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Estado de Minas PADRE ALEXANDRE

O novo cristão: Como serão as mudanças que devem ser incorporadas à nossa vida?

''Algumas pessoas que estavam com a alma adormecida na fé acordaram do sono profundo e perceberam que as mãos postas ajudam melhor a enfrentar os desafios do nosso novo deserto''


postado em 21/06/2020 04:00 / atualizado em 21/06/2020 09:32

O novo é um caminho difícil, demanda coragem, exige aceitar o mistério, o acaso, a surpresa, descobrir o reverso do verso, um jeito diferente de ver, ouvir, sentir e saber. E eis que o novo entrou sem pedir licença na nossa vida – não é o que se discute agora que a pandemia vai se esvaindo? O novo normal.

Como serão as mudanças que devem ser incorporadas à nossa rotina, como implantar um novo padrão de vida a hábitos que ainda não nos pertencem, como tornar comuns a você e eu, nós, atitudes que para nos dar proteção e segurança parecem nos afastar uns dos outros? A diferente realidade bate à porta e não tem como escapar: a globalização vive uma nova era e é para lá que vamos. O novo normal.

As imagens do novo mundo mostram as alterações na rotina de países que já reabriram a economia, como as barreiras individuais de acrílico nas carteiras escolares na Coreia do Sul e em restaurantes de Nova York. O mundo do trabalho vai encontrar melhor fórmula de funcionamento, grande parte dos trabalhadores conseguirá fazer o serviço de casa, haverá maior preocupação com a segurança. São inúmeras as situações levantadas para a vida pós-pandemia, ainda no campo das hipóteses, mas nem por isso desprezíveis.

Máscaras já fazem parte do vestuário, o que vai esconder o sorriso, mas obrigará o olhar a ser mais sincero. Estão sendo instaladas marcações nos pisos de shoppings e supermercados, dirigindo o nosso ir e vir, não como recomendação, mas como ordem. Um verdadeiro kit de segurança com o qual, aos poucos, vamos nos acostumando não por ser agradável, mas pela segurança que oferece. Há pessoas que se refugiam no medo, exercendo à perfeição a virtude da prudência, outras continuam felizes da vida. De um jeito ou de outro, entraremos em um novo padrão de normalidade.

Podemos dizer que o coronavírus antecipou o futuro, expandindo o e-commerce e o sistema de delivery, promovendo a integração digital entre empresas e consumidores, instalando o home office e mostrando os bons resultados das reuniões a distância. Há em curso uma reconfiguração completa do nosso dia a dia.

No novo normal, surge o novo cristão, aquele povo de Deus acostumado a enfrentar dificuldades desde a arca de Noé balançando solitária entre dias e dias de chuva, passando pelos 40 anos de travessia do deserto, com Moisés enfrentando as murmurações de uma gente de “cabeça dura”. Mais o maior erro judiciário de toda a história na condenação de Jesus, os momentos de exílio, as perseguições aos cristãos.

A pandemia deixará vestígios na vida cristã. O fiel conheceu o vírus e se lembrará dele, conheceu a solidão do isolamento e se lembrará dela, conheceu como é viver longe da casa do Pai e se lembrará disso. Ficará livre do sofrimento, mas não viverá o tempo do esquecimento, essa marca ficará como um selo colado na alma. O novo cristão tem mais consciência do que é ser povo de Deus, deu maior significado ao “amai-vos uns aos outros”.

Algumas pessoas que estavam com a alma adormecida na fé acordaram do sono profundo e perceberam que as mãos postas ajudam melhor a enfrentar os desafios do nosso novo deserto, a se acomodarem com segurança enquanto a arca está à deriva enfrentando as tempestades dos dias. Trocaram a muleta pelo cajado. Ficaram mais perto de Deus.

Penso que o novo cristão vai se distrair menos no caminho e perceber melhor os ruídos que vêm do interior, pois a imagem dos templos vazios doeu muito nas lembranças que guardava do Deus de outrora. Foi uma separação dolorosa para padres, pastores, fiéis. Ninguém mais quer ser feliz so- zinho. A grande riqueza do novo cristão está é no outro. O próximo ficou mais próximo – já que não pode estar ao lado, se instala dentro do coração.

Jesus falou tanto em amor ao próximo! Dois mil anos depois os cristãos encontraram mais um significado para as pregações do Mestre. Próximo não é apenas aquele que merece generosidade, mas aquele que, junto com você, faz os dois se tornarem o povo de Deus. O novo cristão está aprendendo a conjugar os verbos na primeira pessoa do plural. Nós.

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