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Estado de Minas EM DIA COM A PSICANÁLISE

Texturas do vazio

Dar suporte simbólico através da palavra, da escrita, da crítica ética é imprescindível


postado em 23/06/2019 04:00 / atualizado em 01/07/2019 14:11

Um convite ao leitor: escutar!. Escutar o que os 29 capítulos do livro Texturas do vazio em psicanálise têm a dizer sobre o vazio num mundo tão cheio, tão repleto, tão poluído por objetos de toda espécie.
Esse convite estampado na orelha do último lançamento da Editora Letramento provoca o leitor a entrar, tomar seu lugar e partir para a leitura. Texturas do vazio em psicanálise, organizado por Rodrigo Mendes Ferreira e Gustavo Rodrigues Borges de Araújo, é um trabalho primoroso. A coletânea conta com a participação de psicanalistas mineiros com os quais tive o prazer de compartilhar esta escrita. Nos debruçamos sobre as questões do contemporâneo, oferecendo ao leitor várias perspectivas e diferentes caminhos, cada um com sua maneira de falar sobre o vazio. Se começa bem desde a orelha, continua ainda melhor no prefácio assinado pelo psicanalista Fábio Borges, uma incursão curiosa sobre os prefácios publicados no livro Prólogos, de Pablo Neruda. Um conjunto heteróclito de diversos prólogos de obras que palpitam, pulsando com vida própria, devido à sua beleza e expressividade. Assim é também aqui, neste livro, que de início nos incita à leitura. As palavras que deram vida a esta coletânea – a terceira de uma série que promete ir além – brotaram das conversas entre os dois organizadores em torno de palavras que foram surgindo: vazio, desamparo, desnorteamento, caos e singularidade. Depois disso, seguiram os convites para participação, a seleção de textos de grande multiplicidade e originalidade. E não foi pouco o trabalho. O esforço de aliar a prática com a teoria está explícito em cada texto que percorremos apontando para o fato inegável de que nenhum saber é completo e que não se pode chegar nunca à última palavra. Não existe saber completo e acabado, nos lembra Borges, ao apresentar o livro nos apontando que a psicanálise trabalha sempre com o não assimilável. Assim adentramos as páginas que se seguem ávidos em percorrer cada capítulo, cada autor que se debruçou produzindo sua escrita, trazendo seu estilo particular de escutar e traduzir o real que hoje se apresenta e requer de todos nós trabalho e o esforço de continuar. Dar suporte simbólico através da palavra, da escrita, da crítica ética é imprescindível no mundo atual, saturado de uma imaginarização proliferante e acelerada que tem pressa de alienar o sujeito nas garras das ilusões de plenitude, felicidade e outros gozos que só trarão ao final a massificação e a certeza do fracasso de nos aproximar de qualquer desejo singular. Uma coletânea que nos oferece boa safra de autores de diferentes gerações, que escolheram temas diversos e ofereceram seu olhar e suas versões apoiadas na psicanálise. Encontraremos, para citar alguns temas, o feminicídio, o amor, as mulheres, a infância, a toxicomania, o desamparo dos pais diante do diagnóstico do autismo, o suicídio de adolescentes, a singularidade no coletivo, a perversão, os progressos da cultura e a felicidade – e muitos outros que com certeza fornecerão aos interessados vasto material para alimentar o desejo de compreender e saber mais um pouco sobre o que vivemos hoje. O lançamento de Texturas do vazio em psicanálise será em 29 de junho, das 11h às 14h, na Livraria Ouvidor (Rua Fernandes Tourinho, 253, Savassi).


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