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Estado de Minas COLUNA

Comando da política econômica nas mãos de Paulo Guedes está por um fio

"Politicamente, o Centrão já está sentado no 4º andar do Palácio do Planalto, e o ministro da Economia é quem agora pede licença para falar com o presidente"


04/04/2021 04:00 - atualizado 04/04/2021 21:12

Não é a primeira vez que o ministro da Economia, Paulo Guedes, ameaça sair (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Não é a primeira vez que o ministro da Economia, Paulo Guedes, ameaça sair (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Nos últimos dias, as mídias têm especulado sobre a saída do ministro da Economia, Paulo Guedes. O motivo apontado para sua saída seria o Orçamento de 2021 aprovado pelo Congresso. No entendimento do ministro, o presidente Bolsonaro teria que vetá-lo, pois a peça orçamentária fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.

De fato, a Instituição Fiscal Independente (IFI) afirma que, para cumprir a regra do Teto dos Gastos, o limite do orçamento deveria ser de R$ 1,48 trilhão. Do jeito que está, o orçamento resultará em estouro do teto. O tema é seriíssimo mas, com certeza, o conflito político latente ultrapassa a questão do orçamento malfeito.

Não é a primeira vez que Guedes ameaça sair. Até aqui, a ameaça tem dado certo. Bem ou mal, o ministro tem conseguido do presidente algumas concessões para ir tocando sua política econômica. O problema maior, por trás do impasse do orçamento, é que a estratégia desenhada em 2019 pelo ministro começa a evidenciar completo esgotamento.

Nenhuma das metas ministeriais se concretizou plenamente, a começar pela reforma da Previdência, de cuja suposta economia fiscal ninguém mais fala e que ficou muito aquém do objetivo almejado de uma capitalização gradual das contribuições.

Até hoje, Guedes tampouco conseguiu alinhavar uma reforma tributária para chamar de sua. A outra almejada reforma, da administração, de escopo restrito e válida apenas para servidores novos, continua no papel. A reforma federativa permanece uma quimera. E a PEC Emergencial foi neutralizada por falta de musculatura política do governo junto a um Congresso voltado para o próprio umbigo.

A única obsessão ainda verbalizada pelo cambaleante discurso do ministro é recriar a famigerada CPMF. O programa de privatizações anda a passo de caramujo. Uma política fiscal de controle efetivo do gasto público não mereceu qualquer destaque desde o primeiro dia de governo.

A pandemia só veio ampliar o desastre gerencial do superministério, que comecou com a participação de gestores estelares provindos do setor privado e foi sendo desmantelado pela demissão sucessiva de quase todos os colaboradores relevantes.

No campo macro, os indicadores críticos fugiram ao controle do ministro e dele não recebem mais as usuais projeções otimistas. O Banco Central também errou na previsão sobre curso da economia em 2020. Todos erraram juntos.

A inflação de 2021 aponta para furar o teto da meta até dezembro, como consequência da política monetária frouxa. A tensão social aumentou muito nas semanas recentes com o tamanho da fome e do desemprego, após uma farra de auxílios emergenciais esbanjados no ano passado, sem chance de se repetir este ano.

O câmbio encostando em R$ 6 por dólar está na raiz do descontrole. O ministro se equivocou redondamente quando previu pouco impacto da desvalorização do real sobre o custo de vida do brasileiro num ano de renda em queda livre. Os alimentos seguem em alta e o IGP – índice que mais captura a dolarização da economia – alcança recordes de variação.

Politicamente, o Centrão já está sentado no quarto andar do Palácio do Planalto e o ministro da Economia é quem agora pede licença para falar com o presidente. Tardiamente, o “mercado” passa a questionar a abordagem prometida pelo desalentado ministro. Novas ameaças de demissão não surtirão efeito. Talvez seja tarde demais para acenar com projetos novos e generosos, como a ideia de um Fundo Brasil. O desastre fiscal e o pânico da opinião pública, diante de um país derrubado pela pandemia e pelo isolamento internacional, injetam combustível na crise político-militar instalada de modo permanente pelo alijamento de quase toda a elite castrense, que chegou a por fé na visão de um país renovado pelo Bolsonarismo. Conclusão inevitável: Guedes pode sobreviver como ministro até o mês das noivas. Mas seu casamento com Bolsonaro estará, daqui para a frente, sempre por um fio.

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