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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Respeito e cooperação com China e EUA podem ajudar Minas e o Brasil em 2021

A despeito da pandemia, o estado encerra 2020 com boas exportações, que impulsionam a economia, a menos que continue a agressividade do Planalto com China e EUA


25/12/2020 04:00

Produção de soja, assim como minério, contribuiu para o bom resultado do comércio de Minas com o exterior em 2020, mas há desafios a serem enfrentados em 2021(foto: Faemg/Divulgação %u2013 19/10/19)
Produção de soja, assim como minério, contribuiu para o bom resultado do comércio de Minas com o exterior em 2020, mas há desafios a serem enfrentados em 2021 (foto: Faemg/Divulgação %u2013 19/10/19)


Não custa aos políticos, independentemente do viés ideológico, dedicarem os próximos dias de festa cristã e da comemoração pagã de Ano-novo a uma reflexão sobre o que se propõem a fazer em novo período de crise econômica que promete ser intensa no Brasil e em Minas Gerais. As preocupações para 2021 chegam em dobro e não se limitam mais ao front interno. Elas balançam o comércio com o exterior, via que poderia ajudar muito mais o país e o estado.

A despeito dos bons resultados das exportações neste ano, revertendo as previsões de grandes dificuldades no mercado internacional devido à pandemia de COVID-19, as expectativas de especialistas do setor encerram 2020 num clima de apreensão e dúvidas. Espantam a falta de compromisso e o tratamento beligerante dispensado pelo governo brasileiro diante de seus principais parceiros de comércio no exterior, a China e os Estados Unidos.

Os efeitos dessa ausência de políticas externa e ambiental inteligentes e estratégicas são particularmente ruins para Minas, cuja economia é dependente da corrente de comércio com os dois países. Nem a derrocada do governo de Donald Trump, espelho em que o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro vinham se mirando, serviu para que o Planalto e o Itamaraty emitissem um único sinal de disposição de dialogar. Diferente disso, e de forma estranha ao mundo desenvolvido, Bolsonaro foi um dos últimos chefes de estado a reconhecer Joe Biden como presidente eleito dos EUA.

As exportações brasileiras devem somar US$ 208,791 bilhões neste ano, e as vendas de Minas estão estimadas em US$ 26 bilhões, com base em estudo feito por José Augusto de Castro, presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Não são poucas as variáveis que podem interferir nas projeções para 2021.

As chamadas commodities, os preços de produtos agrícolas e minerais que dominam o comércio de Minas com exterior, mostraram cotações atraentes neste ano, mas nada indica que elas vão se manter, como destaca Augusto de Castro. “A dúvida é como elas vão se comportar neste mundo novo normal e os impactos que terão”, afirma. Neste ano, a participação dos embarques de minério nas exportações mineiras deve atingir 36%, enquanto o café tende a contribuir com 14%, e a soja, 6,7%.

O cenário esperado para o estado, que seguiria a tendência do Brasil, é de aumento da receita em 2021 para US$ 31 bilhões, refletindo grande alta de preços de minério e da soja. O grão, em particular, tende a elevar sua contribuição para a balança de comércio de Minas com o exterior, para 8,5%.

Ainda assim, Augusto de Castro alerta para a possível perda de participação mineira no ranking nacional, notícia nada bem-vinda. Em 2020, Minas deverá permanecer na segunda posição entre os estados exportadores e em sexto lugar nas importações. O estado apurou receita de US$ 23,524 bilhões no mercado internacional de janeiro a novembro. A China respondeu por 28,4% dessa cifra, e os EUA, 7,15%.

“Minas pode cair, em 2021, para o terceiro ou quarto lugar, pois a elevação do preço do petróleo ampliará as exportações do Rio de Janeiro, e o aumento do preço do minério deverá alavancar as exportações do Pará”, alerta o presidente-executivo da AEB.

Além de um prognóstico feito para um momento desfavorável, importante lembrar que o estado havia avançado, uma vez que em 2019 era o terceiro colocado entre os maiores exportadores do Brasil. Agora resta trabalhar por um desfecho positivo para as pendências vislumbradas no mercado internacional, torcendo para que a lucidez alcance a Esplanada dos Ministérios.

Enquanto o mundo espera a volta do crescimento econômico, após as campanhas de vacinação em curso, há expectativas sobre as decisões do presidente dos EUA, Joe Biden, até mesmo sobre como vai tratar o Brasil. O governo brasileiro continuará isolado no comércio internacional e sem mudar a postura perante a China? O que será do câmbio? Que a esperança vença em 2021. Aos leitores, luz nova em 2021. E até janeiro.

RECORDE

A produção mineira de açúcar neste ano foi a maior já realizada em Minas Gerais até dia 1º deste mês, alcançando 4,66 milhões de toneladas. Neste mesmo período, a moagem de cana-de-açúcar totalizou 69,8 milhões de toneladas, representando acréscimo de 5% sobre o resultado de 2019 em idêntico intervalo de tempo. A safra foi encerrada no fim de novembro por 27 das 35 usinas de Minas, de acordo com a associação do setor, a Siamig.

ÀS COMPRAS

US$ 8,1 bilhões

É a projeção da AEB para as importações de Minas em 2021, frente ao valor de US$ 7,7 bilhões previstos neste ano




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