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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Como estão os brasileiros democratas e pacifistas?

Oprimidos, insatisfeitos, desamparados, em desacordo com o autoritarismo e o desrespeito à Constituição. E ainda odiados pelos ultradireitistas


30/05/2021 04:00 - atualizado 02/06/2021 15:27


Quanto mais penso, mais chego à conclusão de que ser democrata e brasileira e viver no mundo neste momento histórico é uma tremenda comoção. E não apenas comove, mas também nos faz impotentes em certa medida, pois ao que assistimos é um “teatro de horrores”. Não é esta a voz de uma depressiva, negativista. É a voz de alguém fundamentalmente inconformada por ver que há no mundo mentes e corações que não se importam.

A diversidade é bem-vinda, não se trata de aplainar as diferenças, fazer de todos o mesmo. Não, jamais seria possível tal pesadelo, jamais seremos um. Jamais pensaremos e sentiremos da mesma maneira a respeito do que quer que seja. Mas no mínimo poderiam as pulsões de vida e morte serem mais equilibradas. Ilusão? Simples desejo.

A democracia brasileira está em colapso. A Constituição, pisoteada tantas vezes, se tornará ilegível. Não existe mais Estado de Direito, respeito ao cidadão, contenção dos autoritarismos. Vejamos as consequências do que se passa no nível psíquico de um sujeito diante das tantas contradições.

A pena de morte não é legalizada, mas legitimada, sendo o Brasil o campeão em assassinatos praticados contra o cidadão, pela polícia, milícia e outros. Vejamos que, em meio a uma pandemia, o representante de um Estado democrático é investigado por evitar, de todas as maneiras diretas e indiretas, cuidar de sua população, só agindo a favor da vida sob pressão extrema.

Assistimos à indicação do procurador-geral da República, Augusto Aras, escolhido fora da lista tríplice dos eleitos pela Associação Nacional dos Procuradores da República, de perfil conservador, que mostrou afinidade com as ideias do presidente, e nitidamente a serviço daquele que o impôs, fugindo das regras praticadas em uma democracia e todas as instituições de defesa da democracia silenciarem. Assistimos ao toma lá da cá do presidente com o Centrão, hoje muito beneficiado através de emendas milionárias, silenciados.

A união do Estado e da religiosidade a favor da família, tradição e propriedade como instrumento ideologizante de uma população crédula e simpatizante com tudo que não for Lula e PT, que são sinônimo de comunismo. Para nos livrar do comunista, sejamos fascistas. Que bela proposta!!!

Voltemos à Inquisição, à Idade Média, queimemos cientistas e livros que provam que a COVID é mais que uma gripezinha, tomemos cloroquina e deixemos os familiares em casa quando a complicação chegar, pois afinal todos morreremos um dia, então que morramos já.

Sejamos excomungados por nossos semelhantes ao discordar. Por perceber que no Brasil as decisões mais importantes e óbvias são todas atrasadas, e só acontecem depois que deu errado. Não haveria um político que pudesse fazer a coisa certa? Em tempo?

Enquanto se espera, milicianos são agraciados pela medalha Tiradentes, mesmo presos por assassinato. Se homenageiam torturadores, matam Marielles, controlam favelas, extorquem os pobres e a miséria aumenta assustadoramente. Continuaremos ressentidos e odiosos negando o óbvio? Continuaremos permitindo no Brasil a corrupção endêmica, que encena a condenação dos inimigos para continuar praticando a sua própria?

Enquanto isso, sai madeira ilegal “legalizada” para o exterior. Rendas dos políticos triplicam em dois, três anos, quisera eu pudesse com trabalho honrado fazer o mesmo com meus caraminguás. Mas este gozo perverso é para poucos e ousados.

Enquanto se estreitam os limites das terras indígenas, os detritos de minérios pesados jorram em nossos rios. Enquanto aplainam nossas montanhas alterando a geografia e desertificando nossas Minas Gerais já esgotadas.

Então, como estão os brasileiros e brasileiras democratas, pacifistas, homens e mulheres de bem no mundo hoje? Excomungados, em extraterritorialidade. Nem precisaria ser psicanalista para responder. Mas respondo como tal. Oprimidos, insatisfeitos, desamparados, fragmentados, em desacordo com o autoritarismo e o desrespeito à Constituição e lutando pela restauração da democracia. E ainda odiados pelos ultradireitistas.

Mas não deixaremos por isso de afirmar o repúdio à pena de morte, a quem não nos representa. Quem poderá nos representar, a nós, o um a um que somos? Muitos destes uns, capazes de fazer laços sociais reais, solidários, de respeito à democracia, acatando a Constituição brasileira e elevando a voz sob a lâmina afiada da verdade. 

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