Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas COMPORTAMENTO

À vitória!

O limite é o fim aonde devemos chegar


postado em 15/09/2019 04:00

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
 
No momento em que escrevo esta coluna, acabo de chegar do velório de uma amiga que conheci nos tempos de brincar na rua, no tempo de colégio primário. Durante os últimos nove anos, lutou contra um tipo raro de câncer difícil de ser diagnosticado. No caminho encontrou equipes médicas em Minas, São Paulo e fora do Brasil, dispostas a estudar e a conhecer melhor a doença. Ela mesma era médica e entendia bem o que lhe acontecia.
 
Abriu-se a vários tratamentos alternativos e em um deles encontrou a luz que a ajudou a ter força e coragem para enfrentar as dores que vieram. E como vieram, tanto as dores quanto a força e a coragem. Como era de se esperar, comentava-se o quanto ela lutara e que agora iria descansar. Muitos lamentavam que, ela que vencera todas as outras lutas contra a doença até aquele momento, acabara sucumbindo derrotada.
 
Tenho uma visão da morte bem diferente. Acredito que agora sim ela vencera, pois pode deixar o corpo para trás e seguir um novo caminho, seja ele qual for, sem ser preciso carregá-lo. O limite é o fim aonde precisamos chegar. Se ela chegou ao limite da vida, o prêmio veio pela morte. Pode parecer mórbido, mas precisamos enxergar a morte com outros olhos, menos fantasiosos, mais realistas. Uma festa precisa chegar ao fim, um curso, um banquete. O dia precisa se encerrar, assim como a noite, que dá início a um novo dia. O fim, por melhor que tenha sido todo o percurso, precisa vir.
 
Morrer está muito longe de significar ter perdido qualquer luta. Quando não procurada, a morte é o prêmio que se recebe por ter dado conta de viver com todas as dificuldades que, certamente, estão reservadas a todos. Difícil? Claro, longe de mim achar que temos que comemorar a partida de alguém, apesar de quando da minha já pedi que o espumante, minha bebida favorita, seja libe- rado. Afinal, lá se fui eu.
 
O que não podemos é continuar acreditando que o melhor seria permanecer por aqui eternamente. Precisamos partir, quando é chegada a hora. E quem fica para trás precisa aceitar e retomar a vida até que também chegue sua hora. E ela chegará.
 
Esse é o curso da vida, que nos negamos a pensar e conversar sobre. “Não vamos falar sobre coisa ruim”, dizemos sempre que alguém tenta abordar o tema. Não devia ser considerado ruim, assim como é difícil ser considerado bom ou neutro. Que o classifiquemos, então, como um assunto importante sobre o qual precisamos e devemos refletir.
 
É sempre mais fácil quando lidamos com mortes decorrentes da velhice ou de doenças prolongadas, porque esses quadros nos dão tempo para pensar sobre elas, as lutas nos preparam para a hora da partida. Temos todo o tempo do mundo para pensar sobre isso, mas preferimos acreditar que esse tempo é tão eterno quanto a vida e deixamos para amanhã, até que chegue a hora em que não dá mais para esperar.


Publicidade