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Estado de Minas MINA$ EM FOCO

Barbas de molho no comércio com o exterior

"Certeza é que a força exportadora dos cafezais mineiros está exposta a um trio de compradores no centro da pandemia do novo coronavírus: Itália, Estados Unidos e Alemanha"


postado em 13/03/2020 04:00 / atualizado em 13/03/2020 09:52

A China, um parceiro antigo do comércio de Minas, ainda é um mercado incipiente para o café, mas já se transformou em jogador vital na indústria da bebida no mundo(foto: Marcos Michelin/EM/D.A PRESS - 31/1/11)
A China, um parceiro antigo do comércio de Minas, ainda é um mercado incipiente para o café, mas já se transformou em jogador vital na indústria da bebida no mundo (foto: Marcos Michelin/EM/D.A PRESS - 31/1/11)

Bastaram não mais de 15 dias entre baixas históricas nas bolsas de valores do Brasil e ao redor do mundo, e de marcos também pouco vistos do dólar, no viés de alta, para que caísse por terra, pelo menos por enquanto, a teoria das possíveis “oportunidades” do país diante do choque provocado pela pandemia do coronavírus e drástica queda dos preços do petróleo. Em se tratando dos produtos agrícolas que dão ao país e a Minas Gerais um mercado, em geral, firme e crescente no exterior, as preocupações aumentaram nos últimos dias com o declínio das cotações e de volumes exportados.
 
Os contratos futuros negociados ontem na bolsa de Chicago mostraram perdas expressivas, de mais de nove pontos para soja e milho, café, açúcar e algodão. A duração do avanço da doença e até que ponto o novo coronavírus poderá minar o campo fértil esperado pelas estrelas das exportações do agronegócio mineiro e brasileiro ainda geram muitas dúvidas. Certeza é que a força exportadora dos cafezais mineiros está exposta a um trio de compradores tradicionais do produto colocados no centro da pandemia do novo coronavírus: Itália, Estados Unidos e Alemanha, que se revezam nos primeiros lugares do ranking de destino das vendas do estado no mercado internacional, como lembra Ana Carolina Alves Gomes, analista de agronegócios da Faemg.
 
A China, por sua vez, um parceiro antigo do comércio de Minas, ainda é um mercado incipiente para o café, mas já se transformou em jogador vital na indústria da bebida no mundo, tendo triplicado as suas importações nos últimos 10 anos. Com a propagação da doença, a Starbucks se viu obrigada a fechar ao redor de 50% de suas mais de 4 mil lojas na locomotiva asiática, assim como foi anunciado o fechamento de unidades da Luckin Coffe em Wuhan, de onde o novo coronavírus se lançou.
O resultado dos embarques de Minas ao exterior no primeiro bimestre são motivo bastante para que os produtores e o governo do Estado ponham as barbas de molho. As vendas externas de soja de Minas caíram 66% em janeiro e fevereiro, ao somarem US$ 28 milhões; as de café não torrado encolheram 8,48%, com receita de US$ 601 milhões, e as exportações dos demais produtos agropecuários do estado despencaram 19%, para US$ 22, 4 milhões.
 
Na quinta-feira, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou retração de impressionantes 25,7% das vendas externas de café verde do Brasil em fevereiro, totalizando 2,42 milhões de sacas de 60 quilos. A receita do produto seguiu na mesma toada negativa, tendo apresentado queda de 23% no ano, apesar do aumento de 1,8% no preço médio da saca. É preciso observar que esse balanço reflete a oferta tradicionalmente menor do produto nesta época do ano, e que, portanto, não significa que já se possa relacionar o mau desempenho aos efeitos da crise atual.
Contudo, os números não liberam produtores e governo de acompanharem os movimentos do ouro negro, que certamente vai sofrer algum efeito da crise. “Os impactos, a gente vai sentir quando os cafeicultores começarem a comercializar a safra 2020”, diz Carolina Alves Gomes. Fato é que o mercado do café – do qual Minas detém cerca de metade da produção brasileira – é muito sensível aos fatos políticos e ao humor dos investidores.
 
A tal “oportunidade gerada pelas crises” estaria personificada num dólar que alcançou R$ 4,906 às 10h30 de ontem, espécie de paraíso para os exportadores. No entanto, as cotações das chamadas commodities agrícolas teimam em ficar no vermelho, atrapalhando os sonhos de ganho dos produtores. Como tem dito o analista econômico e consultor Miguel Daoud, “nas crises, quem tem oportunidade são os especuladores, não quem produz neste país”.
 
O ponto de equilíbrio pouco provável de ser alcançado pelos produtores e suas lavouras agora é aquele momento que assegurar os melhores preços para comercializar a safra, um planejamento difícil de ser feito e que vai rebater lá na frente na capacidade das famílias brasileiras de pagar a comida dentro de casa. O mesmo dólar alto que favorece as exportações, da mesma forma, aumenta os custos com insumos e defensivos.

Voo livre


7%. Foi quanto subiu a oferta de assentos na aviação aérea nacional, com registros em Minas Gerais

AVIAÇÃO NACIONAL

A crise brasileira e mineira não impediu que o número de passageiros do estado no transporte aéreo doméstico crescesse 5,2% no ano passado, frente a 2018. É o que revela levantamento inédito de dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Minas registou, em 2019, o transporte pela aviação nacional de mais de 6,1 milhões de pessoas, 303 mil a mais do que em 2018.

ASSENTOS REPOSTOS

Comparando os dados levantados nos meses de dezembro de 2019 e 2018, a Abear constatou, ainda, que já foi reposta no estado o vácuo da oferta de assentos em decorrência do fim da operação da Avianca Brasil. O número de assentos ofertados no período comparado subiu 6,3% e o universo de viajantes se ampliou em 362 mil. O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, destaca que a oferta de assentos já foi praticamente reposta no país pelo setor.

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