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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Cesta básica de BH tem maior aumento em 6 anos e alta deve persistir

Despesa com alimentos essenciais em julho subiu 23,06% nos últimos 12 meses, segundo a Fundação Ipead/UFMG, e tendência é de novos reajustes


07/08/2021 04:00 - atualizado 07/08/2021 07:27

Redução de gastos com arroz e óleo de soja em julho foram insuficientes para conter as intensas altas desde o ano passado (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 21/6/21)
Redução de gastos com arroz e óleo de soja em julho foram insuficientes para conter as intensas altas desde o ano passado (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 21/6/21)
Pelo décimo mês a cesta básica ultrapassou o valor de R$ 500 em Belo Horizonte, já consumindo mais da metade do salário mínimo, ao custo de R$ 568,27 medido em julho pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG. No período de um ano terminado no mês passado, o aumento de 23,06% do gasto foi o maior para julho em seis anos, desde 2015. A marca preocupa não só em razão da intensidade dos reajustes, mas diante de um cenário que indica preços mais altos nos próximos meses.

Seria um engano desprezar o comportamento da despesa com os 13 produtos de alimentação que compõem a cesta ou mesmo associá-lo só a uma dificuldade da população pobre. A cesta básica, hoje, diz mais sobre a inflação do que se imagina num tempo de freio dos indicadores da COVID-19, mas pressionado por crise política e hídrica, energia e combustíveis caros e em elevação de preços.
 
Outro fator lançado na conta das expectativas, algumas reduções de preços decepcionam os mais otimistas.“Preços sobem como foguetes e descem como plumas”, costumam observar os próprios economistas. Em julho, dois dos três itens que baratearam na cesta tiveram quedas que talvez a dona de casa nem sequer tenha percebido, dado o histórico de altas desde o ano passado.

O custo dos belo-horizontinos com arroz caiu 3,65% em julho, ante o aumento de 2,66% do conjunto da cesta no mês passado. Parece motivo de comemoração, mas o resultado está longe disso quando se observa que em 12 meses até julho o gasto decorrente do arroz subiu 35,25%. Da mesma forma, a conta com o óleo de soja diminuiu 0,52% no mês passado e 2,65% neste ano. Contudo, foi incapaz de conter o avanço de 83,14% da despesa em 12 meses.

Eduardo Antunes, gerente de pesquisa da Fundação Ipead/UFMG, tem recomendado que as famílias adotem medidas de proteção do orçamento para encarar as compras nos próximos meses, como substituição por itens de safra, pesquisa de preços antes de definir os gastos e até mesmo o corte do que for possível . “O cenário é de aumento de preços. Em que nível isso vai ocorrer é difícil saber”, alerta.

Fundamental, nesse contexto, é que o consumidor perceba a diferença entre variação – os aumentos e quedas em determinados períodos de tempo – e dispersão de preços, neste caso a diferença dos custos dos mesmos produtos e serviços em diversos estabelecimentos do comércio. Esse conhecimento e a busca das ofertas verdadeiras ajudam na negociação de melhores condições de compra e a promover algum alívio no orçamento.

Um coquetel de pressões sobre as prateleiras do varejo tende a ganhar força até dezembro. Junto dos efeitos da crise hídrica sobre as lavouras – na cafeicultura mineira, as perdas após geadas ocorridas em julho são estimadas em 19,1% das áreas ocupadas, tendo afetado 9,5 mil produtores – a reabertura do comércio e do setor de serviços já mostrou impacto em preços da alimentação fora de casa no mês passado.

O processo de recomposição de perdas sofridas pelas empresas que enfrentaram longos períodos de fechamento, restrição para combater a contaminação pelo coronavírus, deve continuar. Antunes lembra ainda os tradicionais repasses de preços dos alimentos no segundo semestre, motivados pelas festas de fim de ano. Na balança das esperadas reduções, como nas mensalidades dos planos de saúde individuais e nas tarifas da Copasa, é preciso ainda aguardar essas acomodações de preços. Ainda é cedo para dizer se serão suficientes para conter os aumentos previstos.

Até agosto do ano passado a cesta básica pesquisada em BH pela Fundação Ipead/UFMG girava entre custo de R$ 420 a R$ 470. Os intensos reajustes desde então mudaram o patamar da despesa com alimentação básica, que passou de R$ 500 em outubro de 2020 (R$ 520,79). Nos últimos 10 meses, houve sete aumentos e três quedas de preços (fevereiro, março e junho deste ano). O consumidor que pagou a cesta ao custo médio de R$ 568,27 em julho consumiu 51,66% do valor do salário mínimo (de R$ 1.100).
 
 
 

PESO PESADO


40,11%

Foi o aumento dos gastos nos últimos 12 meses até julho com a carne de boi (acém) que compõe a cesta básica de BH medida pela Fundação Ipead
 

NO PODIUM
 
O custo médio da cesta básica de alimentos apurada pelo Dieese em 17 capitais mostrou elevação em 15 cidades no mês passado. A despesa total em BH somou R$ 549,49 no mês passado. O aumento frente a junho foi de 3,29% na capital mineira, a quarta maior alta, depois de Fortaleza (3,92%); Campo Grande (3,89%); e Aracaju (3,71%). Houve queda apenas em João Pessoa (-0,70%) e Brasília (-0,45%).
 

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