Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

O carnaval é uma folga da vida real

Na folia momesca, a falta de grana, a fatura do cartão, o emprego que não saiu ou que se perdeu, o concurso em que não passou ficam para trás


postado em 23/02/2020 04:00

No carnaval, as pessoas caem na folia. É a festa da alegria. Se o coração estiver triste, o lema da hora é “levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”. As pessoas esquecem a tristeza e saem pra rua, vão dançar e comemorar a vida.

Vestem a fantasia preferida, que as representa, com a qual se identificam e abrem um parêntesis na vida. Liberdade abre as asas sobre elas. Quem vê um folião se esbaldando no salão, nem imagina que ali naquele coração a tristeza pede uma trégua e fica de lado esperando a festa acabar para ser lembrada.

O carnaval é uma folga da vida real. Tudo que precisa de solução, todos os problemas vão esperar para depois que a banda passar. A falta de grana, a fatura do cartão, o emprego que não saiu ou que se perdeu, o concurso em que não passou, a briga com o irmão. Tudo agora está de “alta”. Abre alas que eu quero passar...

E é impressionante, as pessoas realmente conseguem fazer isto. Conseguem ser felizes nesses dias, mesmo sabendo que ali na frente, depois da quarta-feira de cinzas, terão de recuperar assuntos interrompidos e tocar a vida outra vez. Mas a trégua valeu para oxigenar o cérebro, para reanimar o corpo, para trocar sorrisos pela rua com gente que nunca se viu, lembrando que além dos pequenos e grandes dramas individuais, existe alegria.

E é importante manter alguma distância dos problemas imediatos, pois este tempo de suspensão favorece. Traz novo fôlego e, com ele, um sopro de força renovada. Toda alegria renova a força para continuar a peleja. A figura do Arlequim é exemplar: traz uma lágrima no rosto pela Colombina e dança no salão com o coração partido, levando a marca registrada na face. Está na cara, mas no baile ninguém quer ver, saber, nem lembrar...

O que seria de nós se não conseguíssemos sublimar nossas dores e transformá-las em arte? O que seria de nós se não conseguíssemos deixar de lado nossas preocupações para continuar a vida? É preciso seguir a vida apesar de nossos problemas e dissabores. Se sentássemos para chorar, jamais resolveríamos outras tantas coisas.

Seríamos eternos melancólicos incapazes de vislumbrar que, além de uma montanha, há outra e mais outra e assim vamos seguindo, apesar do real imperfeito, incompleto e das constantes castrações e frustrações pelas quais passamos o tempo todo e das quais não podemos jamais fugir enquanto vivos.

A melancolia é a incapacidade de finalizar um luto. É manter sempre aquela nuvenzinha negra sobre a cabeça, carregando-a para onde for sem esquecer o que perdemos, o que deu errado e o que sofremos. É como viver sempre dizendo – ó como sofro, ó dor, ó céus, ó vida, ó azar, como a hiena Hardy do desenho animado.

Um bom retrato de pessoas pessimistas que sempre acham que vai dar tudo errado... O carnaval é festa que já deu certo... que manda a mensagem de que apesar de tudo a vida está aí para ser vivida e temos todo o direito de desfrutá-la. Antes de tudo estão nossas escolhas que determinam nossas alegrias ou tristezas. Elas nos trazem resultados do que plantamos e terão como consequência a alegria ou a lamentação. Mas no carnaval... até isto pode esperar se a pessoa decidir cair na folia e soltar as feras na pista.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade