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Estado de Minas OPINIÃO SEM MEDO

De rachadinha em rachadinha: o clã Bolsonaro

O escândalo das rachadinhas rompe a esfera de Flávio e pode atingir Carlos e o próprio Jair


15/03/2021 17:41 - atualizado 15/03/2021 17:54

Flávio, Jair, Eduardo e Carlos: família unida (foto: Agência Senado/Reprodução )
Flávio, Jair, Eduardo e Carlos: família unida (foto: Agência Senado/Reprodução )

Para a surpresa de ninguém que não faz arminha com as mãos e não chama o verdugo do Planalto de “mito”, é evidente que o esquema das rachadinhas não era uma exclusividade de Flávio Bolsonaro; mas também de Jair e Carlos.
Eu sou brasiliense e por lá vivi até os meus 10 anos de idade, mas jamais perdi o contato e a identificação com minha cidade natal. Como na antiga e bela canção “Frete”, do genial Renato Teixeira, “eu conheço cada palmo desse (daquele) chão”. 

Como eu, qualquer minhoca que habita o subsolo - não o subterrâneo, pois este é reservado aos políticos - do planalto, sabe que o peculato, vulgarmente chamado de “rachadinha”, é prática corriqueira e comum à 99.999% dos gabinetes do Congresso Nacional. Inclusive, exportada para estados e municípios.

Anos atrás, a farra era ainda mais abrangente; 100%. Com a “lei do nepotismo”, que em tese impedia a contratação de parentes, a coisa diminuiu um pouco. Porém, de jeitinho em jeitinho, os digníssimos parlamentares inventaram o “nepotismo cruzado”, quando um colega emprega um parente do outro. Mas não só: com a imprensa, esse mal dos políticos, sempre vigilante, começaram a operar os funcionários fantasmas.

Como todos sabem, funciona assim: contrata-se gente que não trabalha e recolhe-se de volta 70% a 90% dos salários pagos. O restante é a remuneração da falcatrua. Dessa maneira, os parlamentares engordam seus já obesos salários e benefícios, roubam o dinheiro do contribuinte e fomentam organizações criminosas que operam em todo o território nacional, “lavando” os recursos obtidos ilegalmente por esses cretinos. 

Que se note: boa parte desse dinheiro sujo vai parar nas mãos de traficantes ou de milicianos, como no caso dos Bolsonaros.

Flávio

Até então, o senador da mansão de 6 milhões de reais era a face mais aparente do esquema de rachadinhas da família Bolsonaro no eixo Rio-Brasília. São Paulo, com Dudu Bananinha, por ora encontra-se fora da encrenca. 

O bolsokid 01 já é investigado, mas a providencial ajuda da Capital Federal lhe deu um belo refresco, e seu processo praticamente voltou à estaca zero.  Qualquer semelhança com um certo ex-presidente, ex-corrupto e ex-lavador de dinheiro não é mera semelhança. É método mesmo!

Quando deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flávio e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, amigo pessoal de décadas do seu pai, operaram milhões de reais em “rachadinhas”, que foram lavados através da compra de imóveis subfaturados e da venda de imóveis superfaturados, além da venda, sempre em dinheiro vivo, de chocolates e panetones de uma franquia que o bolsokid possuía no Rio. Tudo isso, segundo acusação do MPF (Ministério Público Federal) fluminense.

Jair e Carlos 

Uma minuciosa e didática matéria do site UOL, do grupo Folha, trouxe à tona nesta segunda-feira (15), a partir de documentos obtidos pela reportagem, detalhes que indicam  que o esquema de rachadinhas não era prática apenas do 01, mas do bolsokid conhecido como Carluxo, bem como do próprio papis da galerinha do barulho. As evidências são mais que robustas; são inquestionáveis.

Apenas no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro, mais de 500 mil reais em espécie foram sacados pelos funcionários, muitos deles considerados “fantasmas”, como o caso da personal trainer carioca, filha do onipresente Queiroz, que recebia como assessora parlamentar de gabinete, mas morava e trabalhava no Rio de janeiro. 

A pimpolha sacou nada menos que 90% de todo o seu salário e depositou na conta do pai, que, generoso como ele só, pagava contas da família Bolsonaro. Além, claro, de depositar 90 mil reais em “micheques” na conta da primeira-dama, Michelle.

Sergio Moro

Quando o ex-ministro da Justiça não permitiu o aparelhamento da Polícia Federal e dos órgãos de investigação fluminenses, passou a ser alvo da fúria do clã Bolsonaro e da sua milícia digital. Ato contínuo, foi pressionado a se demitir pelo então presidente Jair, e tornou-se uma espécie de inimigo número 1 do Bolsonarismo. 

Não é à toa, portanto, o conluio entre o próprio devoto da cloroquina, Jair Bolsonaro, e membros da PGR e do STF na caça ao ex-juiz federal, tentando transformar Lula da Silva em inocente e Sergio Moro em culpado. Aliás, a primeira etapa já foi concluída com absoluto sucesso. 

E agora?

Bem, o inquérito do pimpolho da mansão de 6 milhões de reais, Flávio Bolsonaro, segue seu modorrento e interminável curso rumo à costumeira e tradicional prescrição. 

Carluxo, até o momento, não foi incomodado pela Justiça e pode continuar a não trabalhar como vereador, mesmo recebendo salário para isso, dedicando-se exclusivamente a ofender os adversários e a espalhar mentiras nas redes sociais; é o que sabe fazer de melhor.

Por fim, Jair, o maníaco do tratamento precoce, enquanto estiver sentado na cadeira presidencial não poderá ser investigado por crimes cometidos antes do início do mandato. É a nossa maravilhosa lei! 

Por isso, ao menos por mais quase dois anos, poderá continuar a destruir o Brasil sem responder pelas supostas rachadinhas. Se for reeleito, caso seja processado e condenado após o fim do segundo mandato, de nada adiantará, pois os crimes (em tese) restarão prescritos, para não variar. Ou seja… tudo como dantes. E segue o jogo.

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