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Setembro tem bons sinais de que o pior da crise ficou mesmo para trás

Têm boa chance de errar os apressados que tomarem o resultado a ser divulgado hoje para confirmar a expectativa que se tinha no início da pandemia


01/09/2020 04:00 - atualizado 01/09/2020 00:11

O movimento de veículos de carga em junho e julho na BR-040 e BR-050 superou níveis de antes da pandemia em 10,8% e 11,6%, respectivamente.(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 3/4/15)
O movimento de veículos de carga em junho e julho na BR-040 e BR-050 superou níveis de antes da pandemia em 10,8% e 11,6%, respectivamente. (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 3/4/15)

O nono mês deste pandêmico 2020 começa hoje com sinais que fazem lembrar o tal copo com vinho até a metade. Para os pessimistas e, principalmente, para os que torcem contra o Brasil (seja lá por qual motivo), ele está dramaticamente meio vazio; para os otimistas, ele está meio cheio. Há uma terceira turma que, antes de qualquer conclusão, prefere analisar as tendências reveladas pelas séries históricas.
Para esses, os sinais são de que o pior da crise parece já ter passado, mas, como sugere a prudência em relação à COVID-19, a volta dos bons tempos dependerá de decisões e de posturas que o governo e as pessoas de bem tomarem agora. E isso vai desde a redução da cegueira em relação aos indicadores da economia até o assassinato do bom senso quanto ao real estágio de conhecimentos sobre a COVID-19.
 
Para começar, ninguém deve se assustar com o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar hoje. Trata-se dos números relativos ao segundo trimestre do principal indicador de desempenho da economia de um país, o Produto Interno Bruto (PIB). Quase ninguém que segue os dados da atividade econômica espera menos do que um recuo entre 9% e 10%. Visto isoladamente é, sim, um verdadeiro desastre.
O período analisado inclui o mês de abril, verdadeiro fundo do poço das consequências negativas da paralisação da economia brasileira, que já tinham sido percebidas em março. Contudo, a vida continuou e os meses de maio e junho mostraram os primeiros sinais de que estávamos saindo do olho do furacão, embora longe ainda de evitarmos a queda do PIB trimestral.
 
Mas têm boa chance de errar os apressados que tomarem o resultado a ser divulgado hoje para confirmar a expectativa que se tinha no início da pandemia, quando muitos estimavam queda de 11% a 13% em 2020. A abertura gradual de lojas e fábricas em várias partes do país mostrou uma animadora força de retomada, claramente impulsionada pelas medidas emergenciais tomadas pelo governo.
 
Pesaram positivamente os programas que evitaram que o desemprego fosse ainda maior, que inúmeras pequenas e médias empresas fossem varridas do mapa por falta de crédito (esse foi o setor que mais enfrentou dificuldades) e que permitiram que cerca de 65 milhões de brasileiros fossem beneficiados por uma ajuda financeira de R$ 600 mensais (maior programa de transferência de renda do mundo, no valor de R$ 50 bilhões por mês).

DERRUBANDO PREVISÕES

De volta ao copo meio cheio, a resposta positiva a esses estímulos e à flexibilização da quarentena vem derrubando a cada dia as previsões mais pessimistas. Os últimos dados inquestionáveis do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) surpreenderam ao registrar a criação de 131 mil vagas líquidas (já descontadas as demissões) em julho, quebrando a sequência de quatro meses de quedas.
 
Nas últimas segundas-feiras, o Boletim Focus (média de projeções de 100 agentes e analistas financeiros privados coletadas pelo Banco Central), vem sistematicamente derrubando as estimativas negativas para o PIB deste ano. Ontem não foi diferente, a expectativa baixou pela nona vez, caindo de 5,45% para 5,28%, além de manter previsão de crescimento de 3,5% em 2021.
 
Ainda ontem, o Estado de Minas informou em manchete que “Caminhões voltam em peso às estradas”, ao registrar, com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que, em pelo menos duas das mais importantes rodovias federais que cortam o estado, a BR-040 e a BR-050, o movimento de veículos de carga em junho e julho tinha superado os níveis de antes da pandemia em 10,8% e 11,6%, respectivamente.
Esse é mais um clássico termômetro do aquecimento dos negócios, já que estabelece a circulação de mercadorias entre a indústria e o comércio. Vale lembrar que, durante a maior parte da pandemia, só não pararam os caminhões que garantiram o escoamento de produtos das lavouras.

RENDA BRASIL

Mas assim como é cedo para garantir que a crise sanitária foi totalmente vencida, não se pode dar como encerrados seus efeitos danosos sobre a economia. De um lado, continua sendo expressiva a perda de arrecadação tributária provocada pela paralisação da economia. De outro, a crise só não foi pior graças à decisão do governo de abrir mão do controle dos gastos, interrompendo as até então bem-sucedidas austeridade fiscal e redução gradual da dívida pública.
 
Agora, o que se espera é que não se perca de vista o compromisso com a recuperação da credibilidade da gestão pública, da qual depende a confiança do investidor privado. Isso passa pela austeridade fiscal, mesmo quando se torna inevitável a manutenção de programas de cunho social.
É esse o caso da ajuda financeira emergencial às pessoas prejudicadas pela pandemia. Não falta consenso na sociedade e no governo quanto à justeza do Programa Renda Brasil, assim como foi correta a decisão de mantê-lo nos limites possíveis do caixa.

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