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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Foi para lá que fui

São histórias mais otimistas, que relatam realidade que já foi cruel


postado em 21/07/2019 04:00 / atualizado em 19/07/2019 14:06


 
 
O Malawi se tornou um pouco mais conhecido do público brasileiro ao figurar na mídia por motivos variados. Em 2006, Madonna adotou uma criança malawiana. Em 2017, a produção brasileira Gabriel e a montanha, do diretor Felipe Barbosa, trouxe a história do jovem economista que se aventurou pelo continente africano decidido a terminar sua exploração escalando o Monte Mulanje, no Malawi, onde acabou morrendo.
 
Em março último, a Netflix lançou o filme O menino que descobriu o vento (The boy who harnessed the wind) contando a história do jovem malawiano William Kamkwamba que, inspirado por um livro de ciências, construiu uma turbina eólica para salvar seu vilarejo da fome, no início dos anos 2000, quando tinha apenas 14 anos. Quem quiser se aprofundar mais sobre o país tem ainda a opção de assistir ao documentário Faces do Malawi dirigido pelo brasileiro Caetano Cur, em conjunto com o Cine Group. O filme mostra diversos de seus povos, as aldeias e suas tradições.
 
São histórias mais otimistas, apesar de retratarem uma realidade cruel que já foi bem pior. O Malawi foi colônia britânica desde seu descobrimento, em 1859, até 1966, quando teve no seu primeiro presidente, Kamuzu Banda, uma das piores e mais sangrentas ditaduras já registradas no continente, que durou até 1994. País definido de baixa renda, ocupa a 170ª posição, entre 187 países, no Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD. Está entre os países que mais sofrem com a fome, ao lado de Etiópia, Somália, Sudão, Moçambique, Libéria e Angola.
 
A ONU estima que cerca de 40% da população vive com menos de um dólar por dia num país devastado pela seca, apesar de contar com um dos maiores lagos do mundo. Faz fronteira com Tanzânia, Moçambique e Zâmbia, sendo sua economia essencialmente rural.
 
No meio de toda essa pobreza está o campo de refugiados Dzaleka, em Dowa, região central do país, organizado pelo Alto Comissariado de Refugiados da ONU (ACNUR), onde cerca de 38 mil pessoas vivem em situação emergencial, apesar de que muitas já estão lá há anos. Alegam que vivem melhor ali, naquele amontoado de gente com pouca infraestrutura básica, do que em suas terras natal, países assolados por conflitos internos como Congo, Ruanda, Somália e Burundi.
 
A Fraternidade sem Fronteiras está aos poucos construindo salas de aulas e um centro de acolhimento em terreno próprio vizinho a esse centro de refugiados. É onde ficamos instalados, principalmente quando nos recolhemos para dormir e trocar as experiências que tivemos no dia, médicos, psicólogos, dentistas, e outros, como eu, oriundos de profissões diversas. Serão exatamente nossas alegrias, nossas tristezas, nossos casos e testemunhos de uma viagem que prometia mudar o ponto de vista de qualquer um de nós, que estarei relatando, aqui no Feminino & Masculino, no domingo, em uma espécie de diário que preparei desde minha partida de BH, no dia 6, até o meu retorno, na noite do dia 18. Até lá.


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