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Ivermectina e cloroquina não adiantam

Quem de bom senso e índole concorda com o desmando e mando autoritário que vem de cima e ignora a lógica e a ciência?


postado em 12/07/2020 04:00

Em pleno ritmo de retrocesso, voltamos todos para o começo do recomeço. Como escreveu Haroldo de Campos: “E começo aqui e meço aqui este começo e recomeço e remeço e arremesso e aqui me meço quando se vive sob a espécie da viagem...”, trecho do livro Galáxias, do qual me lembrei e dei meu próprio sentido ao trazê-lo para nossa realidade, atualmente, com cara de ficção científica.

Hoje a vida imita a arte, imita filmes de ataques interplanetários, com batalhas de vencer o invencível, o invisível, que aqui, quando parece que enfraquece, se reaquece, renasce, recomeça e começa e recomeça e vem de novo em ondas e só o futuro nos responderá. Até então tudo parece insanidade.

E não apenas o coronavírus tem esta característica surrealista. As cadeiras de nossos ministérios da Educação e Saúde também. Tantos traseiros ali se assentaram sem aquecer a poltrona. Em tempo recorde, em plena crise sanitária, somente desqualificados concordam em se estabelecer na cadeira da Saúde, o que significa ir na contramão da ciência ou cair fora.

Quem de bom senso e índole poderá concordar com o desmando e mando autoritário que vem de cima e ignora a lógica, a ciência, impondo-se na contramão de tudo que é racionalmente obedecido no mundo?

Claro, há aspectos preocupantes quanto à economia, inegáveis, porém escutei um argumento que espelha a preocupação geral e que justifica o que temos vivido neste abre e fecha: entre o CPF e o CNPJ, o que podemos escolher?
Entre a Bolsa de Valores e a vida, se tomados de assalto, o que fazer? Escolher a bolsa é perder a vida. Escolher a vida é ficar sem bolsa. E viver apesar da perda. Que cada um responda por si. Impossível responder por todos.

Porém, esta impossibilidade cabe aos governantes encarar já que devem responder por todos os seus eleitores, por representá-los, e a cada um por ter sido eleito, um enorme desafio. Bem disse Freud: governar é tarefa impossível, assim como educar e psicanalisar...

O obscurantismo parece dominar. Cada dia recebemos indicação de uma solução preventiva mágica que promove uma corrida às drogarias, esgota como fumaça, depois de ter o preço dobrado, quiçá triplicado ou mais. Afirma o Dr. Samuel Vianney da Cunha Pereira, importante clínico e cardiologista de nossa cidade que: “Nenhuma ivermectina e cloroquina adianta, o que adianta é o isolamento social”.

De volta pra casa. E aqui estamos testando nossa paciência e criatividade para nos suportar a nós próprios e aos demais que ainda restam, felizmente, por perto para dar um consolo. Porque sem o olhar, sem outro corpo para nos passar suas vibrações, a vida é desértica e deprimente. Não que não sejamos sós em nós mesmos, e somos, mas o outro nos consola, nos suporta em certa medida.

E assim vivemos tempos difíceis. E não podemos evitar de ficar muito bravos com os que acima do bem o do mal ocuparam as ruas do Leblon como se nada estivesse acontecendo, sem nenhuma noção do que seja solidariedade. Expuseram-se ao contágio de peito aberto, sem pensar na progressão que isto possa significar aos demais.

E fica a pergunta que nunca se cala quando se trata do humano: por que não basta a informação para que as pessoas reajam como devem? Ou seja, todos sabem como contrair HIV, enfisema, cirrose, diabetes e, por fim, a bola da vez. o coronavírus... E mesmo assim... continuam a desafiar o destino se expondo a serviço da pulsão de morte, que tantas vezes vemos sapatear na cara das pulsões de vida.

Um fim trágico ou precoce poderia ser evitado, adiado, nos permitindo anos a mais, e muitas vitórias, mesmo que, ao final, por sermos finitos, as primeiras ganhem a partida.







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