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Dois belos espaços em BH apostam na potencialidade do ser humano

Vale a pena conhecer o Segunda Letra, dedicado a autistas, e o ateliê de Beth Gressi, que reúne bordadeiras


postado em 08/12/2019 04:00 / atualizado em 06/12/2019 15:59

(foto: Fernando Lopes/CB)
(foto: Fernando Lopes/CB)
Fim de semana último foi de eventos interessantes. No domingo, a inauguração do Espaço Segunda Letra com a exposição de Cristiano Perdigão em tinta acrílica, tela e madeira. O Espaço Segunda Letra, sem fins lucrativos, é constituído por um grupo de profissionais das áreas de saúde, educação e artes com a finalidade de acolher e dar tratamento a crianças, adolescentes e adultos autistas e outros do espectro autista. Os trabalhos serão feitos por voluntários e contarão com doações dos usuários.

Com sede à Rua Edgard Coelho, 98, Serra, a proposta sustenta-se no reconhecimento do valor terapêutico de uma equipe interdisciplinar, tendo a psicanálise como direção de intervenção.

A dimensão de singularidade de cada sujeito envolvido nesse trabalho coloca-se como necessária e inquestionável. A singularidade essencial, que no autista muitas vezes traduz-se em silêncio e isolamento enigmático. Segunda Letra propõe uma escuta a esse sujeito, intervindo e afetando com a presença, que caracterizam o campo de saber da psicanálise.

Estimular e reconhecer as mínimas manifestações da linguagem dos sujeitos é promover e expandir sua subjetividade, favorecendo a realização possível de suas potencialidades. É um espaço muito bem-vindo, que ocupará uma lacuna para as famílias que convivem com o sujeito autista e, com certeza, poderão contar com o suporte e acolhimento de excelência na nossa cidade. Contato: segundaletra.bh@gmail.com ou WhatsApp (31) 98201-3959.

No sábado, a emoção tomou conta daqueles que tiveram a sorte de visitar a exposição Bordados criativos do Entrelinhas e Bordados, da professora Beth Gressi. Um ateliê de bordadeiras aprendizes com conteúdo feminino expresso na coleção de lindas bonecas com dizeres e frases sobre as mulheres, sua situação atual na vida e seus desejos. Ainda outros trabalhos enriquecem esse bordado delicado e lindo.

A arte sempre foi e será nossa forma de expressão mais sofisticada, possibilitando a sublimação das pulsões e a realização de desejos, o que só pode resultar em uma iniciativa positivamente sensível. As mulheres bordadeiras desse grupo, segundo as palavras de um dos apreciadores da exposição, produzem arte inserida em temáticas sociais que esperamos ver se realizarem um dia.

Elas trabalharam como abelhinhas, mostrando disposição de fechar o ano com chave de ouro. Conseguiram se colocar como mulheres em formas delicadas. Já não interessa queimar sutiãs em praça pública, pois isso não se faz necessário. Hoje, realizamos nossos desejos, falamos sobre sentimentos e mudanças que queremos a fim de tornar nosso mundo melhor, embora ainda enfrentemos momentos bastante difíceis. Ainda somos alvo de violências e da covardia contra as mulheres por inconformismo dos homens em suportar a perda e/ou a falta de um afeto do qual não podem abrir mão senão por seu avesso, o ódio.

Perder esse afeto seria a experimentação da própria morte subjetiva. E passar ao ato, exterminar o outro, é a reversão do amor em ódio e vingança. Um terrível equívoco, como se fosse possível ficar livre da dor matando o objeto de amor.

Engano. Tal objeto estará sempre ativo em sua fantasia, tornando-se um fantasma que assombra o restante de seus dias, caso não seja um psicopata. Este não experimenta culpa jamais.

Alguns homens têm se unido em grupos para conversar sobre suas dificuldades afetivas, que têm raízes no machismo e na educação que proíbe a sensibilidade por medo de um feminino que não deveria nunca estar ausente da alma masculina.

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