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Estado de Minas Comportamento

Qualquer maneira de amor


19/06/2022 04:00 - atualizado 15/06/2022 16:26

Foto de mãos
(foto: Michelle Statler por Pixabay)


Tive conhecimento de vários casos de homens que se casaram com suas cuidadoras, enfermeiras ou empregadas de várias naturezas com o objetivo de garantir-lhes um futuro melhor sem eles. Elas passaram a receber pensão por morte dos maridos e puderam gozar de uma vida um pouco mais tranquila que a que levavam antes de conhecê-los.

Como acredito que o casamento, a união estável e até mesmo a tumultuada, seja sempre fruto de um acordo, não vejo problema nisso. Deixo esse tipo de preocupação ou precaução com os institutos de previdência que veem prolongar os contratos com seus associados por um tempo maior que o esperado ou desejado.

O amor seria o melhor centro do acordo e reconhecidamente o mais nobre, mas nem sempre cabe a ele unir um casal. Então seria hipocrisia condenar aqueles que se casam por interesse financeiro ou qualquer outro que traga vantagens materiais e sociais para um ou outro.

Eu me recordo do pai de um amigo, um jurista famoso do Rio de Janeiro, que viveu sob a guarda da mesma cuidadora por quase 25 anos. Ele faleceu com quase 100 anos no mesmo mês em que ela completou 80 anos. Não havia amor declarado, nem beijos e abraços públicos e, se ocorriam no privado, ninguém nunca questionou.

Poucos anos antes de morrer, notificou aos filhos que estava doando a eles a maior parte dos bens que acumulara inclusive o apartamento onde morava, porém este ficaria em regime de usufruto da cuidadora com quem decidira se casar. Dessa forma, evitou que os filhos se sentissem prejudicados em relação a herança, assim como futuras batalhas judiciais quase sempre previsíveis.

Um coronel da PM do interior de Minas fez algo semelhante. Ao ser diagnosticado com uma doença que o levaria em poucos anos, casou-se no civil com a ex-mulher, mãe de seus três filhos na época adultos. Ela havia se colocado a disposição dele para realizar os cuidados necessários durante todo o tratamento. O acordo entre eles rezava que, ao receber a pensão como viúva, ela deveria repartir o valor por quatro, repassando uma parte para cada filho e seu pedido é cumprido até hoje.

Não tenho a pretensão de romancear histórias reais e transformá-las em contos de fadas. Mas recorro a elas para ampliar minha maneira de entender os meandros das relações, por acreditar que elas são muito mais abrangentes do que possamos imaginar e que qualquer maneira de amor vale a pena. 

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