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Apostas no Brasil

O Brasil tem tudo para se tornar a melhor das opções de investimento. Só depende de fazermos nosso dever de casa. Reformas já!


postado em 19/03/2019 11:47

 “Estávamos preparados para ganhar”. Essas palavras lembram as tradicionais declarações de jogadores de futebol, após vencerem um torneio muito disputado. Mas o autor e o contexto em que ele as pronunciou na última sexta-feira chamaram a atenção de outro tipo de público. Elas não passaram despercebidas dos analistas internacionais de investimentos, para quem são sinais de que a economia brasileira pode estar às vésperas de ingressar em um novo ciclo de crescimento.


Juan José Álvarez, diretor da área internacional da Aena, estatal espanhola que administra o aeroporto internacional de Madri, além de outros em vários países, deixou claro, com essas palavras, por que aceitou pagar o impressionante ágio de 1.010% sobre o valor inicial estabelecido pelo governo para a concessão de cinco aeroportos localizados no Nordeste brasileiro. Esse era o mais cobiçado lote do leilão de 12 terminais aeroportuários colocados em disputa no pregão da Bolsa de Valores, em São Paulo.

A empresa espanhola chegou a ser ameaçada pela suíça Zurich Airport que, na fase de lances ao vivo, fez uma oferta de R$ 1 milhão acima da oferta inicial da Aena, que tinha sido de R$ 1,85 bilhão. Mas os espanhóis não pareciam dispostos a abrir mão de recuperar o tempo perdido por não terem participado de leilões anteriores envolvendo aeroportos no Brasil. Por isso mesmo, arredondaram sua oferta para R$ 1,9 bilhão, fechando o negócio.

Foi um dos mais disputados leilões de concessões realizados no Brasil nos últimos anos. Contra os espanhóis e os suíços, concorreram grupos da Alemanha, da França e do Brasil. Por reunir terminais em locais de grande potencial turístico, o pacote com os aeroportos de Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB) era considerado imperdível para a empresa espanhola, que tem experiência em atender esse tipo de mercado.

O resultado do leilão da semana passada parece indicar que Brasil entrou de vez nos planos das grandes operadoras mundiais de terminais aeroportuários. A Aena não esconde sua intenção de participar das próximas rodadas de concessões de aeroportos ainda sob a administração da estatal Infraero, incluindo o Santos Dumont (RJ), o Congonhas (SP) e o de Curitiba (PR).

O BRASIL INTERESSA


Os espanhóis não estão sozinhos nessa avaliação do potencial de negócios no Brasil. Os suíços da Zurich Airport, que disputaram o lote Nordeste com a Aena, vão na mesma direção. E eles não são novatos no Brasil, pois já operam os aeroportos de Confins e de Florianópolis. A Zurich Airport saiu do leilão de sexta-feira com as concessões dos terminais de Vitória (ES) e Macaé (RJ). Pagou por elas R$ 437 milhões, representando ágio de nada menos do que 830% sobre o preço de partida fixado pelo governo.

Com isso, os suíços dobram a participação da Zurich no mercado brasileiro de terminais aeroportuários, confirmando a avaliação positiva de seus negócios no Brasil. Mesmo enfrentando o período de recessão da economia do país no período 2014/16 e o crescimento pífio dos últimos dois anos, a Zurich, que tem como sócia em Confins o consórcio brasileiro CCR e a própria Infraero, cumpriu pesado programa de investimentos em ampliação e modernização dos dois aeroportos conquistados no país.

O resultado é animador, inclusive para os usuários. O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins – antigo muro de lamentações por sua precária estrutura de atendimento ao público – acaba de ser eleito o melhor da América Latina e Caribe na categoria até 15 milhões de passageiros anuais. O terminal conquistou o prêmio Airport Service Quality (ASQ), concedido pelo Airport Council International (ACI) World, entidade que reúne as autoridades aeroportuárias no plano comercial.


DEPENDE DE NÓS

Especialistas atribuem o sucesso do leilão de concessões de aeroportos realizado na semana passada à perspectiva de destravamento da economia brasileira com a possível aprovação de uma agenda de reformas pelo Congresso. Além disso, apontam os avanços na qualidade institucional do leilão, que resultaram em melhoria da governança e aumento da segurança jurídica. A saída da Infraero do negócio é também destacada como uma mudança positiva em relação às concessões anteriores.

Enganam-se os que medem o resultado desse leilão apenas pelo valor arrecadado pelo governo, de R$ 2,4 bilhões, a serem pagos à vista pelos vencedores. É muito pouco para quem enfrenta um déficit fiscal que beira os R$ 100 bilhões este ano. Mas uma coisa é falar bem do Brasil; outra coisa é colocar dinheiro aqui.

Portanto, é no espetacular ágio médio da disputa (936%) e na alta qualidade dos concorrentes que estão as notícias mais importantes. A primeira confirma que há capitais no mundo em busca de oportunidades. A segunda é que o Brasil tem tudo para se tornar a melhor das opções de investimento. Só depende de fazermos nosso dever de casa. Reformas já!


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