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Ajustar o relógio interno

À parte, entendi o recado dos céus, enviado de forma tão carinhosa: preciso organizar melhor meus horários. Minha agenda. Minha vida


10/01/2021 04:00 - atualizado 08/01/2021 14:10


Ganhei um relógio que anda para trás. É sério. Vou contar para vocês a história desde o começo. Era noite de Natal (será que já comecei a voltar no tempo?!). O pacote estava embaixo da árvore, com o meu nome. Rasguei o papel vermelho. Sempre rasgo. Enfim, tirei lá de dentro um relógio de parede, com a estampa de uma mãe coruja e dois filhotes. Ao lado deles, vinha a frase “Aqui mora uma família feliz”.

Nosso combinado era não dar presentes, evitando a ida ao comércio na quarentena, mas gostei assim mesmo. É bom ser lembrada pelos filhos e perceber que eles se reconhecem como uma família feliz e sábia, feito as corujas. À parte, entendi o recado dos céus, enviado de forma tão carinhosa: preciso organizar melhor meus horários. Minha agenda. Minha vida. 
 
Na mesma semana, tratei de dependurar o relógio, que coube direitinho na parede mais estreita do escritório. Ficou quase perfeito. Só faltava ligar o mecanismo, movido a pilha. Não sabia onde havia guardado aquelas já usadas, mas que ainda davam para o gasto. Peguei as do controle mesmo, somente para testar.

Posicionei os ponteiros no lugar certo e apertei o botão. Funcionou, mas, para minha surpresa, as corujas começaram a voar de ré, no sentido inverso ao esperado. Nunca tinha visto um relógio anti-horário. Que coisa! O presente de Natal fez a minha cabeça girar, imaginando como seria voltar no tempo exatamente na pandemia. Não é caso para brincadeira, mas disparei a rir.

Já pensou viajar para o passado e, no retorno, ser obrigada a reviver tudo o que passamos na quarentena? Contrariando todos os livros futuristas, 2021 deve ser o pior ano da história para alguém inventar a máquina do tempo. Em vez de pílulas de comida ou de carros voadores, canalizamos toda a nossa energia para combater um vírus mortal. Felizmente, o antídoto já está aí, com as vacinas batendo na porta.

Não dei muita corda a esses pensamentos negativos. No aperto, chamei meu marido. Ele consertou o motor em instantes. Acertou o andar das horas, colocando na linha o Senhor Tempo. Veio a solução, mas ficou a pergunta. O que aconteceria se tivéssemos de voltar à estaca zero na quarentena? “As opiniões são polarizadas”, observa o educador Vinícius Moura, em live no canal do YouTube Chá Com Leveza.

Para muitos, a pandemia foi algo terrível, enquanto outros viram nela a chance de repensar valores. “Muitos ainda vão precisar de uma pandemia pessoal, íntima, para fazer mudanças na própria vida”, alerta o professor de biologia, que faz um trabalho como organizador de vidas. Segundo ele, ninguém deveria esperar ter uma lesão para poder fazer pilates ou ioga; sofrer um enfarto para melhorar a alimentação; desenvolver insônia, oscilações de humor ou crise de estresse para reduzir o ritmo de trabalho.

Antes que o sistema entre em pane, convém ajustar o relógio interno. “É preciso parar, sair do automatismo, dar um tempo para descobrir as próprias motivações, aquilo que você gosta e faz o seu olho brilhar”, diz o professor de biologia. E finaliza a entrevista com uma mensagem de esperança para 2021: “Todos nós nascemos com uma semente interna, que está viva e pronta para germinar”.

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