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Brasil e Bolsonaro perigosamente próximos do abismo

Ao pedir demissão, Sergio Moro se justifica dizendo que o presidente quer controlar a Polícia Federal


postado em 24/04/2020 14:37 / atualizado em 24/04/2020 14:52

(foto: Agência Brasil/Marcelo Casall Jr. )
(foto: Agência Brasil/Marcelo Casall Jr. )
Ninguém senão o próprio Jair Bolsonaro - e talvez um ou dois dos seus filhos -- pode explicar o que vem fazendo nos últimos dias, notadamente após a chegada do novo coronavírus ao Brasil.

Teses há aos montes: Bolsonaro é um psicopata fora de controle; investe numa situação de caos para conseguir uma ruptura institucional; está meticulosamente preparando uma espécie de autogolpe; quer ser impedido constitucionalmente... Todas essas teses são coerentes e possíveis, mas, repito, só ele e o espelho conhecem a verdade.

O Brasil é tão azarado que culminou ter justamente alguém como Jair Bolsonaro como líder, no momento mais grave (do mundo) dos últimos cem anos. Pandemia, doenças, mortes, caos no sistema de saúde, desemprego, depressão econômica, fome, miséria, violência são algumas das coisas que inevitavelmente nos esperam logo ali na esquina.

Para piorar, no Congresso Nacional (instituição desacreditada) as lideranças não são nem um pouco melhores ou abonadoras. Idem na outra Casa dos Três Poderes. Ou seja, estamos literalmente navegando à deriva em plena tempestade tropical categoria máxima.


FUTURO


Não sei o que acontecerá, mas tenho certeza que não será coisa boa. O dólar disparou (mais ainda) e já em encosta em seis reais. A bolsa afundou (mais ainda) e não há um só agente econômico nesse momento com a mínima disposição de sorrir. 

Aliás, Paulo Guedes - ao que parece, o próximo na linha de tiro - disse há alguns dias que o Brasil poderia se recuperar através do investimento privado estrangeiro, após a normalização do mundo. Pergunto: quem, em sã consciência, irá investir dinheiro num país como o Brasil?

IMPEACHMENT


Este governo acabou. Haja o que houver, faça o que fizer, acabou. Sergio Moro, inclusive, deu a senha para que se abrevie nosso sofrimento: Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao afirmar que deseja nomear um diretor de Polícia Federal que lhe seja subserviente. Pior. Que lhe repasse, a hora em que ele quiser, informações sigilosas.

A Polícia Federal é um órgão de Estado e não de Governo. Sequer a administração mais corrupta da nossa história (PT) ousou um passo tão brutal contra a lei. 

Uma coisa é demitir, por inveja, ciúmes ou sei lá mais o que, um ministro da saúde. Uma coisa é incentivar, dia sim, dia também, práticas contrárias à responsabilidade sanitária que o momento exige. Uma coisa é fazer papel de animador de auditório em manifestação de malucos pedindo o fechamento do Congresso e do STF. Outra, bem diferente, é aparelhar a Polícia Federal para poder saber (e comandar) tudo o que se encontra em investigação e em curso por lá.

Quem ainda defendia Jair Bolsonaro contra a possibilidade de um impeachment alegava que o presidente jamais havia promovido algum ato que o qualificasse ao impedimento. Diziam que palavras não eram atitudes, e que nunca houvera uma decisão objetiva de governo (contra a imprensa ou o Congresso ou o Supremo, por exemplo) que caracterizasse o chamado “crime de responsabilidade”. Hoje, há.

MORO

Sergio Moro é um hábil comunicador e um excelente estrategista. Seu histórico mostra isso claramente. Engana-se, inclusive, quem imagina que ele errou ao aceitar o convite para ser ministro e abandonar mais de 20 anos de magistratura. Em verdade, Moro sempre soube que dias melhores lhe esperariam ou na iniciativa privada ou em cargos eletivos majoritários, caso tudo desse errado (como deu agora).

Não detalhou, tim tim por tim tim, a conversa que teve com o presidente da República à toa, não. Frases como “interferência política” e “desejo de controlar” não foram ditas ao acaso. Ao contrário. O ex-ministro contava com um roteiro escrito o qual consultava com os olhos a todo instante. Moro literalmente "prestou depoimento" contra Jair Bolsonaro, ao vivo e em cores para todo o brasil.

Ainda estamos muito distantes de 2022. Neste momento, e nos próximos meses (talvez ano), estaremos às voltas muito mais com saúde e economia que com política. Duvido que Sergio Moro dê passos contundentes, neste ou naquele sentido, precipitadamente. 

Mas me parece que, a depender das condições futuras, surgiu hoje o candidato de “centro-direita honesto” que tanta gente gostaria para a próxima eleição presidencial (se houver!).


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