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Fláviad'aves lança o livro infantojuvenil 'Era uma vez o tempo'

A conversa sobre o que é o tempo viaja solta na imaginação trazendo respostas que não respondem com o saber, mas versam, passeiam, voam.


postado em 01/12/2019 04:00 / atualizado em 29/11/2019 16:09


Recentemente, recebi da poeta Flávia Drummond Naves, que assina agora Fláviad’aves, mais uma demonstração de talento: Era uma vez o tempo, livro infantojuvenil, a meu ver, um poema-história em edição bilíngue. Português e italiano comparecem entremeados de lindas ilustrações de Ricardo Corrêa numa conversa entre avô e neto. A editora ítalo-brasileira Khàire fez um belo trabalho.

A conversa sobre o que é o tempo viaja solta na imaginação trazendo respostas que não respondem com o saber, mas versam, passeiam, voam. Um delicado e amoroso avô se dispõe a tentar afetivamente responder ao neto que apreende e embarca nos versos, retirando da cartola do mágico apressado sua própria conclusão sobre o que é o tempo. Lindo, delicado.

Toda criança deveria brincar de ideias e palavras com um adulto disponível a brincar com elas. A alegria surge desse bom encontro. Fiquei encantada com a liberdade utilizada para dizer alguma coisa sobre o tempo. Qualquer coisa, em associações livres.

Depois de ler duas vezes o singelo livrinho azul, pensei que tantas pessoas ainda têm filhos sem planejar, sem desejar e sem a disponibilidade necessária para se doar ao brincar infantil, aos devaneios e às brincadeiras tão fundamentais na infância.

As pessoas que têm crianças sem vontade acreditam ser esse fato irrelevante para o futuro da criança assim nascida. Ledo engano. Todos somos capazes de sentir quando bem-vindos ou não – pela mãe, o pai ou quem o criou. Basta um pouco de inteligência, observação e sensibilidade para perceber no transcorrer da vida qual é o afeto que nos afeta.

Sim, somos grandes negadores e não queremos saber de muitas coisas que nos trarão sofrimento. Sobre o que nos afetou, o afeto que nos afeta e, sendo negativo ou positivo, estará gravado na alma, registrado inconscientemente, deixando escapar os seus efeitos. Pistas nem sempre sutis do vivido e não compreendidas na consciência e por meio da razão afetam – e muito – a vida toda.

Portanto, cabe saber a importância da atenção e do cuidado com nossas crianças. Não a superproteção que encobre culpas e motivos inconfessáveis, não a impaciência e zanga pela dependência e demanda que vem com elas, mas a possibilidade de falar com elas. Mas não sejamos ingênuos repetindo o refrão de que amor de mãe é sagrado, pois sabemos que mães e pais falham e nem todos são tão amorosos como idealizamos.

Pais e mães causam danos e mortificação a suas crianças quando não têm capacidade de escutá-las, acolhê-las. Mesmo assim, quantas vezes vemos triunfar crianças sadias e capazes nascidas da rejeição? E outras frágeis e débeis por causa do mimo excessivo? Cabe a nós educá-las para o futuro, para serem capazes.

Na última semana, vimos uma mãe acabar com a vida do filho que lhe foi tomado, entregue à avó, que resolveu devolvê-lo à mãe, com problemas mentais. Esta, sem condições para cuidar, deu fim à vida da criança. E fez a tragédia. Nem sempre a mãe é o melhor, mas quem sabe um avô ou avó queridos ou qualquer um que acolha, não salva uma vida?

Bem cantou Caetano: “Gente lavando roupa amassando pão/ Gente pobre arrancando a vida com a mão/ No coração da mata gente quer prosseguir/ Quer durar, quer crescer, gente quer luzir.../ Gente é pra brilhar.”

Gente é pra brilhar não pra morrer de fome. Seja que tipo de fome for, porque a gente não quer só comida, a gente quer amor, diversão e arte. E com alegria recebemos dos artistas belas manifestações que são exatamente sensíveis ao que a humanização da cria requer para florescer. Exemplo disso são os livros escritos para as crianças. E o acolhimento de ter bons momentos com elas.

Da mesma Fláviad'aves, em recente lançamento, Quatro horas a mais, pela Cas’a Edições (2019), poemas-carta de saudade de alguém distante em outros fusos. E com ilustrações da autora, que mandou bem. Vale a pena conferir.

Aos interessados, a Khàire Editora e o Centro Cultural Pontos de Vista convidam para o lançamento em 7 de dezembro, das 10h às 15h, na Rua Leopoldina, 626, Santo Antônio. Às 11h30, tem contação de história com Rosangela Alves. Até lá!


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