao longo dos anos de poucas chuvas, os produtores norte-mineiros venderam muitas matrizes, o que contribuiu para o encolhimento do rebanho da região. “Nos períodos da seca, os produtores ficaram descapitalizados e venderam muitas fêmeas para o abate. Isso influenciou muito na queda do rebanho da região”, relata José Luiz Veloso Maia.

Ele salienta que as entidades de classe do setor rural aproveitam a ocasião da exposição agropecuária de Montes Claros e realizam mobilização junto ao Banco do Nordeste (BNB) e ao Banco Sicoob Credinor (Cooperativa de Crédito do Norte de Minas) para que seja criada uma linha de financiamento destinada à aquisição e ao custeio da manutenção das matrizes em suas propriedades.

“O objetivo é que os criadores tenham capital suficiente para a reter as fêmeas nas fazendas e recuperar os rebanhos”, afirma José Avelino Pereira Neto. Durante a Expomontes é oferecida aos pequenos produtores a oportunidade da aquisição de touros com linha de crédito facilitada – prazo de pagamento de até 36 meses, por meio da Feira Pró-Genética. A iniciativa faz parte do Programa de Melhoria da Qualidade Genética do Rebanho Bovino de Minas Gerais (Pró-Genética).

O objetivo é o aprimoramento do rebanho bovino do estado. O programa foi implementado pelo governo de Minas Gerais, por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), em parceria com outros órgãos e associações de criadores.

De acordo com o presidente da Sociedade Rural, os produtores norte-mineiros também tomaram a iniciativa de aprimorar a criação, com o cruzamento do gado nelore com animais da raça Angus, que surgiu na Europa.  “Antigamente, o produtor da região demorava, em média, quatro anos para engordar um boi. Hoje, o tempo de abate do boi na região diminuiu para dois anos”, afirma José Luiz Veloso Maia. 

De equinos à carne de sol

A exposição de Montes Claros mostra ainda o potencial da criação de equinos no Norte do estado. Na feira, estarão expostos 350 animais, com destaque para a raça mangalarga marchador (150 exemplares). “Hoje, a nossa região tem um dos melhores plantéis do estado, investindo no melhoramento genético”, assegura o presidente do Núcleo do Cavalo Mangalarga Marchador do Norte de Minas, Jorge Antônio dos Santos. Nesta sexta-feira, a força da raça será apresentada em um leilão no Centro de Eventos do Parque João Alencar Athayde.

O evento também dará espaço para a pequena produção. Durante a Expomontes será realizada a Feira de Agricultura Familiar, que conta com a participação de comunidades rurais da região. A feira conta com barraquinhas, onde são vendidas comidas típicas como carne de sol, “beiju” (tapioca), doces e peças de artesanato.

A programação científica, com diversas palestras sobre a melhoria do sistema de produção, vai enfocar, ainda, o aspecto ambiental da cultura do eucalipto. Além disso, a mostra conta com a participação de instituições de ensino e centros de pesquisa, incluindo a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Encontro vai discutir apoio e acesso a crédito

Dentro da programação da 45ª Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros (Expomontes), o Banco do Nordeste promoverá nesta quinta-feira o “Encontro BNB e Produtores Rurais do Norte de Minas Gerais”. O superintendente de Negócios de Varejo e Agronegócio da instituição, Antonio Rosendo Machado, vai falar sobre a atuação do BNB e do recém-lançado programa Plano Safra, apresentando também as parcerias do banco para ações de apoio aos agricultores, regularização de dívidas e acesso a novos créditos.

No evento, serão discutidas as estratégias de atendimento a todos os segmentos do setor rural, desde o programa de microcrédito Agroamigo, voltado para o fomento à agricultura familiar, às linhas de financiamento destinadas a grandes produtores e empresas âncoras. O encontro contará com as presenças do presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim; e do diretor de Negócios da instituição, Antonio Rosendo.

Ainda na oportunidade, o superintendente estadual do BNB, João Nilton Castro, apresentará os números da carteira do BNB no Norte de Minas, Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A instituição destacará os desafios em 2019, abordando os investimentos na geração de energias renováveis, com destaque para a energia fotovoltaica.



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