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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Karol Conká: haverá cura para toda perversidade?

Ao sair da casa, rapper disse que surtou...pediu perdão. A raiva faz a pessoa mostrar a verdadeira face, que de outro modo ninguém veria


28/02/2021 04:00 - atualizado 28/02/2021 07:45

Atitudes de Karol Conká no
Atitudes de Karol Conká no "BBB21" foram vistas como abuso por telespectadores (foto: Globo/Reprodução)

Estamos em tempos difíceis, e mesmo que alguns o neguem, outros haverão de concordar. Os de bom senso admitirão que a negação incentiva a continuidade do contágio, agrava os problemas não resolvidos, perpetuando um sofrimento que poderia ser mais breve.

É o que desejamos. Sendo modestos, sofrer menos já é ser um pouco menos infeliz, e com esta matemática seria de bom-tom para si mesmo pensar em economizar tempo de contrariedades resolvendo prontamente aquilo que lá na frente vai complicar.

Nem todos fazem esta conta preferindo empurrar tudo que tem que resolver para debaixo do tapete, deixando a má vontade e a recusa dominarem todos os assuntos práticos da vida e assim embolando a cada dia tudo que se pode deixar para depois.

Aliás, tudo que se quer crer que pode ser deixado para depois, porque de fato não pode. Mesmo assim, evita-se o que contraria, corre-se atrás do bem-estar e do conforto e, no fim, o resultado pode ser terrível. Dizia Guimarães Rosa: viver é perigoso. Se assim é, todo cuidado e zelo são inevitáveis. Não dá pra adiar e é preciso perder um tempinho todo dia pra resolver aquilo que necessitamos que ande bem.

Saber disso sabemos, difícil é a prática. Entre o racional e o afetivo, há um mundo. Muitas vezes, um furo de todo tamanho que não sabemos administrar. Dias atrás vi um caso assim de grande ambiguidade. Escutando a rádio “CBN” enquanto dirigia, os comentaristas discutiam sobre a polêmica Karol Conká, excluída do programa “Big brother Brasil” com índice elevadíssimo de reprovação popular. Os comentaristas diziam que havia coisas mais importantes para comentar e o outro respondeu: “Deixa o povo ser feliz...”

A questão é que o ocorrido tem certa importância, pois tornou-se um fenômeno social com direito a panelaço e torcida. O conteúdo explosivo, preconceituoso e colonialista das declarações da cantora de visual tão moderno assustou as pessoas trazendo forte comoção e recusa à cantora que humilhou, diminuiu, excluiu da mesa um dos participantes. Chocou com a agressividade e soberba demonstradas.

Ao sair da casa, ela disse que surtou...pediu perdão. Caiu em si. A raiva faz a pessoa mostrar a verdadeira face, que de outro modo ninguém veria, nem ela própria, segundo afirmou. Disse também que buscará se tratar. Este foi o discurso de reabilitação, pelo menos o único caminho que provavelmente sua assessoria lhe propôs. De qualquer modo, nem todo pau que nasce torto morre torto, isso a psicanálise pode confirmar. Mas haverá cura para toda perversidade?

Esta declaração me levou a Althusser, filósofo e também professor de matemática da Sorbonne. Este, sim, surtou, e escreveu o livro “O futuro dura muito tempo”, no qual relata o despertar do surto diante da esposa que amava estrangulada.

Concluiu horrorizado ser ele próprio o autor de tal crime hediondo e entregou-se. Foi declarado inimputável pela Justiça, condenado a dois anos de detenção em casa de tratamento psiquiátrico. Não aceitou pena tão leve, exigiu castigo maior e, não sendo atendido, escreve o livro na tentativa de explicar o inexplicável.

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